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Liga dos Campeões

Allez les blancs. Adieu les bleus

O Real Madrid voltou a vencer o PSG, desta vez em Paris (2-1), e passou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, confortavelmente

Mariana Cabral

Gonzalo Arroyo Moreno/Getty

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Neymar. Vale a pena falar de um jogador que nem esteve no Parque dos Príncipes esta terça-feira, no PSG-Real Madrid? Vale. Porque este super Neymar disfarça aquilo que o franceses não são, por muito dinheiro que tenham e gastem: uma equipa.

Mesmo obrigados a assumir o jogo depois de uma 1ª mão em que saíram com uma desvantagem clara (3-1), os parisienses pouco fizeram para conseguir conquistar o jogo da 2ª mão - quanto mais a eliminatória. E isso fez dos 90 minutos uma história bem simples, contada em insuficiências coletivas e suficiências individuais.

Mais preocupados com as transições ofensivas ferozes do Real Madrid, os franceses pouco arriscavam quando em organização ofensiva, mantendo sempre os três do meio-campo, Motta-Verrati-Rabiot, assim mesmo, bem juntinhos uns dos outros e quase sempre na linha da bola, deixando a sorte do ataque entregue aos outros três da frente, Mbappé, Cavani e Di Maria, que sabemos que são bons jogadores e até tinham espaço de sobra junto à linha defensiva merengue, mas ficavam apenas à espera que a bola lhes chegasse, quase por milagre.

Só que nenhum daqueles era Neymar, o tipo que pega na bola em qualquer lado e a conduz interminavelmente, sempre junto ao pé como se tivesse cola, para depois criar desequilíbrios para os colegas que ficam livres. E naquele deserto de ideias e audácia, muita falta fez o homem que dizem que é o próximo na hierarquia da Bola de Ouro, depois da dupla Messi-Ronaldo.

Porque, por falar no português, a ele nunca lhe falta a audácia nem a vontade para aparecer no sítio certo à hora certa, especialmente na Liga dos Campeões, prova na qual é o melhor marcador: aos 52 minutos, cabeceou na perfeição uma bola cruzada por Lucas Vázquez e fez o 1-0 que sentenciou a eliminatória.

Sim, ainda houve um golo de Cavani e outro Casemiro - e uma expulsão estúpida de Verratti ao reclamar com o árbitro -, mas já se sabia, quando o português marcou, que o PSG nunca mais teria estofo para dar a volta ao que se passava.

E o Real, pelo contrário, estava como costuma estar na Champions: confortável. E qualificado para os quartos de final.