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Os médicos, Pogba e Guardiola. Há alguém contra quem Mourinho não dispare?

Mourinho e os seus pupilos viajaram na quarta-feira até Espanha para tentar derrotar o Sevilha na primeira mão dos ‘oitavos’ da liga milionária. A prestação dos ingleses foi tão fraca que é bem possível que hoje se sintam aliviados pelo resultado do jogo, defendido com unhas e dentes por De Gea

Cátia Leitão

Chris Brunskill Ltd

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“Não imaginava que o Manchester United pudesse jogar tão mal”. Dita por Ian Wright, esta frase muito simples traduz tudo aquilo que se fez sentir na passada quarta-feira depois da primeira mão dos oitavos da Liga dos Campeões que meteu frente a frente um Sevilha claramente dominante e um Manchester United bastante apagado. Na escuridão que foi o jogo do United, o brilho só apareceu da baliza, onde De Gea foi decisivo para segurar todas as bombas lançadas pelo adversário.

A equipa de Mourinho já viu melhores dias, mas ninguém esperava que a deslocação ao Ramón Sánchez Pizjuán deixasse tanto a desejar. Já muita tinta correu sobre a fraca prestação do United e críticas não faltaram.

O jogo

O pontapé de saída foi dado às 19h45 e ninguém esperava ver aquilo que ali se passou. A partida acabou sem golos, mas com vários sentimentos à mistura: amargura para a equipa da casa e alívio para os visitantes que podiam ter saído de campo com uma derrota pesada não fosse o herói do jogo, De Gea.

O guarda-redes de 27 anos salvou a equipa de um grande trambolhão ao fazer oito defesas: duas delas ótimas e uma terceira verdadeiramente espantosa. Resumindo: o Sevilha fez 25 remates, oito deles à baliza enquanto que o Manchester United rematou seis vezes e só uma na direção das redes.

A equipa da casa mostrou-se claramente superior e só não levou a melhor por ter encontrado um verdadeiro guerreiro na baliza. A passagem aos ‘quartos’ ficou então por resolver em Old Trafford a 13 de março.

Ao ataque

No jogo a equipa de Mourinho não atacou muito, mas fora de campo a história é outra. O treinador português considera que o resultado “não é bom nem é mau” e acrescenta que nem tudo está perdido: “Vamos decidir em Old Trafford, que precisa de ser uma grande noite de Liga dos Campeões”. Mas não poupou nas críticas.

Um dos alvos foi a equipa médica do United. Ander Herrera saiu na primeira parte e ao que parece a situação não é boa. “[Herrera] Tinha um pequeno problema e deixou de jogar um par de partidas, mas o departamento médico assegurou-me que estava a 100 por cento para o jogo de sábado com o Hudderlsfield. Ainda assim, protegi-o ainda mais e agora vimos que não estava a 100 por cento como me disseram os médicos”, disse o Special One. “É evidente, ao ver como se lesionou frente ao Sevilha, que não era certo que estava pronto. Agora pode ter algo mais grave”.

Depois da saída forçada de Herrera, o inesperado aconteceu. Outra das (várias) polémicas que envolve Mourinho está ligada a Pogba. A relação dos dois parece estar em maus lençóis e a cada dia que passa os rumores de desentendimento entre os dois aumentam. Mas, no jogo com o Sevilha, Mourinho foi quase forçado a meter o internacional francês em campo.

As desavenças entre os dois são de conhecimento geral, mas ao que parece Pobga chegou ao limite e quer abandonar o United, o problema são os 120 milhões de euros que o clube deu por ele. Mas afinal o que leva Mourinho a deixar no banco um jogador que custou tanto dinheiro ao clube? O treinador português defende-se ao dizer que “a responsabilidade é igual para todos. Eu não escolho a equipa conforme a idade, o preço que custou ou o salário. Não é justo”.

Tiro ao alvo com Pep Guardiola

Nem Pep Guardiola escapou aos ataques de Mourinho. Na passada segunda-feira a equipa de Guardiola perdeu contra o Wigan por 1-0 para a Taça de Inglaterra num jogo no mínimo aceso. Durante o intervalo, Pep Guardiola desentendeu-se com o treinador do Wigan, Paul Cook, e os jogadores tiveram de intervir para separar os dois treinadores. Como se isso não bastasse, depois do apito final os adeptos da equipa vencedora invadiram o campo e Kün Aguero não foi de modos e agrediu um adepto.

Mas o que é que isto tem a ver com Mourinho? Na verdade, tudo. Não tivesse o treinador do United aproveitado os acontecimentos do rival para lançar disfarçadamente umas quantas farpas. O Special One comparou a derrota do Manchester City de Pep Guardiola com a da sua equipa frente ao Bristol City.

“Claro que gostávamos de ser melhores na Primeira Liga, mas estamos onde estamos. Na Liga dos Campeões estamos vivos. Na Taça da Inglaterra estamos vivos. Na Taça da Liga Inglesa, depois de vencermos na época passada, perdemos nos quartos de final, mas perdemos como o Manchester United gosta de perder - com dignidade, com fair play, com participação na felicidade de um gigante. Na Taça da Liga perdemos com uma equipa da segunda divisão, e como treinador do Manchester United eu gosto de dizer que nos comportámos como uma equipa grande, mesmo quando perdemos nós comportamo-nos como uma equipa grande”.