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Liga dos Campeões

De zero em zero até à passagem final

Num jogo sem golos, a Juventus aproveitou a vantagem trazida da primeira mão para selar com tranquilidade a passagem às meias finais da Liga dos Campeões

Tiago Oliveira

Sergio Perez / Reuters

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Remuntar e catenaccio. Ataque e defesa. Catalão e italiano. Barcelona e Juventus. Acho que já perceberam a ideia. Dois representantes de conceitos clássicos do futebol encontravam-se hoje em Camp Nou num confronto de ideias e história. Perante a avalanche ofensiva prometida, a habitual sobriedade de uma das melhores defesas do futebol europeu. Quem triunfaria? A vitória nos estilos divergentes e o apuramento para as meias finais da Liga dos Campeões ficou para os italianos, enquanto o resultado não saiu do 0-0.

A vitória da Juventus por 3-0 no jogo da primeira mão destes quartos colocava toda a pressão sobre os catalães, que se viam obrigados a partir desde cedo atrás do prejuízo para ainda almejarem uma hipótese de passagem. Mas se há equipa com créditos neste campo são os blaugrana, sobretudo depois da épica reviravolta que conseguiram na anterior ronda da competição, em que viraram uma derrota de 4-0 para um triunfo em agregado de 6-5. Sonhar não paga imposto, já diz o velho ditado.

“Não saiam depois dos 80”, apelou Luís Henrique aos adeptos na conferência de antevisão, fazendo eco da vontade em não desistir até final. Mas a tarefa já se previa complicada. Do outro lado estava uma equipa vinda de cinco vitórias consecutivas e que na Liga dos Campeões não sofria golos há 360 minutos. Com uma das defesas mais experimentadas em prova, e um ataque capaz de fazer estragos a qualquer instante, a turma de Massimiliano Allegri parecia respirar saúde bem como pouca preocupação em ser mais encostada pelo Barcelona. E assim aconteceu.

Num jogo onde a Juventus começou sem alterações quanto ao jogo da primeira mão e o Barcelona lançou Busquets e Jordi Alba, as grandes oportunidades de golo escassearam e o domínio desde cedo pertenceu aos catalães. Este pareceu sempre algo consentido pela “velha senhora” e até pertenceu aos italianos a primeira (semi) situação de perigo, com Higuaín a rematar por cima aos 13 minutos.

Sem fazer história

O trio MSN – Messi, Suaréz e Neymar – bem tentava destabilizar a Juventus com as suas habituais corridas e trocas de posição, mas com pouco sucesso. Exceção para um remate de fora da área do pequeno mago argentino que, aos 31 minutos, obrigou o veterano Buffon a defender de recurso para a frente, com a recarga a sair por cima. Até final da primeira parte, a toada não se alterou e foi com naturalidade que as equipas voltaram aos balneários com o resultado sem alterações.

Na segunda parte, quem tinha esperanças de ver um jogo diferente cedo as perdeu, perante o que se via em campo, em tudo semelhante ao registado nos primeiros 45 minutos. Mais uma vez, coube à Juventus a primeira oportunidade, com Cuadrado a rematar ao lado aos 50 minuyos. Com um Suaréz desinspirado e um Neymar pouco acutilante na decisão, cabia a Messi (tentar) assumir o jogo e o argentino bem tentou, sempre disponível para os companheiros.

A noite também não era dele e, já depois de Luís Henrique ter tirado um médio para meter o avançado Paco Alcácer, caber-lhe-ia a grande oportunidade colocar alguma emoção na eliminatória. Após um erro pouco característico de Buffon, Suarez puxou para Messi que, com a baliza à sua mercê, atirou por cima. Ainda não seria desta que o argentino marcaria ao golo ao italiano, algo que nunca conseguiu. Com o avançar dos minutos, o jogo parecia cada vez mais decidido e assim se confirmou. Ainda houve espaço para os olés dos italianos que se deslocaram a Camp Nou, mas os blaugrana despediram-se da Liga dos Campeões com aplausos para o esforço da equipa.

No final, 0-0 e passagem para a Juventus que assim vingou a derrota contra o Barcelona na final da Champions de há dois anos. Resta saber quem agora lhe calha nas meias-finais. Poderá ser o Real Madrid, que agora está nos radares já para o próximo fim de semana. Falhada a “remuntada”, espaço para “El Clássico.”