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Como se diz Leicester em espanhol? Atlético de Madrid

Tal como na época passada, o Atlético de Madrid está nas meias-finais da Liga dos Campeões - depois de ter empatado com o Leicester em Inglaterra (1-1)

Mariana Cabral

Richard Heathcote

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Nos últimos três anos, o Atlético de Madrid eliminou as seguintes equipas da Liga dos Campeões: Bayern de Munique, Barcelona (duas vezes), Chelsea, AC Milan, Bayer Leverkusen (duas vezes) e PSV. Ah, e chegou à final da prova por duas vezes.

Ao pé disto, o que é o 12º classificado da Liga inglesa?

Sim, o conto de fadas do Leicester foi belíssimo (e até se prolongou com a eliminação do Sevilha nos oitavos de final da Liga dos Campeões deste ano), mas antes de haver ingleses a dizer "fairy tale" já havia espanhóis a dizer... "Atlético de Madrid".

É que estes tipos liderados por Diego Simeone podem ser, muitas vezes, feios, porcos e maus naquilo que jogam, mas a verdade é que obtêm resultados impressionantes - como os descritos no primeiro parágrafo deste texto e como aquela Liga espanhola conquistada em 2013/14, na última jornada, perante o Barcelona, em Camp Nou (e, em geral, perante o outro colosso espanhol, o Real Madrid).

Daí que, antes de haver Leicester, já houvesse Atlético de Madrid, com uma (enorme) diferença de estabilidade chamada Diego Simeone, no clube desde 2011/12 - bem ao contrário dos ingleses, que despacharam Ranieri à primeira tremidela (alô, futebol português, és tu?)

BEN STANSALL/GETTY

Em condições normais, chegar ao campo do adversário para disputar a 2ª mão dos quartos de final da Liga dos Campeões com uma vitória de 1-0 no bolso não é lá grande tónico de confiança, mas, no caso do Atlético, pouco havia a temer. Pouco, além de Vardy, que, como disse Diego Godín antes do jogo, teria lugar "na maioria das equipas do mundo".

Foi precisamente o veloz internacional inglês que marcou o golo do Leicester, aos 61', mas Vardy raramente teve o espaço na profundidade das costas da defesa adversária que precisa para se destacar (Slimani estava lesionado) e o Atlético de Madrid nunca esteve verdadeiramente desconfortável no King Power Stadium.

Não só porque está habituado a (manter) vantagens magras - na época passada, ganhou em casa por 1-0 ao Bayern de Munique e, na Alemanha, aguentou o massacre adversário, apesar de perder por 2-1 -, mas porque já tinha conseguido, aos 26', o golo que vale por dois, marcado por Saúl.

Ao intervalo, Craig Shakespeare fez entrar Leonardo Ulloa e Ben Chilwell para os lugares de Yohan Benalouane e Shinji Okazaki e mudou o sistema para um 3-4-3, o que aumentou o volume ofensivo dos ingleses - só que quantidade não é qualidade, ainda que a segunda metade tenha sido melhor do que a primeira.

Apesar de ainda ter rondado várias vezes a baliza de Oblak depois de marcar, o Leicester nunca pareceu capaz de marcar mais dois golos ao Atlético e os espanhóis foram descansados para as meias-finais da Liga dos Campeões. Mais uma vez. Cuento de hadas. Atlético de Madrid.

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