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Devagar, devagarinho, quase parando

O Sp. Braga europeu continua a desiludir e o Shakhtar Donetsk nem precisou de correr (nem de 11 jogadores...) para vencer com facilidade por 2-0, nesta segunda jornada do Grupo H da Liga Europa. A falta de agressividade da equipa de José Peseiro ditou mais um resultado negativo e a margem de erro ficou muito reduzida.

Lídia Paralta Gomes

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SERGEI SUPINSKY/Getty

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Antes da comitiva do Sp. Braga partir para Lviv, José Peseiro recebeu os conselhos da Dona Melinha - também ela de partida para a Ucrânia - que, pelo meio das palavras de apoio, surpreendeu o treinador bracarense metendo-lhe sorrateiramente uns rebuçados no bolso.

Mas nem a simpatia da mais conhecida das adeptas dos minhotos tornou a vida dos minhotos mais doce nesta Liga Europa. A defrontar pela quinta vez o Shakhtar Donetsk em competições europeias, o Sp. Braga somou a quinta derrota, num encontro em que mais do que o resultado (2-0 para os ucranianos), o que amargou mesmo foi a passividade, a falta de ideias e a forma como nem contra 10 a equipa portuguesa esboçou uma reação.

A chave do encontro estava ali. A perder por 1-0 no início da 2.ª parte, o Sp. Braga teve em Tobias Stieler um amigo. O árbitro alemão deu o segundo amarelo a Fred por simulação na área - o lance é, no mínimo, muito duvidoso - e os minhotos, mais do que não aproveitar a vantagem numérica, demoraram apenas 9 minutos a sofrer mais um golo. Assim fica complicado sonhar com a Liga Europa para lá do Natal.

Mas vamos ao início e falar do início do jogo é falar de déjà vu. Tal como há duas semanas, na Pedreira frente ao Gent,o Sp. Braga mal deu por si e já estava a perder. Da mesma forma. E ao mesmo minuto. O sexto, para sermos mais precisos. Após um livre na esquerda de Fred, a bola ressaltou em Rosic e foi caprichosa encontrar o pé esquerdo de Stepanenko, que nem teve muito que pensar: um vólei forte e incisivo colocou a bola dentro da baliza de Marafona.

Estávamos no minuto 6 e, ainda não sabíamos, mas o jogo já tinha terminado. Paulo Fonseca, que na conferência de antevisão ao encontro dizia que no final do jogo ia tentar reencontrar os amigos que deixou em Braga, bem que o podia ter feito logo ali. Em desvantagem, o Sp. Braga deu licença ao Shakhtar para manter o domínio: zero pressão, zero agressividade, zero iniciativa, zero velocidade. Em contrapartida, os erros nos passes e as trapalhadas nas transições sucediam-se. Os ucranianos, vendo que dali não vinha perigo de maior, pareceram às páginas tantas também eles desistir do jogo. E começaram a jogar devagar, devagarinho, quase parando, porque era mais do que suficiente.

SERGEI SUPINSKY/Getty

Sem um único lance organizado digno de registo ao longo da 1.ª parte, os bracarenses só chegaram à área do Shakhtar em situações de bola parada, nos cantos e livres que por ali foram ganhando mas que a equipa da casa nunca teve problemas em resolver. Perante o mar de nada, Dona Melinha aparecia nas imagens afligida e desolada. Os rebuçados não tinham dado resultado.

Nem contra 10

O lance da expulsão do brasileiro Fred caiu então do céu. Pensámos todos. Mas em campo nada mudou: o Shakhtar continuou a ser o dono da bola e a equipa que mais vezes chegava à área. Assim que o segundo golo nem foi exatamente uma surpresa. O brasileiro Bernard marcou um livre direto frontal à baliza de Marafona, a bola embateu na barreira e o miúdo Kovalenko apareceu sozinho para a recarga.

A partir daí reinou a descontração do lado ucraniano e a impotência do lado bracarense e o futebol apareceu a conta-gotas. O máximo que Peseiro arriscou foi trocar Ricardo Horta (cujo único lance de registo foi uma simulação de penálti no final da 1.ª parte) por Stoiljkovic, nada que mudasse o rumo dos acontecimentos. O Sp. Braga, simplesmente, não esteve ali.

As contas ficam agora complicadas para os minhotos, com 1 ponto em dois jogos e, naturalmente, com muito pouca margem para errar. Shakhtar (6 pontos) e Gent (4 pontos) estão bem instalados no topo do Grupo H. O Braga europeu precisa de acordar.