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Liga dos Campeões

Para cada Diogo Gonçalves endiabrado, há um Svilar embruxado - mas há também uma luz que ainda não se apagou

Em pleno dia das bruxas, o Benfica caiu em Old Trafford por 2-0, num jogo em que os encarnados começaram a perder com um golo que só o além pode explicar. As contas da Champions estão muito difíceis, quase impossíveis, mas a vitória do CSKA em Basileia faz com que ainda haja uma ténue esperança para as águias

Lídia Paralta Gomes

DARREN STAPLES/Reuters

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E no fim, resta rezar. A partir desta terça-feira, 31 de outubro, Dia das Bruxas, é isto que o Benfica pode fazer depois da derrota em Old Trafford por 2-0. Com a vitória do CSKA em Basileia, ainda há uma réstia de esperança para os encarnados, isto após saírem derrotados de um jogo que talvez não merecessem ter perdido, mas, já se sabe, nisto do futebol também há muito de esotérico, de coisas do outro mundo, de azares do arco da velha.

E no que ao azar diz respeito, vamos falar de Mile Svilar? Vamos sim. É que depois daquele erro esquisito na Luz, o jovem guardião foi o involuntário marcador do primeiro golo do Manchester United, golo que ajudou a fazer a história de mais um desaire do Benfica nesta edição da Liga dos Campeões, o 4.º em outros tantos jogos, a derrota que torna uma coisa quase do domínio do além a passagem dos encarnados à próxima fase da liga milionária.

O rapaz, que havia já travado um penálti e que tantas boas defesas fez ao longo do jogo, parece que está embruxado.

Diga-se que nesta noite de almas perdidas, em que o Benfica até viu um jogador lesionar-se ainda antes do apito inicial - Filipe Augusto foi substituído à última da hora por Samaris no onze - a única coisa que terá corrido bem às águias foi mesmo o golo de Pontus Wernbloom, sueco do CSKA, o golo que mantém vivo o sonho, ainda que ligado às máquinas e com prognóstico muito reservado. Isso e o início de jogo, com o Benfica, em plena casa dos red devils a começar bem, invulgarmente enérgico, móvel e personalizado num 4-3-3 que deu mais força ao meio-campo e espaço aos extremos, principalmente a Diogo Gonçalves, o endiabrado Diogo Gonçalves que foi sempre o maior foco de perigo da equipa portuguesa.

Foram dele as duas primeiras oportunidades do Benfica, uma em cada parte e ambas em lances muito parecidos. Aos 18 minutos fletiu para o interior e rematou ao ângulo mais afastado da baliza de De Gea. Só que o espanhol é, de longe, um dos três melhores guarda-redes do Mundo e muito atento defendeu aquele que seria um grande golo. E já na 2.ª parte, o extremo alentejano voltou a colocar alguma velocidade no ataque encarnado e voltou a visar a baliza de De Gea que, de novo, levou a melhor.

JASON CAIRNDUFF/Reuters

De resto, o meio-campo do Benfica tornou muito complicada a tarefa do Manchester United nesta primeira fase do jogo. O problema era quando a equipa de José Mourinho conseguia passar a primeira barreira - é que a última, a defesa portanto, viu-se e desejou-se para travar Martial e Lukaku. Isto porque as capacidades defensivas de Douglas são também elas do campo do esotérico e Rúben Dias, apesar do bom esforço, ainda tem de crescer.

E foi de um lance em que Douglas ficou pregado no chão que surgiu a primeira grande oportunidade do United, uma grande penalidade sobre Martial que o francês não conseguiu concretizar, permitindo a defesa a Svilar. O guardião belga (ou sérvio, ele em breve decidirá) ainda roubou mais um par de golos a Lukaku, defendendo com valentia dois remates muito perigosos do amigo, aos 31’ e aos 45’, o último dos quais já depois do estranho lance que colocou o Man. United em vantagem.

Já muito perto do intervalo, Matic rematou de longe, a bola embateu no poste esquerdo e caprichosamente foi bater nas costas de Svilar, que se tinha feito ao lance. Azar, muito azar do miúdo, que desta vez não teve culpa. São só coisas do além.

Matic, por mais que muitas razões, mal festejou.

Michael Steele/Getty

Na 2.ª parte o Benfica perdeu muita da robustez e elasticidade do primeiro tempo, mas o United também não foi particularmente perigoso. O ritmo desceu e praticamente o perigo só apareceu na sequência de erros. Além do remate perigoso de Diogo Gonçalves, os encarnados tiveram mais uma oportunidade de ouro. Aos 65’, Baily perdeu uma bola à saída da área dos red devils e Jiménez, afoito, foi atrás dela. Isolado, quis rematar em jeito, tão em jeito que a bola embateu com estrondo no poste.

O United, com pouca vontade de se mexer mais do que o estritamente necessário na 2.ª parte, chegaria ao golo da tranquilidade na sequência de uma grande penalidade cometida por Samaris e ganha com manha por Rashford. Desta vez, Svilar não conseguiu travar o remate de Blind.

E com isto o Benfica sai de Manchester perto do precipício. Mas como tão bem cantou uma banda da cidade do norte de Inglaterra nos anos 80, há uma luz que nunca se apaga.