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O Borussia Dortmund arrefeceu e o Benfica agradece

Em setembro, o Borussia Dortmund era a equipa mais explosiva da Europa e distribuía goleadas por onde passava. Agora é 4.ª classificada na Bundesliga, no fim de semana perdeu com o lanterna-vermelha e fora de campo também nem tudo corre bem. O adversário do Benfica nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões (terça-feira, 19h45) chega a Lisboa no seu pior momento da época

Lídia Paralta Gomes

As cabeças baixas têm uma razão: já são 15 os pontos de desvantagem do Borussia Dortmund para o Bayern Munique

RONALD WITTEK/EPA

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Ali algures em setembro, o Borussia Dortmund era a equipa mais excitante da Europa. No período de nove dias, a equipa de Thomas Tuchel marcou 20 golos em quatro jogos, sofrendo apenas dois. Todos tinham medo do Borussia, ninguém queria dar de caras com aquela equipa sem esquema tático definido e onde brilhavam garotos como Raphael Guerreiro (23 anos), Julian Weigl (21), Christian Pulisic (18), Ousmane Dembélé (19) ou Felix Passlack (18).

Contrariando o estilo rock and roll do antecessor, Jurgen Klopp, Thomas Tuchel abandonou o futebol de pressão - onde mais importante do que ter a bola era recuperar a bola - e deu-lhe um toque de Guardiola: no início da temporada, ninguém melhor que o Dortmund colocava no relvado o futebol de posse. O Borussia Dortmund era uma máquina de fazer golos e aquela versatilidade tática deixava qualquer adversário com a cabeça em água.

Só que entretanto a máquina arrefeceu. Tuchel é um homem de pormenores - treina os jogadores de forma a passarem a bola para o melhor pé do colega mais próximo, por exemplo -, mas há pormenores que lhe fogem das mãos. As lesões, por exemplo. Depois de um início de época fulgurante, Raphael Guerreiro tornou-se rapidamente um dos indiscutíveis de Tuchel, quer a defesa esquerdo quer a médio interior esquerdo. Tuchel gosta de jogadores versáteis e tornou o internacional português num todo-o-terreno. Mas aí vieram as lesões musculares, das quais só recentemente Guerreiro recuperou. Marco Reus é outro dos intermitentes na equipa, tal como Gotze. A juventude da equipa tornou-a vulnerável aos altos e baixos físicos e exibicionais.

E para bem do Benfica, o Dortmund chega a Lisboa para o encontro desta terça-feira dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões provavelmente no momento mais baixo da época. Tanto dentro como fora de campo.

Os últimos 10 jogos na liga alemã foram uma espécie de montanha-russa demasiado arrojada para o Dortmund: quatro vitórias, dois empates e quatro derrotas. A última delas na última jornada, frente ao Darmstadt, equipa que na 1.ª volta tinha saído do Signal Iduna Park, o estádio do Borussia, com seis no saco (em setembro, lá está) e que no domingo impôs uma impensável derrota por 2-1 ao adversário do Benfica. Primeiro porque o Darmstadt é, com diferença, o último da Bundesliga. E depois porque a vitória de domingo por 2-1 foi apenas a terceira do lanterna-vermelha em 20 jogos.

E com a derrota vieram os primeiros sinais de desconforto. Tuchel apontou o dedo aos jogadores, dizendo que jogaram “muito abaixo dos seus limites”. E a resposta não se fez esperar. “Não me parece que haja na equipa alguém desinteressado”, atirou o guardião Burki. O 4.º lugar na tabela, já a 15 pontos do Bayern Munique, começa a fazer mossa.

Bancada fechada

Mas há mais. Esta segunda-feira a Federação Alemã de Futebol sancionou o clube com uma multa de 100 mil euros e o encerramento do sector sul do Signal Iduna Park na próxima jornada da Bundesliga, na sequência dos incidentes que marcaram a visita do RB Leipzig a Dortmund, no início do mês. Além dos cartazes de caráter insultuoso que os aguerridos adeptos da casa mostraram à equipa adversária - que pertence à Red Bull e é, por isso, a equipa mais odiada da Alemanha - vários apoiantes do RB Leipzig foram atacados ainda fora do estádio.

É assim um Dortmund muito pouco tranquilo aquele que aterrou em Lisboa. O Benfica agradece e amanhã será um bocadinho menos underdog do que há um par de meses, após o sorteio que colocou novamente os alemães no caminho de uma equipa portuguesa, depois de jogarem com o FC Porto na última temporada, na Liga Europa, e com o Sporting já este ano, na fase de grupos da Champions.