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Um relatório de jogo: os dados e as imagens que ajudam a explicar a humilhação do Benfica em Basileia

As estatísticas e posicionamentos fornecidos à Tribuna Expresso pela empresa InStat não explicam tudo, mas ajudam a identificar o que correu mal em Basileia

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FABRICE COFFRINI/GETTY

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Presidente, diretor, treinador, médico e jogadores - quando uma equipa perde (ou, neste caso, é goleada de forma surpreendente), todos levam com a fúria dos adeptos, que apontam dedos a quem consideram menos competente.

Mas, num jogo, há sempre dados que ajudam a explicar o que se passou - nas derrotas e nas vitórias. E, no Basileia-Benfica, há dados que explicam grande parte do descalabro vivido pela equipa de Rui Vitória, conforme a Tribuna Expresso teve oportunidade de analisar, ao aceder em exclusivo à InStat, plataforma de observação e análise de jogos, através de diversas estatísticas e vídeos.

Começando pelo princípio, que também foi o fim de tudo: o posicionamento médio dos jogadores de ambas as equipas (ou seja, a zona onde cada jogador passou mais tempo durante o jogo), que ajuda a perceber claramente como se posiciona uma equipa e de que forma é que ela se equilibra - ou, no caso do Benfica, se desequilibra.

Porque o Benfica teve sempre muita bola - e raramente soube o que fazer com ela -, mas foi essencialmente nos desequilíbrios defensivos que acabou por pecar.

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Como é claramente percetível na imagem, o Benfica raramente esteve equilibrado defensivamente. É certo que a equipa de Rui Vitória esteve praticamente toda a 1ª parte com bola no pé, o que leva ao maior adiantamento dos jogadores no campo, mas é visível um certo 'abandono' de Jardel (número 33) e Luisão (4) (basta comparar com a imagem ao lado, do Basileia), com o sector defensivo muito perto da linha de meio-campo.

Para jogar com a defesa tão subida no campo, é preciso que se cumpram, pelo menos, três pressupostos: centrais e laterais muito hábeis - e velozes - para controlar o espaço na profundidade, especialmente quando o portador da bola adversário está sem pressão e pode fazer um passe longo; guarda-redes muito veloz a identificar e a agir em conformidade quando há lançamentos para as costas da defesa (lembra-se das saídas rapidíssimas do veloz Ederson? Obviamente, Júlio César, aos 38 anos, não tem a mesma velocidade de deslocamento); e uma transição defensiva forte de toda a equipa (especialmente dos médios, com Fejsa e Pizzi aqui estranhamente a ocuparem praticamente o mesmo espaço, o que reduz a eficácia da transição), para não permitir ao adversário os tais lançamentos na profundidade.

Como foi possível ver logo no primeiro golo, estes pressupostos coletivos não foram cumpridos, havendo muita distância entre defesas e guarda-redes - e não há nos intervenientes suficiente valência individual para, às vezes, resolver problemas que o coletivo não resolveu adequadamente (por exemplo, a velocidade de deslocamento de Luisão, aos 36 anos, já não é muito elevada, sendo frequentemente ultrapassado).

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No segundo golo, novamente os mesmos problemas, ficando especialmente evidente a fraca transição defensiva neste jogo, uma vez que o Benfica perde a bola num canto ofensivo e permite, nessa mesma jogada, um golo adversário.

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Outro dado ajuda também a compreender essa transição menos forte: as faltas cometidas. É certo que não é necessário cometer sempre uma falta para travar um contra ataque adversário, mas esse é, muitas vezes, um recurso necessário para travar o adversário quando a própria equipa não está equilibrada em termos defensivos.

E, na 1ª parte em Basileia, o Benfica cometeu apenas três faltas: uma de Cervi (22), outra de André Almeida (34) e outra de Luisão (4) (quando foi ultrapassado precisamente numa transição, por Oberlin). Na 2ª parte, cometeu cinco - duas delas fatais: a de André Almeida, que provocou a expulsão direta do jogador, e a de Fejsa na área, que deu penálti para o Basileia.

Clique AQUI para ver a imagem em grande (os pontos pretos referem-se a faltas cometidas pelos jogadores do Benfica; os pontos mais transparentes referem-se a faltas sofridas pelos jogadores do Benfica)

Pelo contrário, o Basileia cometeu bem mais: sete na 1ª parte e sete na 2ª. Mais e... melhor, porque a maioria das faltas foram cometidas no meio-campo do Benfica, travando possíveis jogadas logo à nascença.

Clique AQUI para ver a imagem em grande (os pontos vermelhos referem-se a faltas cometidas pelos jogadores do Basileia; os pontos mais transparentes referem-se a faltas sofridas pelos jogadores do Basileia)

Se, defensivamente, estes foram os pontos mais fracos do Benfica, ofensivamente também há outras falhas identificáveis, especialmente a falta de objetividade.

O Benfica começou por ter muita posse de bola, sim, mas não sabia o que fazer com ela e, mesmo com (muito) menos bola na 1ª parte, o Basileia rematou bem mais vezes do que a equipa de Rui Vitória.

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