Tribuna Expresso

Perfil

Liga dos Campeões

Deu para (quase) tudo: somar pontos, prestígio e... assustar a Juventus

O Sporting, mesmo com um onze de recurso, rubricou uma bela exibição frente à Juventus, apesar de ter consentido o empate, nos últimos minutos do jogo (1-1)

Expresso

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Partilhar

Antes do início do Sporting-Juventus, a UEFA destacava no seu site um vídeo curioso: um passeio de Jay, a zebra que é mascote da Juventus e que andou, esta terça-feira, pelas ruas de Lisboa a assustar incautos.

Em dia de bruxas, o susto tem graça - mas quem esteve quase a sair de Alvalade com a face pálida foi a mesma equipa que, nos últimos três anos, esteve na final da Liga dos Campeões por duas vezes.

Sim, nos jogos contra Juventus e contra o Barcelona o Sporting apenas tinha conseguido somar vitórias morais - ou, como disse Jesus: "Mesmo não somando pontos, somamos prestígio" -, mas, esta noite, em Alvalade, deu para somar um pouco mais, além de prestígio: um ponto, um susto a uma das melhores equipas do mundo e uma 'nova' equipa, em que as soluções de recurso mostraram estar à altura dos acontecimentos - um dado preponderante para o que ainda falta da época, especialmente em termos nacionais.

Sem Mathieu, Piccini, William e Coentrão, Jesus teve de montar um onze alternativo, que passou por André Pinto, Ristovski, Bruno César e Jonathan (que tinha comprometido em Turim...), além dos habituais Patrício, Coates, Battaglia, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña e... Bas Dost - Doumbia, que tem sido titular na Champions, ficou no banco.

E, na tal noite de sustos, o que podia ser um onze que, em teoria, assustava até o mais fervoroso adepto, acabou por ser um onze perfeitamente capaz de assumir a vitória. A Juventus começou com mais bola, mas foi o Sporting a chegar com mais perigo à baliza de Buffon, começando por um remate de meia distância de Bruno César.

Se a primeira tentativa não funcionou, a segunda, aos 20', foi certeira: depois de uma grande jogada individual de Gelson pela direita - deixou Chiellini colado ao chão -, o extremo rematou e Buffon defendeu para o meio... onde apareceu Bruno César a fazer o 1-0.

FRANCISCO LEONG

Tal como já tinha feito com o Dortmund e com o Real Madrid, na última edição da Liga dos Campeões, o médio brasileiro marcou e justificou a aposta de Jesus, com uma exibição convincente. Melhor só mesmo Ristovski, que poderia hoje ter roubado definitivamente o lugar a Piccini, não fosse o pormenor de ter saído lesionado no final, tal o esforço a que foi submetido - não está habituado a jogar, especialmente a um nível tão competitivo.

Ainda que a Juventus tenha respondido logo após o golo - Higuain esteve perto do empate -, os italianos pouco mais fizeram para assustar Patrício na 1ª parte, com o Sporting, com e sem bola, quase sempre a controlar na perfeição a partida.

E, logo no início da 2ª parte, Gelson - sempre ele - poderia ter ferido fatalmente a Juve: com uma autoestrada pela frente, num contra ataque rápido, correu, correu, correu e... à entrada da área, pareceu não querer arriscar o remate de pé esquerdo, ao ser alcançado pela direita por Alex Sandro.

Perdeu-se uma oportunidade e, a partir de então, houve sempre mais Juventus do que Sporting em termos ofensivos, ainda que sem oportunidades claras de golo - aí até foi o Sporting a estar mais próximo do 2-0, quando explorava rapidamente o contra ataque (Bas Dost falhou o toque a um cruzamento de Bruno Fernandes, à boca da baliza, por centímetros).

Já com Palhinha em campo, por troca com um exausto Bruno César, a Juventus esteve perto de empatar, aos 70': depois de uma incursão ofensiva de Jonathan, o lateral demorou a regressar e foi Acuña que ficou a fechar... mas mal, e Higuain não marcou por pouco - grande defesa de Rui Patrício.

A Juventus intensificava a pressão, já com vários jogadores do Sporting com queixas físicas - Doumbia preparava-se para entrar -, e, aos 79', o momento que Alvalade não queria: Higuain desmarca-se nas costas da defesa - Coates reclamou fora de jogo, mas Gelson estava bem mais atrás - e passa a bola por cima de Patrício, para o 1-1.

No final, empate inglório para o Sporting, que conseguiu uma bela exibição - especialmente tendo em conta as baixas na equipa -, mas ainda há esperança para seguir para os oitavos de final: o Barcelona empatou sem golos, na Grécia, pelo que agora soma 10 pontos, mais três do que a Juventus e mais seis do que o Sporting, com o Olympiakos a surgir em último, precisamente com um ponto. E, na próxima jornada, há Juventus-Barcelona e Sporting-Olympiakos.