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Liga dos Campeões

Quem és tu e o que é que fizeste ao Aubameyang?

O Benfica venceu o Borussia Dortmund por 1-0 na 1.ª mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A vitória tem mérito, mas os encarnados devem agradecer a Ederson (que grande exibição!) e ao desastre que foi a noite de Pierre-Emerick Aubameyang: irreconhecível, o avançado gabonês, melhor marcador da equipa, falhou três oportunidades claras, desperdiçou um penálti aos 58’ e Tuchel tirou-o aos 64’

Lídia Paralta Gomes

Aubameyang a falhar e Ederson a brilhar: foi assim o jogo todo

Pedro Nunes/Reuters

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Toda a temporada do Borussia Dortmund tem sido assim uma espécie de luta entre o Dr. Jekyll e Mr. Hyde que há dentro da alma dos jogadores da equipa alemã. Há o muito bom e o muito mau. Há goleadas expressivas, com futebol intenso e bonito, para logo a seguir aparecer uma derrota com o último classificado da Bundesliga. E na Luz houve um bocadinho dos dois: na hora de dominar o jogo, tivemos o Dortmund Dr. Jekyll. O problema é que à frente da baliza de Ederson, e para alívio do Benfica, quem apareceu foi o Mr. Hyde.

O lado Mr. Hyde do Dortmund ficou personalizado num jogador. E logo a estrela. Pierre-Emerick Aubameyang, melhor marcador da equipa, com 21 golos, teve nos pés três golos feitos e ainda uma grande penalidade. Falhou todos. Tuchel chateou-se e poucos minutos depois do gabonês rematar à figura de Ederson da marca de onze metros tirou-o do jogo.

E, nesse minuto 64, todos nós perguntámos àquele rapaz que saia de campo: quem és tu e o que é que fizeste ao Aubameyang?

Quando Aubameyang saiu, cabisbaixo, incrédulo, como quem espera acordar de uma noite de pesadelo, o Benfica já vencia por 1-0, com um golo de Mitroglou marcado numa das únicas oportunidades dos encarnados, que foram encostados às cordas pelos alemães em grande parte do jogo. Valeu a noite não de Aubameyang e, já agora, um par de defesas fabulosas de Ederson. E nem estamos a falar da grande penalidade, que é mais demérito do avançado do Dortmund do que mérito do guardião brasileiro.

A vantagem para a 2.ª mão é curta, mas, face ao que se passou em campo, quase sabe a goleada.

Pressão, pressão e mais pressão

Era mais ou menos expectável. O jogo na Luz começou intenso, rápido, com ataques de parte a parte e as equipas a tentarem aproveitar todos os espaços. Os primeiros 15 minutos foram a melhor fase do Benfica, com Salvio a criar grandes dificuldades aos defesas alemães. Que o digam Schmelzer e Sokratis, que sentiram o cheirinho da relva após uns quantos dribles de belo efeito do argentino, que depois não soube ter a calma para finalizar em frente a Burki.

O susto foi suficiente para Tuchel mandar dois berros para dentro de campo e o Dortmund rapidamente se tornou naquilo que o seu técnico gosta (e que, de resto, prometeu antes do jogo): uma equipa dominadora e de ataque apoiado com a bola e altamente pressionante sem ela.

A partir daí, começou o ai-jesus entre os jogadores do Benfica: sem conseguirem sair do seu meio-campo, tal era a pressão dos jogadores do Borussia, os erros começaram a suceder-se. Aos 10 minutos, Pizzi perdeu a bola para Dembélé que rapidamente colocou em Aubameyang que, com espaço, rematou muito por cima. Falhanço número 1.

Mais 10 minutos e nova perda de bola de Pizzi, sem saber o que fazer perante tanta camisola amarela. Desta vez foi Dembélé a desperdiçar, com Ederson e Lindelof a dividirem a defesa e a guarda da baliza do Benfica. Aos 38’, chega o falhanço número 2 de Aubameyang: Raphael Guerreiro ‘engana’ um Fejsa que parecia ter a bola controlada, aproveita para cruzar e o gabonês chega atrasado perante a baliza deserta do Benfica, que por esta altura já só atacava com a chamada tática do “bola para a frente”.

Ao intervalo, e vendo o Benfica com tantas dificuldades em manter a posse, Rui Vitória abdicou do segundo avançado e chamou Filipe Augusto para dar músculo ao meio-campo. E ainda antes do brasileiro mostrar serviço, apareceu o golo do Benfica. Na sequência de um canto, Luisão ganhou nas alturas e Mitroglou, sozinho e à segunda, fez aquele que seria o único golo da partida. Rui Vitória tinha pedido um golo a Luisão para festejar o seu jogo 500 com a camisola do Benfica, o brasileiro deu-lhe uma assistência. Não foi mau negócio.

A partir daí foi aguentar, com solidariedade e sacrifício. Com mais presença no meio-campo, o Benfica conseguiu controlar melhor os ataques incessantes do Dortmund, mas as oportunidades continuaram a aparecer. Aos 53 minutos, Aubameyang, sozinho, assusta-se com a mancha de Ederson e remata de novo por cima (falhanço número 3) e seis minutos depois, depois de uma mão de Fejsa na área, o gabonês chutou frouxo para Ederson defender a segunda grande penalidade nesta edição da Champions.

O guardião que haveria de salvar de novo o Benfica já nos últimos 10 minutos, com uma defesa de levantar um estádio inteiro num remate que desviou em Jimenez e só não entrou porque, bem, Ederson é mesmo bom.