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Há surpresas que mais vale não fazer, Sérgio

Na 3ª jornada da Liga dos Campeões, o FC Porto foi derrotado (3-2) pelos alemães do RB Leipzig, que conseguiram a sua primeira vitória de sempre na prova

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Alex Telles com cara de poucos amigos depois do golo de Jean-Kevin Augustin

ROBERT MICHAEL/GETTY

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26 de setembro de 2017. O FC Porto jogava no Mónaco e, antes do jogo, Sérgio Conceição tirava um coelho da cartola: Sérgio Oliveira, o médio que ainda não tinha nenhum minuto pela equipa, era titular. No final, vitória do FC Porto por 3-0 e... uma bela surpresa por parte do treinador.

Foi por isso que, antes do jogo desta noite frente ao Leipzig, Sérgio Conceição fez questão de dizer isto, quando questionado pelos jornalistas: "Sou pago para meter a melhor equipa e não para fazer surpresas. Se calhar para muitos isso foi uma surpresa, porque não trabalham connosco no dia a dia, mas sei de que forma posso contar com os meus jogadores, que é a mil por cento, e isso dificulta-me ter de escolher só 11 para jogarem".

Sérgio Conceição pode não ser pago para fazer surpresas, mas a verdade é que as faz. E, esta noite, a titularidade de José Sá, em detrimento de Iker Casillas, foi, obviamente, uma surpresa, já que o internacional sub-21 português tinha sido titular na Taça de Portugal, frente ao Lusitano de Évora (6-0), mas nada indicava que se estreasse na Liga dos Campeões, onde Casillas tem sido sempre o escolhido (e esteve no aquecimento com Sá, pelo que não pareceu ter qualquer problema físico).

Infelizmente para os portistas, desta vez a surpresa não correu propriamente bem. Logo nos primeiros minutos, Bruma rematou de fora da área, José Sá não agarrou - pior, defendeu para a frente - e Orban apareceu a fazer o 1-0.

ROBERT MICHAEL

O Leipzig, que ainda não tinha qualquer vitória na Champions - este é o primeiro ano em que a equipa alemã, fundada em 2009, participa na prova; e, na 1ª jornada, empatou com o Mónaco (1-1), e na 2ª perdeu com o Besiktas (2-0) -, colocava-se em vantagem... e assim continuaria durante todo o jogo. Não só no resultado, mas em termos qualitativos, já que os alemães estiveram quase sempre por cima do jogo, com o FC Porto a ter uma exibição bem menos conseguida do que é habitual - mesmo com os portistas a assumirem o 4-3-3, com Danilo, Sérgio Oliveira e Herrera no meio-campo.

Quando era Jean-Kévin Augustin a criar perigo (repetidamente) junto da baliza de José Sá, foi o FC Porto a conseguir marcar. Aos 18', na sequência de um canto, apareceu o goleador do costume, a fazer 1-1: Aboubakar.

Mas nem assim o FC Porto conseguiu equilibrar a partida, com os alemães novamente a pegarem nas rédeas do jogo e a chegarem ao 2-1, por Forsberg, aos 38'. E, dois minutos depois, 3-1, pelo irrequieto Augustin, que aproveitou uma assistência involuntária de Marcano.

Quando tudo parecia correr de mal a pior, o FC Porto aproveitou novamente a eficácia nas bolas paradas para reequilibrar as forças, ainda antes do intervalo: num canto, Marcano redimiu-se do lance anterior e surgiu na área a fazer o 3-2.

Na 2ª parte, mais do mesmo (ainda que com um ritmo de jogo bem mais baixo): Bruma e Augustin estiveram novamente muito perto do golo, aproveitando algumas desatenções defensivas do FC Porto. E os portistas raramente conseguiram empurrar o Leipzig para trás.

No final, 3-2 para os alemães, que assim saltaram para o 2º lugar do grupo, com quatro pontos, atrás do Besiktas, que derrotou o Mónaco, por 2-1, e já tem nove pontos. O FC Porto está em 3º, com três pontos, e o Mónaco - que, recorde-se, chegou às meias-finais da Liga dos Campeões na época passada - em último, com apenas um. A 1 de novembro, é a vez do FC Porto receber o Leipzig. E... surpresa: tem mesmo de vencer para continuar a sonhar com a Liga dos Campeões.