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Liga dos Campeões

De bem com a vida, de mal com o futebol

O Benfica de Rui Vitória foi à Rússia perder com o CSKA (2-0) e já está eliminado das competições europeias. É a pior prestação de sempre de uma equipa portuguesa na Liga dos Campeões, após cinco jornadas disputadas

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YURI KADOBNOV/GETTY

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Estas palavras são de Rui Vitória, antes do jogo (do tudo ou nada) contra o CSKA:

"Estamos de bem com a vida. Quando digo isto, é porque enfrentamos todos os momentos, mais ou menos stressantes, com esta disponibilidade, com esta alegria, com um sorriso na cara. Entendemos que, desta forma, estamos mais próximos de ter um bom rendimento. O grupo é muito unido, há uma amizade muito grande entre os jogadores. Esta boa disposição faz parte da nossa forma de trabalhar. Acreditamos que vir para cada treino com um sorriso na cara e boa disposição é meio caminho andado para ser melhor profissional."

"O Segredo", de Rhonda Byrne, que se tornou um dos livros de autoajuda mais vendidos do mundo, teorizava sobre uma lei da atração, que se baseava mais ou menos no seguinte: tudo o que nos acontece, positivo ou negativo, é atraído por nós.

Ora Rui Vitória, recentemente, vem fazendo todos os (im)possíveis para atrair energia positiva, através do seu discurso, reafirmando a sua "crença" em melhores resultados.

O problema da crença cega é que, frequentemente, esbarra na realidade concreta. Como esta: em cinco jogos na Liga dos Campeões, o Benfica somou cinco derrotas, sofrendo 12 golos e marcando apenas um.

Benfica 1-2 CSKA Moscovo
Basileia 5-0 Benfica
Benfica 0-1 Manchester United
Manchester United 2-0 Benfica
CSKA Moscovo 2-0 Benfica
Benfica - Basileia (5 de dezembro, 19h45)

E isto sendo, recorde-se, um dos cabeças de série da competição.

Mesmo no supostamente mais equilibrado 4-3-3 (por comparação com o habitual 4-4-2), o Benfica raramente conseguiu o que deveria ter feito, já que estava obrigado a ganhar para conseguir continuar na Europa: dominar o jogo e criar oportunidades de golo.

Nem com Fejsa, Felipe Augusto e Pizzi no meio-campo - e Diogo Gonçalves, Jonas e Salvio mais à frente; e Eliseu (Grimaldo não estava bem fisicamente), Jardel, Luisão e André Almeida mais atrás - o Benfica conseguiu ter a bola, parecendo sempre muito desconfortável no jogo.

Bem melhor esteve o CSKA, que logo nos primeiros minutos criou perigo com um remate de Vitinho, após uma combinação com Wernbloom - um trinco adaptado a avançado - à entrada a área.

Georgy Shchennikov não marcava um golo há três meses - marcou ao Benfica

Georgy Shchennikov não marcava um golo há três meses - marcou ao Benfica

MLADEN ANTONOV/GETTY

Aos 13', depois de muita confusão junto à baliza do Benfica, a defesa foi mal ultrapassada quando deixou Schennikov receber sozinho na área, entre André Almeida e Luisão, e fazer o 1-0 na cara de Bruno Varela - o titular na ausência dos lesionados Svilar e Júlio César.

Na resposta, o Benfica quase empatou, naquela que foi a única verdadeira oportunidade de golo criada pela equipa de Rui Vitória: após um lançamento para a área, Diogo Gonçalves amorteceu de cabeça para Jonas, mas o avançado, em frente ao guarda-redes Igor Akinfeev, não marcou - e o Benfica ajudou o veterano russo a quebrar uma maldição: sofria golos na Liga dos Campeões há 43 jogos consecutivos, ou seja, cerca de 11 anos (a última vez que não tinha sido batido aconteceu a 1 de novembro de 2006, contra o Arsenal).

Ainda na 1ª parte, o CSKA esteve perto do 2-0, mas Bruno Varela negou o golo a Dzagoev, com uma grande defesa a uma mão, após um remate à entrada da área.

Na 2ª parte, houve um Benfica ligeiramente mais ofensivo - já com Cervi no lugar de Diogo, por troca ao intervalo -, mas sempre sem qualquer fio de jogo digno desse nome - a única exceção esteve numa jogada que culminou num remate fraco de André Almeida.

O CSKA, pelo contrário, manteve o perigo junto à baliza de Varela, especialmente nas transições ofensivas rápidas, através do velocíssimo Vitinha. E foi mesmo o brasileiro de 24 anos a fazer o 2-0, com uma ajuda de Jardel, que desviou o cruzamento/remate do adversário para dentro da baliza do Benfica.

Depois, Rui Vitória voltou ao 4-4-2 - saiu Felipe Augusto e entrou Jiménez - mas os efeitos práticos não foram sentidos. E, por fim, aos 83', foi a vez do treinador experimentar uma defesa a três, substituindo o lateral Eliseu pelo extremo Zivkovic. Novamente, sem qualquer resultado prático.

Ainda com uma jornada por disputar, o Benfica fica assim afastado da Liga dos Campeões e da Liga Europa: é o último classificado do grupo A, sem qualquer ponto conquistado, e fica na história como tendo a pior prestação de uma equipa portuguesa na Champions, após cinco jogos disputados (em seis jogos, a pior é do Sporting de 2000/01, que terminou com dois pontos).