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Liga dos Campeões

Parecia mais um jogo de pré-época contra suíços, mas foi mesmo o pior Benfica europeu da história

No último jogo que disputou na Liga dos Campeões 2017/18, o Benfica confirmou uma campanha histórica - pela negativa. Passou a deter o pior registo português de sempre na prova, ao terminar o grupo com zero pontos em seis jogos (e um golo marcado e 14 sofridos)

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Os festejos dos suíços do Basileia numa Luz quase vazia

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

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É assim quase todos os anos. A época começa, os adeptos sorriem, o Benfica vai de malas e bagagens para território helvético e começa a dar minutos aos jogadores contra equipas locais mais ou menos secundárias, com o treinador a dizer que naquela fase as vitórias e as derrotas pouco importam.

Foi assim que 2017/18 começou, ainda que com resultados bem menos animadores do que é costume para as cores encarnadas: o Benfica ganhou ao Neuchâtel Xamax, da 2ª divisão suíça, por 2-0, mas depois foi goleado pelos Young Boys, da Liga principal, por 5-1.

Esta terça-feira, na Luz, se não fosse o frio, diríamos que este era mais um jogo de pré-época contra suíços. Como foi aquele de 27 de setembro, quando o Benfica foi a Basileia perder por 5-0.

Mas não. Isto é - foi - a Liga dos Campeões 2017/18 do Benfica: um redondo zero. Em seis jogos, a equipa de Rui Vitória somou seis derrotas: contra o CSKA (1-2 em casa, 0-2 fora), contra o Manchester United (0-1 em casa, 0-2 fora) e contra o Basileia (0-5 fora e 0-2 em casa).

Com este registo, o Benfica não só terminou o grupo A em último lugar, como se tornou a pior equipa portuguesa na história da prova, superando - pela negativa, claro está - a marca do Sporting de 2000/01, que tinha saído da prova com apenas dois pontos.

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Na antevisão do jogo, Rui Vitória tinha garantido que a equipa queria despedir-se com uma vitória, mas, mais uma vez, o que se viu na Luz foi uma equipa pouco criativa ofensivamente, sem capacidade para conseguir entrar no bloco defensivo dos suíços, que se manteve desde cedo num 5-4-1 muito baixo no campo, já que o golo apareceu logo aos cinco minutos.

Numa perda de bola no meio-campo, Michael Lang aproveitou a subida de Eliseu para entrar pelo corredor defensivo esquerdo do Benfica e lançar a bola para a área, onde Moha Elyounoussi apareceu a encostar para golo - Douglas estava mal posicionado, tendo ficado para trás do restante sector defensivo.

Além dos nomes já referidos, que entraram para os lugares de Grimaldo e André Almeida, houve (muitas) mais mexidas no onze do Benfica, relativamente ao clássico frente ao FC Porto: na baliza, Svilar entrou para o lugar de Varela; Lisandro entrou para o lugar de Luisão (manteve-se Jardel); Samaris e João Carvalho nos lugares de Fejsa e Krovinovic (manteve-se Pizzi); e Zivkovic, Diogo Gonçalves e Seferovic onde estavam Salvio, Cervi e Jonas.

Rui Vitória já tinha dito que ia rodar a equipa e esperava respostas dos jogadores menos utilizados, mas a verdade é que pouco se viu dos novos nomes, com exceção de alguns rasgos individuais de Seferovic. Após o golo, o Basileia recuou muito no campo, mas o Benfica raramente conseguiu criar grandes oportunidades de golo, recorrendo aos remates de meia distância (Pizzi e Seferovic estiveram perto do golo) e aos cantos (Lisandro e Eliseu também) para conseguir chegar à baliza dos suíços, que respondiam sempre em contra ataque rápido.

Depois de uma boa entrada na 2ª parte, já com Jonas em campo por troca com Diogo Gonçalves, balde de água fria para o Benfica, que parecia perto do empate: livre de Zuffi para o segundo poste e golo de Oberlin, de cabeça, com os benfiquistas apáticos no ataque à bola.

A partir daí, pouco mais houve para ver. E não valia mesmo a pena ver mais: foi o pior Benfica da história da Champions. Resta o campeonato.