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O guia para Benfica, FC Porto e Sporting vencerem na Liga dos Campeões

Como hoje é o dia porque toda a gente espera, reapresentamos um texto escrito por Rui Malheiro sobre as hipóteses dos clubes portugueses na Liga dos Campeões. Recorde-o, porque aprender é viver

Rui Malheiro

Esta é a taça que todos querem - e que na época passada foi do Real Madrid

SEBASTIEN NOGIER/epa

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Grupo A

Entrar com contundência na fase de grupos da Liga dos Campeões, aproveitando, ainda no mês de setembro, a receção ao CSKA Moscovo e a deslocação a Basileia para afiançar dois triunfos, será crucial para o Benfica dar um passo decisivo para caucionar a qualificação para a fase a eliminar da competição, objetivo que se afigura como obrigatório.

Isto porque num grupo onde o Manchester United assume favoritismo, o Benfica arroga o papel de principal candidato a acompanhar os 'red devils' na passagem à fase seguinte, já que apresenta mais-valias individuais francamente superiores aos rivais suíços e russos – duas equipas que se apresentam com estruturas com três defesas-centrais –, aspeto que tem sido determinante para fazer o coletivo cintilar.

A 18 de outubro, 6238 dias depois de ter iniciado a sua carreira como treinador principal no Benfica, Mourinho regressa à Luz, acompanhado por Matic e Lindelöf, jogadores que as águias projetaram para os maiores palcos do futebol europeu.

Manchester United

O exercício de estreia de José Mourinho como treinador do Manchester United ficou marcado pela conquista da Liga Europa, numa verdadeira lição de estratégia ante o poético Ajax de Peter Bosz. Com isso, os 'red devils' garantiram a conquista de mais um troféu, juntando-o aos triunfos na Supertaça e na Taça da Liga, e alcançaram o apuramento para a Liga dos Campeões, subtraindo as marcas de um campeonato pouco conseguido devido ao elevado número de empates (15 em 38 jogos), o que atirou a equipa para um 6.º lugar final abaixo das expetativas.

José Mourinho vai regressar ao Estádiode Luz - mas não precisa de ir "incógnito", como foi ver o Manchester City

José Mourinho vai regressar ao Estádiode Luz - mas não precisa de ir "incógnito", como foi ver o Manchester City

Foto Phil Noble/Reuters

Sagaz na abordagem à nova temporada, Mourinho libertou Rooney, cada vez mais com um desaprazível papel secundário, e compreendeu a necessidade de reforçar a equipa de forma cirúrgica. Assim, apostou todas as suas fichas, bem patentes no impressionante investimento de 164,4 milhões de euros, em três jogadores para robustecer a coluna vertebral da equipa: o defesa-central Lindelöf, contratado ao Benfica, ainda a sentir algumas dificuldades de adaptação a uma nova realidade competitiva; o médio-centro Matic, outro antigo jogador dos encarnados com quem Mourinho se cruzou no Chelsea, clube pelo qual o sérvio se sagrou campeão inglês em 2016/17; e o avançado-centro Lukaku, internacional belga contratado ao Everton, onde apontou 26 tentos em 39 partidas na última época, a quem se juntará o superlativo Ibrahimovic, ainda a recuperar de uma lesão gravíssima, protagonista de um dos casos mais insólitos do defeso ao ser dispensado e (re)contratado.

Após a derrota ante o Real Madrid na final da Supertaça europeia, o único troféu que escapa à impressionante galeria de 25 conquistas do melhor treinador português de todos os tempos, o Manchester United arrancou a Premier League com dois triunfos pungentes ante West Ham (4-0, casa) e Swansea (4-0, fora), recuperando o 1x4x2x3x1 como estrutura. A conquista do campeonato, após cinco temporadas de jejum, será o principal objetivo para 2017/18, o que não significará uma abordagem inerte à competição europeia. Com uma dimensão física retumbante e uma agressividade ímpar nas ações de pressão e de reação à perda da bola, o Manchester United promete ser um impressionante carro de assalto à profundidade, exibindo grande conforto e sagacidade na exploração de contra-ataques e ataques rápidos, adindo incisividade nos lances de bola parada ofensivos.

Equipa-tipo (1x4x2x3x1): De Gea – Valencia, Bailly, Phil Jones, Blind – Pogba, Matic – Mata, Mkhitaryan, Rashford – Lukaku

Basileia

Octacampeão suíço de forma consecutiva, o Basileia ataca o novo exercício com a obrigatoriedade de conservar a ditadura interna, o que será contrariado por Young Boys – derrotou os bebbi, na jornada inaugural do campeonato, por 2-0 – e FC Zurique, e procurar chegar aos oitavos da Liga dos Campeões, algo que só abichou em duas das sete anteriores participações na fase de grupos da principal competição da UEFA, a última das quais em 2014/15, sob o comando técnico do português Paulo Sousa.

Raphaël Wicky, antigo médio internacional suíço com passagens por Werder Bremen, Atlético Madrid e Hamburgo, foi o escolhido para assumir a sucessão de Urs Fischer. Uma aposta de algum risco, dada a sua inexperiência como treinador no futebol profissional, já que apenas orientou a formação secundária e de juniores do Basileia. Apesar de ter mantido a espinha-dorsal do plantel anterior, com a exceção do emprestado Doumbia, melhor marcador do último campeonato, transferido para o Sporting via Roma, Wicky promoveu uma rutura com a organização estrutural em 1x4x2x3x1 do seu antecessor, apostando no 1x3x5x2, onde é visível a busca incessante do jogo exterior, tirando partido da projeção ofensiva dos volantes-laterais Steffen – mais incisivo – e Lang, e da busca de cruzamentos para a área, onde o antigo leão Ricky van Wolfswinkel, o grande reforço para 2017/18 (contratado por 3,5 milhões de euros ao Vitesse), surge como principal referência.

O sorteio da Liga dos Campeões realizou-se na quinta-feira à tarde

O sorteio da Liga dos Campeões realizou-se na quinta-feira à tarde

Foto Phil Noble/Reuters

Contudo, na dimensão Liga dos Campeões admite-se que a equipa baixe as suas linhas e aposte na exploração de contra-ataques e ataques rápidos, tirando partido da velocidade e da mobilidade de Oberlin, Bua ou Elyounoussi, até porque o guarda-redes Vaclík é extremamente incisivo nos lançamentos manuais longos. Para já, até face à alteração estrutural, são notórias debilidades no processo defensivo, principalmente no momento de transição, onde a equipa se desequilibra com alguma facilidade, mas também em organização, até porque o setor defensivo demonstra arduidades na definição da última linha e no controlo da profundidade.

Equipa-tipo (1x3x5x2): Vaclík – Akanji, Suchy, Balanta – Lang, Xhaka (Serey Dié), Zuffi, Elyonoussi, Steffen – Van Wolfswinkel, Oberlin (Bua)

CSKA Moscovo

Pentacampeão bielorrusso – e responsável por três históricos apuramentos para a fase de grupos da Liga dos Campeões – pelo BATE Borisov, Victor Goncharenko, treinador de 40 anos, é conhecido no seu País por “Mourinho”. As portas do futebol russo, através de Kuban Krasnodar e Ural, abriram-se-lhe, mas o insucesso levou-o a aceitar, em 2015/16, o papel de adjunto de Leonid Slutski no CSKA, coadjuvando-o na conquista do título nacional em 2015/16.

Após uma curta passagem pelo Ufa, regressou, em dezembro de 2016, aos koni, desta vez para assumir o comando da equipa principal, encetando uma excelente recuperação na tabela classificativa – 9 vitórias e 3 empates em 13 jogos – que permitiu filar o vice-campeonato a sete pontos do campeão Spartak. A abordagem ao novo exercício, onde a reconquista do título russo se assume como prioridade, encetou com o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, deixando pelo caminho os vice-campeões grego – AEK – e suíço – Young Boys – com 4 triunfos em 4 jogos.

A aposta na continuidade, visível na inexistência de reforços, é evidente, o que reduz o núcleo-duro do plantel a 15-16 jogadores, até porque Tosic e Eremenko foram dispensados, o que poderá dificultar a missão de Goncharenko na gestão de duas partidas por semana. Até porque é notório o contraste entre a experiência e veterania do setor defensivo, onde ainda constam o guarda-redes Akinfeev (31 anos) e os defesas-centrais Vasili Berezutski (35 anos), Aleksey Berezutski (35 anos) e Ignashevish (38 anos), com a juventude e irreverência do setor ofensivo, onde Vitinho (23 anos), Chalov (19 anos) e Olanare (23 anos) surgem como principais protagonistas, suportados pelos dois jogadores de mais qualidade do plantel – Golovin e Dzagoev, determinantes também na Seleção que irá receber o Mundial’2018 – e por dois volantes-laterais incisivos no ataque à profundidade: Mário Fernandes, brasileiro naturalizado russo, e Schennikov, protagonista de um ótimo arranque de temporada com 3 golos em 9 jogos oficiais.

Fiel a uma organização estrutural em 1x3x5x2, o CSKA é capaz de assumir um papel dominador dentro de portas, alternando a projeção pelo espaço interior, onde Golovin e Dzagoev assumem um papel determinante em ações de construção, de condução e de desequilíbrios, com a busca do jogo exterior, buscando Mário Fernandes e Schennikov, o perfil europeu dos moscovitas poderá conduzir a uma postura mais cínica, onde a exploração de contra-ataques e ataques rápidos se tornará preponderante, beneficiando da mobilidade e da velocidade das unidades mais adiantadas. Contudo, as debilidades do setor defensivo em velocidade e agilidade são mais do que evidentes, mesmo quando a equipa se apresenta com um bloco mais baixo, assim como os problemas no controlo do espaço entre a linha defensiva e intermediária, e entre defesas-centrais e volantes-laterais.

Equipa-tipo (1x3x5x2): Akinfeev – Vasin, Vasili Berezutski, Aleksey Berezutski – Mário Fernandes, Golovin, Wernbloom, Dzagoev (Natcho), Schennikov – Vitinho (Dzagoev), Chalov.

Grupo D

O apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, quando Juventus e Barcelona são adversários de grupo, é uma tarefa hercúlea para o Sporting. É que pela frente terá o hexacampeão italiano e finalista vencido da principal competição da UEFA em 2016/17, como também um Barcelona, vencedor da Taça de Espanha e vice-campeão espanhol (a apenas três pontos do Real Madrid), que, mesmo não tendo começado bem a temporada (dupla derrota diante do Real Madrid na Supertaça espanhola), prepara-se para investir mais de 200 milhões de euros na aquisição de dois reforços de peso – Dembélé e Coutinho são os alvos – que supram a saída multimilionária de Neymar para o Paris Saint-Germain.

A estreia com uma deslocação ao terreno do heptacampeão grego Olympiacos, num confronto que se antevê titânico, pode ser decisivo em dois sentidos. O primeiro, de longe o mais importante, é dar um passo determinante para afiançar o 3.º lugar, garantindo um posicionamento que coloque os leões na rota da fase a eliminar da Liga Europa, evitando a eliminação precoce das competições europeias como aconteceu no exercício anterior. Algo que deverá ser visto como o objetivo (real) para a formação comandada por Jorge Jesus. O segundo é conseguir colocar alguma pressão sobre os colossos catalão e italiano, que se digladiam, a 12 de setembro, em Barcelona, sendo certo que pelo menos um perderá pontos.

Lionel Messi vai estar em Alvalade (se entretanto não for para o Manchester City...)

Lionel Messi vai estar em Alvalade (se entretanto não for para o Manchester City...)

Foto Phil Noble/Reuters

Juventus

Protagonista de uma época quase perfeita em 2016/17, ao afiançar, pelo sexto exercício consecutivo, a conquista do campeonato, apesar das complexidades impostas por Roma e Nápoles, e o triunfo na Taça, depois de bater a Lazio (2-0) na final, só faltou aos comandados de Massimiliano Allegri juntarem a glória europeia. Algo que esteve próximo de acontecer, graças a uma consistência defensiva esdrúxula, a que se juntava uma tremenda contundência ofensiva, fruto da sagacidade em alternar contragolpes veementes com perspicácia a adormecer o jogo com bola. É que depois de um comportamento notável na fase de grupos – 4 vitórias, 2 empates e 2 golos sofridos – ante Sevilha, Lyon e Dínamo Zagreb, a Juventus prosseguiu um percurso imaculado nas eliminatórias – 5 vitórias, 1 empate e apenas 1 golo sofrido – ante FC Porto, Barcelona e Mónaco, até cair com estrondo aos pés do Real Madrid (1-4) na grande final disputada em Cardiff.

A conquista de um histórico heptacampeonato consecutivo, num exercício em que AC Milan e Inter Milão protagonizaram um violento ataque ao mercado em busca do esplendor perdido, e a vontade indómita em voltar a triunfar na Europa – o último triunfo na Liga dos Campeões foi em 1995/96, e nas últimas três épocas perdeu duas finais europeias – levaram Allegri, contra as expetativas, a prolongar o seu vínculo contratual com a velha Senhora.

Façam uma vénia: Messi, Buffon e Ronaldo

Façam uma vénia: Messi, Buffon e Ronaldo

Foto Phil Noble/Reuters

As perdas do nuclear Bonucci (AC Milan) e de Daniel Alves (PSG) podem afetar a consistência superlativa do processo defensivo, algo que ficou bem patente na derrota na Supertaça ante a Lazio (2-3), sendo certo que um novo lateral-direito deverá chegar até ao fecho do mercado. No entanto, Allegri dispõe de mais soluções no meio-campo e no ataque, algo que fica atestado nas aquisições de Matuidi, incansável recuperador de bolas, e Bernardeschi, figura de proa da Fiorentina capaz de desempenhar as três posições de apoio ao avançado, às quais se junta o sagaz empréstimo do brasileiro Douglas Costa, oriundo do Bayern de Munique, desequilibrador tremendo e incisivo a perscrutar diagonais, com grande espontaneidade no drible, nos cruzamentos e no remate.

Equipa-tipo (1x4x2x3x1): Buffon – Lichtsteiner, Rugani (Barzagli/Benatia), Chiellini, Alex Sandro – Pjanic, Matuidi (Khedira) – Douglas Costa (Cuadrado), Dybala, Mandzukic - Higuaín.

Barcelona

A anunciada saída de Luis Enrique confirmou-se, mas a escolha do sucessor esteve longe de ser pacífica. Ernesto Valverde, antigo treinador de Athletic, Valencia, Olympiacos, Villarreal e Espanyol, foi a opção do presidente Josep Maria Bartomeu, mas não reuniu consenso. As dúvidas, agudizadas pela dupla derrota ante o Real Madrid na final da Supertaça espanhola, em que os culés deixaram de ser os donos da bola, e pela aquisição do médio brasileiro Paulinho, pouco relacionado com o ideário Barça, têm-se agudizado.

Contudo, as notícias de uma crise profunda parecem exageradas, e refletem, acima de tudo, o trajeto glorioso recente do arquirrival Real Madrid. Mesmo que a ideia de jogo mais entusiasmante do novo século se vá dissipando em memória, num processo que se torna mais doloroso quando a premissa do bom futebol é crucial, o impetuoso ataque ao mercado para assegurar os sucessores de Neymar, que deverá conduzir Dembélé e Coutinho a Camp Nou, prometem manter os blaugrana na corrida pelo título espanhol e pelo triunfo na Liga dos Campeões.

Até porque Messi, na antecâmara do Mundial’2018, provavelmente a sua última hipótese de ser protagonista numa grande competição internacional de seleções, promete continuar num registo acima do superlativo. Apesar da experiência em 1x3x5x2 na segunda mão da Supertaça espanhola, o 1x4x3x3 deverá continuar a ser a organização estrutural preferencial para Ernesto Valverde. Até porque o músculo não se conseguirá impor ao cérebro.

Sim, é novamente Messi, porque o que é bom merece ser visto várias vezes City

Sim, é novamente Messi, porque o que é bom merece ser visto várias vezes City

Foto Phil Noble/Reuters

Equipa-tipo (1x4x3x3): Ter Stegen – Nelson Semedo, Piqué (Mascherano), Umtiti, Jordi Alba – Busquets – Rakitic, Iniesta (Paulinho) – Messi, Deulofeu – Luis Suárez.

Olympiacos

Depois de uma época atípica, em que teve quatro treinadores (o português Paulo Bento foi o segundo, após o espanhol Victor Sánchez ter falhado o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, e o que mais tempo esteve em funções), concluída com o habitual título de campeão – o 19.º nas últimas 21 edições da Superliga grega –, o Olympiacos falhou o seu alvo (o português Pedro Martins) para assumir o comando técnico da lenda de Piréu. O albanês Besnik Hasi, prematuramente despedido do Legia Varsóvia no exercício anterior, foi a escolha para assumir a sucessão de Takis Lemonis, garantindo, depois de eliminar os sérvios do Partizan e os croatas do Rijeka, a 18.ª presença do emblema grego na fase de grupos da principal competição de clubes da UEFA, o primeiro objetivo para a temporada.

Habitualmente fiel ao 1x4x2x3x1, Hasi, técnico que guiou o Anderlecht à conquista do título belga em 2013/14, conta com a base do plantel anterior, robustecida por um ataque forte ao mercado, bem patente num investimento de 13,3 milhões de euros em reforços. Assim, chegaram Odjidja-Ofoe (médio-centro belga, ex-Legia), Carcela (extremo belga, ex-Granada e antigo jogador do Benfica), Emenike (avançado nigeriano, ex-Fenerbahçe), Vukovic (defesa-central sérvio, ex-Konyaspor), Milic (lateral-esquerdo crota, ex-Fiorentina), Gillet (médio-centro belga, ex-Nantes), Tachtsidis (médio-centro grego, ex-Torino) e Koutris (lateral-esquerdo grego, ex-Giannina), jogadores experientes que garantem a construção de um plantel mais forte do que o anterior.

Habituado a um papel dominador dentro de portas, em que passa grande parte das partidas em ataque posicional, o Olympiacos deverá apresentar-se numa versão mais cínica na Europa. Para isso, conta com a qualidade de passe e leitura de jogo de Odjidja-Ofoe, Fortounis e André Martins – que se reencontrará com o Sporting, clube ao qual esteve vinculado durante 14 temporadas –, fundamentais para indagarem a velocidade e criatividade de Marko Marin, Carcela, Pardo ou Sebá, tremendos na exploração de contragolpes, assim como a pungência de El Fardou Ben e Emenike, as habituais referências ofensivas, no ataque à profundidade. A principal arduidade dos gregos passa pela consistência do seu processo defensivo, tanto em transição como em organização, aspeto que o Sporting poderá explorar exaustivamente, a 12 de setembro, quando se deslocar ao Georgios Karaiskakis Stadium.

Equipa-tipo (1x4x2x3x1): Kapino – Elabdellaoui (Diogo Figueiras), Retsos, Vukovic, Koutris (Milic) – Odjidja-Ofoe (Gillet), Romao – Carcela, Fortounis (Marko Marin), Marko Marin (Sebá) – El Fardou Ben (Emenike).

Grupo G

Eis todos os grupos sorteados

Eis todos os grupos sorteados

Foto Phil Noble/Reuters

Desenhado para ser contundente a nível interno, de forma a quebrar com um inédito jejum de quatro anos sem títulos na era Pinto da Costa, o FC Porto enfrentará um grupo aberto na Liga dos Campeões, onde qualquer desfecho, face ao equilíbrio entre os contendores, pode ser expetável. Nada que esmoreça o anseio dos comandados de Sérgio Conceição em atingir os oitavos-de-final na sua vigésima-segunda participação (algo só ao alcance de Real Madrid e Barcelona) na competição, meta partilhada com o cabeça-de-série Mónaco, campeão francês e semifinalista em 2016/17, a sofrer um processo de remodelação profunda face às partidas de Mendy (Manchester City), Bernardo Silva (Manchester City) e Bakayoko (Chelsea), às quais ainda se podem juntar, até 31 de agosto, as de Mbappé e Lemar, o que poderá conduzir a um transcendente encaixe financeiro a rondar as três centenas de milhões de euros.

Um triunfo na partida de estreia ante o Besiktas (à partida, o adversário mais acessível), com o Dragão a servir como anfiteatro aos regressos de Quaresma e Pepe à cidade invicta, assume-se como crucial para os dragões se posicionarem na dianteira da corrida, sobretudo quando se seguirão árduas deslocações ao terreno de Mónaco e Red Bull Leipzig, o vice-campeão da última Bundesliga e maior fava do pote 4, já que, apesar da inexperiência a nível internacional, apresenta argumentos para lutar pela qualificação para a próxima fase.

AS Monaco

Leonardo Jardim lidera o Mónaco, campeão francês

Leonardo Jardim lidera o Mónaco, campeão francês

Foto Robert Pratta/Reuters

Depois de uma época de sonho, concluída com o triunfo no campeonato francês, que escapava desde 1999/00, e com a chegada às meias-finais da Liga dos Campeões, onde, depois de ter eliminado – com exibições soberbas – o Borussia Dortmund e o Manchester City, não resistiu ao poderio da Juventus, seria mais fácil para Leonardo Jardim encerrar um ciclo e rumar a novas paragens, já que Itália, Inglaterra e Rússia surgiram na sua rota. As saídas do lateral-esquerdo Mendy e do médio-ala/médio-ofensivo Bernardo Silva para o Manchester City, a que se junta a partida de Bakayoko para o Chelsea, permitiram um sumptuoso encaixe de 147,5 milhões de euros, mas obrigam o treinador português a um trabalho de reedificação profunda do seu onze-base, que poderá ainda agravar-se com as partidas do magnífico Mbappé – que tem vindo a forçar a saída –, de Lemar ou Sidibé, jogadores com muito pretendentes.

A aposta num incisivo trabalho de prospeção mantém-se, o que fica atestado nas aquisições do médio-centro belga Tielemans, do lateral-esquerdo (ou defesa-central) holandês Kongolo, do avançado Diakhaby (Rennes), do médio-centro Meïté (Zulte-Waregem), e do promissor extremo Mboula (Barcelona B), aos quais se juntam o guarda-redes Diego Benaglio (Wolfsburgo) e o médio-ala Ghezzal (Lyon), em fim de contrato com os seus anteriores clubes. Apesar do ótimo arranque de campeonato, com três vitórias nos três primeiros jogos, parece ser difícil que os monegascos mantenham os dois traços principais do seu futebol na temporada anterior: uma tremenda consistência defensiva, tanto nos momentos de organização como de transição, e uma sublime ferocidade no assalto à baliza adversária, bem atestada nos 107 golos apontados em 38 partidas na Ligue 1 em 2016/17. Mas só após o fecho do mercado, com a certeza sobre as perdas e os ganhos, Jardim poderá saber com o que contar para fazer crescer o seu ideário, sendo certo que os golos de Falcao, que juntamente com João Moutinho se reencontrará com o FC Porto, serão uma feliz inevitabilidade.

Equipa-tipo (1x4x4x2): Subasic – Sidibé, Glik, Jemerson, Jorge (Kongolo) – Rony Lopes (Ghezzal), João Moutinho (Tielemans), Fabinho, Lemar – Falcao, Mbappé (Diakhaby).

Besiktas

Ricardo Quaresma é a grande estrela do Besiktas - e vai regressar ao Dragão, onde foi muito feliz, segundo o próprio

Ricardo Quaresma é a grande estrela do Besiktas - e vai regressar ao Dragão, onde foi muito feliz, segundo o próprio

Foto Osman Orsal/Reuters

Bicampeão turco sob o comando técnico do veterano Senol Günes, responsável pelo sensacional 3.º lugar da seleção turca no Mundial’2002, o Besiktas tem vindo a revelar-se tremendo a nível interno, impondo-se aos arquirrivais Galatasaray e Fenerbahçe. Contudo, quando é obrigado a transitar para a realidade europeia tem sentido dificuldades, já que o ideário de elevada vocação ofensiva perfilhado pelo seu treinador desfralda amplas debilidades no processo defensivo: em organização, mas sobretudo em transição, já que a equipa se parte em dois com extrema facilidade.

Por isso mesmo, na abordagem ao mercado, Günes preocupou-se em afiançar a aquisição de um patrão para o setor defensivo – o português Pepe, em fim de contrato com o Real Madrid – e um médio-defensivo, também capaz de atuar como defesa-central, extremamente agressivo e pressionante – Pitbull Medel –, mas é difícil perspetivar uma postura mais cínica e expetante, quando Oguzhan Özyakup, Quaresma, Talisca, Babel (ou Lens, internacional holandês emprestado pelo Sunderlard) e Cenk Tosun (ou Negredo), jogadores com características marcadamente ofensivas, fazem parte do onze-base.

Capaz de alternar acometimentos pelo corredor central, apostando na posse e na progressão através de passes curtos e médios, com investidas contundentes pelos corredores laterais, muitas vezes lançadas por um dos defesas-centrais, onde buscam a criatividade dos extremos – Quaresma, o mais imprevisível e desequilibrador, à cabeça – e as investidas ofensivas dos laterais, o Besiktas vive muito do seu jogo exterior, de onde saem vários cruzamentos para a área, onde costumam aparecer, com frequência, 3-4 jogadores.

A saída de Aboubakar, autor de 19 golos em 38 jogos oficiais em 2016/17, constituiu uma baixa de peso, que Günes procurou compensar com a aquisição do espanhol Negredo, oriundo do Valencia, após um exercício emprestado ao Middlesbrough. Para já, Cenk Tosun, que na época passada foi muitas vezes utilizado como falso-extremo, tem ganho a corrida pelo lugar de referência ofensiva. Soma 2 golos e 1 assistência em 3 jogos oficiais, depois de ter apontado 24 tentos em 47 partidas no último exercício.

Equipa-tipo (1x4x2x3x1): Fabri – Beck, Pepe, Dusko Tosic, Çaner Erkin (Adriano) – Gary Medel (Hutchinson), Oguzhan Özyakup – Ricardo Quaresma, Talisca, Ryan Babel (Lens) – Cenk Tosun (Negredo).

Red Bull Leipzig

Fundado há pouco mais de oito anos, o Leipzig conseguiu, neste curto espaço temporal, saltar da quinta divisão, que venceu em 2009/10, até à qualificação direta para a Liga dos Campeões, onde chegou após um resplandecente exercício de estreia na divisão maior da Bundesliga, concluída num soberbo 2.º lugar a quinze pontos do campeão Bayern. A chave do sucesso está no protocolo estabelecido com o grupo Red Bull, mas sobretudo na sagacidade de Ralph Rangnick, o diretor-desportivo, que assumiu funções em 2012, com o clube no terceiro escalão. Responsável, como treinador, pelas promoções de Hoffenheim (2007/08) e Hannover (2001/02) à divisão principal, assim como pelas vitórias de Schalke 04 na Taça (2010/11) e na Supertaça (2011) alemãs, Rangnick dividiu-se entre Leipzig e Salzburgo (onde habita o outro clube europeu controlado pela Red Bull), e delineou um percurso de sucesso nos dois clubes.

Contudo, depois de fracassada a tentativa de subida do Leipzig à divisão maior em 2014/15, aceitou assumir o comando técnico da equipa, conseguindo a promoção através do 2.º lugar. Mas regressou às suas anteriores funções, agora alargadas ao projeto estado-unidense (New York Red Bulls), apontando o austríaco Ralph Hasenhütl, o treinador que colocou o Ingolstadt no mapa primodivisionário do futebol alemão, como seu sucessor.

Fiel a uma organização estrutural em 1x4x4x2 é evidente, a aposta numa ideia de jogo ofensiva, suportada por um futebol vertical, veloz e combinativo é evidente, mesmo que, em alguns momentos, possa parecer algo naïf e desequilibrado no momento de transição defensiva. Aspeto que poderá ser determinante, assim como a juventude do plantel, no primeiro contato com a grande competição europeia de clubes.

Sem perdas de vulto, com exceção do avançado Selke, habitualmente utilizado como jóquer ofensivo, transferido por 8 milhões de euros para o Hertha, o Red Bull Leipzig conseguiu afiançar a continuidade das suas principais pérolas, entre as quais se destacam Werner, Naby Keita, Sabitzer e Demme, e mostrou sagacidade no ataque ao mercado. O avançado francês Augustin, ex-Paris Saint-Germain, o extremo português Bruma, ex-Galatasaray, o médio-centro austríaco Leimer, ex-Red Bull Salzburgo, e o guardião suíço Mvogo, ex-Young Boys, vêm fortalecer a concorrência na equipa, mesmo que nenhum tenha garantida a entrada direta no onze, num investimento que atingiu os 37,5 milhões de euros. A este conjunto de reforços juntam-se ainda os jovens Köhn, guarda-redes desviado ao Estugarda, e o defesa-central francês Konaté, ex-Sochaux, que chegam em fim de contrato com os seus anteriores clubes.

Equipa-tipo (1x4x4x2): Galácsi – Klostermann, Orban, Upamecano, Halstenberg – Sabitzer, Naby Keïta, Demme (Laimer), Forsberg (Bruma) – Poulsen (Augustin), Werner.

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