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A Europa é um thriller para o Sp. Braga

O Sp. Braga não passou em casa do Konyaspor (1-1) e as contas da Liga Europa complicaram-se muito. A equipa de José Peseiro entrou mal, sofreu mais uma vez cedo e a reação na 2ª parte não chegou para mais do que o empate

Lídia Paralta Gomes

Hassan fez o golo do empate em Konya, resultado que complica ainda mais as contas do Sp. Braga na Liga Europa

MURAD SEZER/Reuters

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O Konyaspor chegou à 3ª jornada da Liga Europa com um score pobrezinho: zero pontos, zero golos marcados, três sofridos e o carimbo de “pior equipa do grupo”. Perante tal cenário, José Peseiro, cauteloso, disse que o seu Sp. Braga “não ia fazer filmes” nem pensar em facilidades. Até porque, a bem da verdade, o panorama no Minho não era muito melhor: apenas um ponto e um golo marcado.

E tanto quis o Sp. Braga afastar-se de filmes que agora está metido num. Um thriller daqueles que pedem emoção e reviravoltas até ao final da fase de grupos. O surpreendente empate em Konya (1-1), frente a uma equipa turca longe da qualidade técnica dos bracarenses, não é uma faca espetada no objetivo tantas vezes lembrado por António Salvador de chegar à fase seguinte, mas, naturalmente, não facilita o apuramento. A vitória do Shakhtar frente ao Gent ameniza o cenário, mas agora deixou mesmo de haver margem de erro.

Há um certo gosto pelo masoquismo neste Sp. Braga europeu, que pela terceira vez em três jogos sofreu um golo antes dos 10 minutos. Aos 9 minutos, e já depois do Konyaspor chegar um par de vezes à área, Hadziahmetovic cruzou na esquerda para Milosevic. E enquanto os centrais do Braga, Rosic e Velásquez, olhavam um para o outro perguntando-se se existiria fora-de-jogo, já o bósnio tinha fintado Matheus e colocado a bola na baliza.

Daí até ao intervalo, tivemos um Sp. Braga igual a si mesmo nesta edição da Liga Europa: linhas demasiado afastadas, dificuldade em manter a bola colada ao pé, tremideira na defesa, muita passividade, muita lentidão, com o Konyaspor a chegar com muita facilidade à área. Aos 19’, os turcos podiam mesmo ter marcado mais um depois de Rosic deixar a bola à mercê de Omer Ali Sahiner. A surpresa foi tanta que o jogador do Konyaspor acabou por rematar contra Matheus.

A partir da meia-hora o Sp. Braga meio que despertou e chamou a si o jogo, ainda que nunca o controlasse verdadeiramente. Conseguiu desta forma aparecer na área turca, tentando circular a bola à procura de um espacinho na coesa defesa do Konyaspor. Mas como não é Barcelona quem quer, a bola acabaria por nunca chegar ao jogador mais bem colocado.

TOLGA BOZOGLU/EPA

E com menos atenção dos minhotos lá atrás, o Konyaspor sacou de nova oportunidade para aumentar o escândalo: o escocês Douglas recebeu um passe longo para a direita da área e ia preparar o remate quando Pedro Santos (claramente o melhor bracarense na 1ª parte tanto a atacar como a defender, como se vê) fez o corte na altura certa.

Hassan lá marcou

A palestra de Peseiro ao intervalo terá tido o seu efeito, tal como a saída por lesão de Omer Ali Sahiner, que tinha dado água pela barba ao Sp. Braga na 1ª parte.

O certo é que os bracarenses voltaram um tudo nada mais espevitados e aos 53 minutos Hassan surgiu com perigo na área. Vendo a oposição do central do Konyaspor, o egípcio preferiu tentar cavar uma grande penalidade. O juiz Aliyar Aghayev não foi na conversa.

Não resultaram os mergulhos, resultou estar bem colocado dois minutos depois, com Hassan a terminar na linha de baliza uma bela jogada de entendimento ofensivo do Sp. Braga. Alan viu bem a desmarcação na esquerda de Goiano, com o lateral a cruzar rasteiro para a área, onde Hassan só teve de encostar. Empate feito e plena certeza que a equipa portuguesa não ficaria por ali.

Errado. Apesar de ter assentado arraiais no meio-campo do Konyaspor, o Sp. Braga nunca mais foi capaz de aproveitar os erros do adversário que, diga-se, não foram poucos. O gás ia acabando e, impaciente, Peseiro trocou Alan e Hassan por Rui Fonte e Stojilkovik, sem resultados práticos. O tal golo que parecia uma questão de tempo não apareceu e foi mesmo o Konyaspor que teve a última oportunidade, num remate forte de Alban Meha que ressaltou em Rosic. Valeu que Matheus foi sempre um guarda-redes atento.

Agora, é preciso fazer contas. Com apenas 2 pontos, o Sp. Braga recebe os turcos a 3 de novembro com a sombra da guilhotina ali a pairar. Para já, ainda é um thriller, mas pode rapidamente tornar-se num filme de terror.

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