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Sai uma mini para a batalha da Catedral

A Liga dos Campeões regressa esta terça-feira (19h45, RTP1) à Luz: o Borussia de Dortmund de Thomas Tuchel visita o Benfica na 1ª mão dos oitavos de final

Mariana Cabral

Thomas Tuchel (ao centro) é o treinador do Borussia de Dortmund

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Munique, abril de 2016. “É uma equipa de Sacchi. A sério, o Benfica é uma equipa de Sacchi. A melhor organização defensiva na Europa atualmente. Mas não é uma equipa defensiva, pelo contrário. A linha defensiva está muito subida e aperta-te sem parar. Não deixa espaços nas entrelinhas, não cabe nem um pelo entre os últimos sectores. E tem avançados rápidos e miúdos jovens, como o Renato... Aqui na Alemanha não se vê a Liga portuguesa, nem em Espanha nem em Inglaterra, por isso ninguém dá valor ao Benfica, mas digo-te que é digno de Sacchi.”

Os elogios de Pep Guardiola ao Benfica antes dos quartos de final da Liga dos Campeões da época passada (1-0 em Munique, 2-2 em Lisboa) só tiveram eco publicamente meses mais tarde, quando foi lançado o livro “A Metamorfose”, do jornalista Marti Perarnau, que seguiu Guardiola em Munique, mas daí se retira uma coisa — aliás, duas — que é/são certas: o ex-treinador do Bayern teve de se aplicar a fundo para criar uma estratégia para superar a defesa do Benfica (viu 10 jogos do Benfica em doze dias, de acordo com o mesmo livro) e é provável que vá ser uma grande ajuda para o treinador do Dortmund, Thomas Tuchel, que volta a visitar Lisboa (venceu em Alvalade, por 2-1, em outubro) esta semana.

É que, apesar de terem sido rivais, Guardiola e Tuchel são compinchas à mesa, entre cervejas. Sem azias à mistura — nem mesmo quando Tuchel perdeu por 5-1 no Allianz Arena (está tudo no tal livro):

— Como está a tua semana? Jantamos?

— Sim, claro. Liga-me e combinamos.

A cena entre dois dos melhores treinadores da atualidade já era habitual há meses, desde que Tuchel saiu do Mainz — porque quis —, em 2013/14, e passou um ano sabático, tal como Guardiola já tinha feito..., a refletir e a aprender. Numa sala de aula ou num relvado? Nem num nem noutro. Num bar chamado Schumann’s, perto do Hofgarten. Com quem? Guardiola, pois claro. Foi aí, entre cervejas e saleiros utilizados como jogadores sobre uma mesa que servia de quadro tático, que ambos protagonizaram longos debates sobre o jogo, em encontros que ficaram conhecidos localmente como “as batalhas de Schumann’s”.

O (quase) sucessor de Guardiola

Antes de Guardiola abandonar o Bayern, a comunicação social revelou que o treinador sugeriu o nome de Tuchel para seu sucessor e não é difícil perceber as semelhanças entre ambos: fãs do chamado jogo de posição (mais conhecido entre os adeptos como “tiki taka”) e de guardar a bola para mandar na partida, gostam mais de atacar do que de defender. Como diz Tuchel: “Ninguém vai aos jogos ver um 1-0. As pessoas pagam bilhete para ver golos. O que é mais natural? O que fazem os jogadores quando acabam o treino: querem é ir rematar à baliza.”

Terça-feira não há que enganar: o Borussia vai tentar rematar muito, mandando no jogo. Sair a jogar desde a área e ir tocando a bola a alta velocidade, mudando os ritmos (passes curtos e longos), para os espaços certos para desposicionar os adversários, utilizando também para isso a mobilidade dos jogadores — é uma espécie de futebol total 2.0. Isto porque Tuchel, tal como Guardiola, é um criativo e um inovador (apesar da licenciatura em economia, explica o próprio: “Isso foi só para a minha mãe dormir mais descansada)”.

É claro que atacar muito também pode ter um reverso: ficar vulnerável quando se perde a bola, se não se está bem posicionado. É por isso que o Dortmund — 4º da Bundesliga, a 12 pontos do líder Bayern — é a equipa com mais golos sofridos dos primeiros da tabela (21) — bem mais do que o Benfica (12). Deverá ser por aí que a equipa de Rui Vitória tentará surpreender os alemães, cuja estrutura é sempre uma incógnita, porque começou como 4-1-4-1, mas o sistema preferido de Tuchel é um 3-1-2-4 — “o futuro”, diz ele.

As constantes são Julian Weigl, o trinco de 21 anos que manda no jogo (fê-lo impecavelmente em Alvalade), e o velocíssimo Aubameyang, que já tem 21 golos em 25 jogos. E ainda há Raphaël Guerreiro, que passou de lateral a médio interior. “É demasiado bom para uma só posição”, explicou Tuchel. Para perceber melhor, é só convidá-lo para uma mini algures em Benfica.

Texto publicado na edição de 11 de fevereiro de 2017 do Expresso

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