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Houve assobios mas não houve brilharete

Arouca diz adeus à Liga Europa de forma inglória, com uma derrota em Atenas (2-1). Olympiacos de Paulo Bento só conseguiu marcar no prolongamento

Mariana Cabral

O 'dez' do Olympiacos, Domínguez, mudou a história do jogo

PANAGIOTIS MOSCHANDREOU/EPA

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Quando é que percebemos que estamos a presenciar um momento histórico? Quando pomos as coisas em perspetiva. E, em Arouca, a perspetiva é esta:

2007/08: 1º lugar na 3ª divisão (hoje seriam distritais)
2008/09: 1º lugar na 2ª divisão - série de descida (hoje chamado Campeonato de Portugal)
2009/10: 1º lugar da 2ª divisão (Campeonato de Portugal)
2010/11: 5º lugar na Segunda Liga
2011/12: 13º lugar na Segunda Liga
2012/13: 2º lugar na Segunda Liga
2013/14: 12º lugar na Liga
2014/15: 16º lugar na Liga
2015/16: 5º lugar na Liga
2016/17: Participação no play-off da Liga Europa

Em qualquer lugar do mundo e sob qualquer prisma possível e imaginário, o Arouca fez história. Ou, como lhes chamou Lito Vidigal, "brilharetes". Não é todos dias que um pequeno clube do norte de Portugal, que está há meia dúzia de anos nos campeonatos profissionais, chega a Atenas e vence o (eterno) campeão grego.

Quer dizer, vencia - nos 90 minutos. O Arouca, esta noite com várias alterações em relação à 1ª mão - Gegé, Velázquez, Crivellaro, André Santos, Marlon e Zequinha foram titulares - começou a surpreender o Olympiacos de Paulo Bento.

Sempre a pressionar a saída de bola dos gregos, obrigando os centrais Manuel da Costa e Botía a bater a bola na frente, o Arouca entrou bem na 2ª mão do play-off e foi ganhando cada vez mais confiança à medida que o tempo passava.

É que o Olympiacos, ao contrário do que tinha prometido Paulo Bento, recostou-se à sombra da vitória na 1ª mão (1-0) e esteve quase sempre adormecido no jogo. Ainda que tivessem mais bola do que o Arouca, os gregos só assustaram os portugueses em cima do intervalo, quando Ideye desviou uma bola na área para uma grande defesa de Bracalli.

Também num canto, o Arouca esteve perto do golo, com um cabeceamento de Velásquez que passou ao lado. Não era muito, mas era suficiente para os portugueses irem acreditando que era possível, com os adeptos gregos a responder em conformidade: com assobios para a exibição da própria equipa.

PANAGIOTIS MOSCHANDREOU/EPA

E, na 2ª parte, o jogo foi feito de assobios, ou seja, de oportunidades do Arouca - sempre falhadas por Walter González. Até ao minuto 65, quando, na sequência de um livre, o defesa Gegé apareceu sozinho na área grega e desviou para golo. 1-0 para o sonho arouquense, que se manteve até aos 90 minutos.

O problema é que, no prolongamento, a história já foi outra. Paulo Bento pôs Domínguez em campo e o médio argentino (e o Olympiacos) puxou dos galões e começou a carregar a equipa para a vitória. Apenas quatro minutos depois de entrar, mostrou a capacidade de finalização que tem - aliada à inegável qualidade técnica - e, de pé esquerdo, marcou o golo do empate do Olympiacos.

Também já com o reforço André Martins em campo, a equipa de Paulo Bento pegou definitivamente no jogo e resolveu a questão na 2ª parte do prolongamento. Ideye marcou com um remate à entrada da área, depois de uma assistência do português que esteve nos Jogos Olímpicos - numa altura em Lito Vidigal já tinha tirado Gegé para pôr o avançado Bruno Lopes.

O 2-1 sentenciava a eliminatória, mas o Arouca ainda acabou como começou: a vender cara a eliminatória. Marlon mandou a bola ao poste da baliza de Kapino, mesmo antes do jogo acabar. E reforçou o que os arouquenses já sabiam: podem estar orgulhosos de uma equipa que ainda tem mais brilharetes para dar. Mesmo que já não continue na Liga Europa.