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Que Moros esteja com o Arouca

Vai ser preciso alguma sorte para o destino do Arouca passar por uma participação na Liga Europa. A derrota sofrida na 1º mão complica a passagem, mas quem sabe se o deus grego da sorte e do destino, Moros, não estará do lado dos portugueses. Nós ajudamos com a análise tática da eliminatória

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FRANCISCO LEONG/Getty

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O Futebol Clube de Arouca vai a Atenas tentar escrever, a letras de ouro, uma das páginas mais memoráveis da história de um clube fundado em 1951 que há dez anos disputava os campeonatos distritais e que conta apenas com quatro épocas na 1ª liga portuguesa.

A tarefa do clube arouquense não se antevê nada fácil e como o próprio Lito Vidigal já admitiu “a realidade do Olympiacos, com um orçamento de €70 milhões, nada tem a ver com a do Arouca”, no entanto, Lito sabe que no futebol, nem sempre os milhões levam a melhor sobre os tostões e “com um jogo ainda por disputar a eliminatória está ainda em aberto.”

A missão hercúlea de ir à Grécia, ao Piréu, ao vulcânico Estádio Karaiskaki e dar a volta a uma eliminatória que parece perdida pode ser o impulso necessário para fazer crer aos rapazes de Lito que no futebol nada está perdido até mesmo quando tudo parece perdido.

Não há dúvida que a qualidade dos jogadores do Olympiacos reflete o tal poderio económico ao qual se referia Lito, e essa diferença notou-se no jogo da primeira mão. Mas o Arouca saiu vivo, e conhecendo nós como conhecemos as equipas de Vidigal seria um erro dar esta eliminatória como encerrada.

No Arouca, a ausência do capitão Nuno Coelho, por castigo, e a excelente exibição das segundas linhas, na vitória contra o Nacional (2-0) no último jogo do campeonato, vão promover algumas alterações no onze inicial. O Arouca tem alternado entre o 4-3-3, com Zequinha e Mateus a apoiarem o ponta de lança, que ora é Walter ora é Marlon, e o 4-5-1, que vê o brasileiro Artur assumir a ala direita com tarefas mais defensivas, enquanto o experiente Mateus fecha o lado esquerdo.

OCTAVIO PASSOS/Lusa

Autor de um dos golos contra o Nacional, Crivellaro poderá ter ganho um lugar no onze e, se assim for, Lito apostará em André Santos e Adilson como médios mais defensivos, ficando Crivellaro como vértice mais adiantado do triângulo do meio campo. De prevenção, caso o treinador queira alterar dinâmicas, está Nuno Valente, que também tem estado em bom nível.

No sector mais recuado, acredita-se que Lito mantenha a aposta em Hugo Basto e Jubal para formarem a dupla de centrais, pese embora a boa exibição de Velázquez contra o Nacional. Gegé está ainda em dúvida - recupera de uma lesão -, mas se estiver apto é o dono do lado direito da defesa. Do lado oposto, Anderson Luís e Carleto têm alternado na titularidade, mas é provável que seja o primeiro a jogar esta quinta-feira. Na baliza não há discussão, joga Bracalli.

Do outro lado está uma equipa que apenas fez três jogos oficiais devido à suspensão, imposta pelo Governo grego, do campeonato nacional e que já sofreu uma chicotada psicológica com o despedimento de Víctor Sánchez depois de falhado o apuramento para o play-off da Liga dos Campeões. Saiu um espanhol, que orientou a equipa pouco mais de dois meses, e entrou um português que tinha estado ao leme do Cruzeiro pouco mais de dois meses. Paulo Bento é o quarto treinador português a assumir os destinos do gigante grego desde 2012, altura em que Leonardo Jardim lá esteve.

As ligações do Olympiacos ao futebol português não se ficam pelos sucessivos treinadores lusos que por lá vão ganhando campeonatos. A jogar no clube grego estão neste momento cinco jogadores que já atuaram na campeonato português: Diogo Figueiras e André Martins, ambos internacionais A, Manuel da Costa, internacional pelas seleções nacionais nos escalões de formação e os avançados Sebá, que passou pelo FC Porto e Estoril, e Felipe Pardo, que se mostrou ao serviço do Braga. Fora muitos outros que por lá passaram. Portanto, dizer que o Olympiacos tem um olho no que por cá se passa não será nenhum absurdo.

Taticamente falando pode dizer-se que é uma equipa que se sente confortável no 4-3-3, com os três homens da frente muito móveis e muito rápidos, capazes de impor vertigem ao ataque grego: Sebá, Pardo e Brown.

OCTAVIO PASSOS/ Lusa

Com as três setas da frente sempre apontadas para a baliza adversária o trio do meio campo tem que ser laborioso. Cambiasso é o trabalho em forma de jogador e tem ao seu lado o sérvio Luka Milivojevic que é, também, um médio defensivo por excelência. O terceiro elemento deste meio campo é, normalmente, um jogador com um trato de bola mais fino e com boa chegada à área adversária: Domínguez e Fortounis vão alternando neste papel.

A defesa do Olympiacos é regida por um pacto ibérico, entretanto quebrado com a suspensão de Diogo Figueiras, que viu o segundo amarelo na primeira mão e não joga este encontro - no seu lugar deverá estar Vouros. Mantém-se Manuel da Costa, o central português de que já falámos, e os espanhóis, Alberto Botía, o outro central, e de la Bella, lateral esquerdo. Na baliza joga um jovem de 22 anos que já chegou a primeira opção da seleção grega, Stefanos Kapino.

A sorte tem sido madrasta para os emblemas portugueses que visitam o Estádio Georgios Karaiskakis e a última vez que uma equipa lusa foi lá arrancar uma vitória foi em 1973. Ganhou o Benfica por 1-0, na então Taça dos Campeões Europeus, golo de Nené numa equipa onde ainda jogava Eusébio. O Arouca conseguirá fazer o mesmo?