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O que liga Vigo a Basileia? O Benfica

O Benfica deu um trambolhão gigantesco na Suíça e sofreu a pior derrota da sua história na Liga dos Campeões, ao ser goleado pelo Basileia (5-0)

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Grimaldo de pernas para o ar

FABRICE COFFRINI/GETTY

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Há uma razão para, nas mais variadas áreas, nos socorrermos das estatísticas. O que é quantificável é sempre mais fácil de analisar do que o que é qualificável e é por isso que, também no futebol, os números ajudam a perceber muitas coisas.

Esta noite, antes do início do Basileia-Benfica, a história dizia-nos isto:

- o Benfica nunca perdeu na Suíça (venceu um jogo e empatou dois);
- o Benfica nunca perdeu com o Basileia (venceu um jogo e empatou outro, em 2011/12);
- o Basileia não vencia na Liga dos Campeões há 11 jogos, desde novembro de 2014;
- geralmente, as equipas portuguesas têm bons resultados na Suíça: em 21 jogos, oito vitórias e cinco derrotas.

Interessante, certo? Certo.

Esta noite, no intervalo do Basileia-Benfica, os números diziam-nos isto:

- o Benfica tinha 70% de posse de bola;
- o Basileia tinha 30% de posse de bola;
- o Benfica tinha 0 remates à baliza do Basileia;
- o Basileia tinha 2 remates à baliza do Benfica;
- o Benfica tinha 0 golos marcados ao Basileia;
- o Basileia tinha 2 golos marcados ao Benfica.

Esta noite, no final do Basileia-Benfica, o resultado dizia-nos isto:

- 5 (c-i-n-c-o) - 0 (zero).

Os números são interessantes, mas, às vezes, não explicam o essencial: o Benfica está claramente mais fraco do que em épocas anteriores e, esta noite, mostrou toda a sua incapacidade (nem executantes - leia-se, jogadores - nem ideias - leia-se, do treinador) - mesmo perante uma equipa inferior.

FABRICE COFFRINI

Não foram sete golos sofridos, mas a humilhação foi praticamente a mesma daquela triste noite em Vigo, em 1999, quando o Benfica sofreu a pior derrota europeia da sua história, porque este Basileia pouco tem de colosso europeu (já nem sequer tem Shaqiri, Granit Xhaka ou Frei) e, ainda assim, conseguiu impor ao Benfica a sua pior derrota na Liga dos Campeões - e, por contraste, a maior vitória dos suíços na prova.

Foi um jogo para a história, mas, obviamente, por más razões: uma exibição paupérrima do Benfica, que demonstrou todas as fraquezas da equipa de Rui Vitória, que começou mal o jogo e nunca mais se endireitou.

Aos 2', o Benfica já estava a perder, depois de uma desconcentração defensiva que acabou num golo de Lang. Os erros defensivos foram, aliás, a norma para o Benfica neste jogo, demonstrando que, para mal dos adeptos, não houve substitutos à altura de Lindelof e Nélson Semedo.

É certo que, depois de sofrer, o Benfica pegou no jogo - note-se a tal percentagem elevadíssima de posse de bola -, mas nunca criou o que quer que fosse e, aos 20', sofreu o 2-0 que deixou os jogadores ainda mais abananados. Num canto para o Benfica, golo do Basileia. Leu bem: depois de um canto ofensivo para o Benfica, o Basileia recuperou a bola e Oberlin foi por ali fora sem que ninguém o travasse, até marcar o segundo golo do jogo.

Enquanto o Benfica parecia adormecido nas transições defensivas - pouco depois, o mesmo Oberlin voltou a criar perigo e a ultrapassar facilmente Luisão, que foi obrigado a fazer falta junto à área -, o Basileia aproveitava essas oportunidades para criar perigo, enquanto no restante tempo limitava-se a fechar os caminhos para a sua baliza. Só mesmo em cima do intervalo é que o Benfica conseguiu ter uma ocasião de golo, mas Jiménez rematou por cima, já dentro da área.

Se os adeptos provavelmente esperavam uma postura diferente na 2ª parte (já com Salvio em campo, por troca com Cervi), enganaram-se: o Benfica voltou a entrar apático e a permitir mais oportunidades flagrantes de golo para o Basileia. Aos 59', o árbitro entendeu que Fejsa derrubou Oberlin - sempre ele e a sua velocidade - na área do Benfica e foi um ex-sportinguista, Ricky Van Wolfswinkel, a fazer o 3-0.

A noite para o Benfica já estava tão cinzenta quanto os equipamentos que os jogadores envergavam, mas o descalabro ainda aumentou aos 62', quando André Almeida entrou a pés juntos sobre Petretta e acabou expulso, com um vermelho direto.

FABRICE COFFRINI

Não demorou muito para o Basileia voltar a marcar, depois de mais um erro infantil do Benfica: Pizzi colocou a bola nos pés de Oberlin, à entrada da área, e o avançado não teve dificuldades em ultrapassar Luisão e fazer o 4-0.

Os erros continuavam - o Basileia ainda enviou mais dois remates ao poste - e os benfiquistas já só pareciam pensar em voltar para Lisboa, mas os suíços ainda fizeram o 5-0 final, aos 77', por Riveros.

O Benfica (praticamente) diz adeus à Liga dos Campeões (no outro jogo, o Manchester United venceu o CSKA - que já tinha vencido o Benfica - por 4-1) e volta a mergulhar em depressão antes de um jogo complicado para a Liga, na Madeira, contra o Marítimo.