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Trabalho é trabalho, konyaque é konyaque

Braga ganhou ao Konyaspor por 3-1 e relançou-se na corrida para passar o Grupo F da Liga Europa. Está em segundo lugar e depende apenas dele para seguir em frente. Os golos foram de Velázquez, Wilson Eduardo e Horta

Pedro Candeias

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FRANCISCO LEONG

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O Konyaspor.

O que dizer do Konyasport além de que é de Konya, na Turquia, que ora anda na primeira divisão, ora na segunda, que no ano passado acabou o campeonato em 3º e que isso levou à estreia nas competições europeias no presente ano.

O Konyaspor, além disso, é treinado pela segunda vez por Aykut Kocaman, antigo jogador do Fenerbahce, veste de verde e de branco, chamam-lhe a Águia (ou águias, depende da tradução) da Anatólia e marcou o seu primeiro golo na UEFA ao Braga, há 15 dias.

E o Konyaspor, para terminar, está em 12.º lugar na Superliga turca, o que quer dizer que tem um plantel frágil, sinónimo para fraco quando não se quer usar a palavra fraco para definir um clube de futebol.

Mas o Konyaspor é mesmo fraco, mais fraco do que o Braga, porque nisto das fraquezas e das forças é preciso um termo de comparação. Portanto, quando Peseiro se atirou ao soundbyte antes do jogo ("ganhar ou ganhar", disse ele) ninguém viu naquilo um ato de coragem, apenas uma declaração óbvia de quem tinha patinado na Turquia (1-1) e queria remendar a coisa em casa, não fosse um certo presidente estar numa daquelas noites em que ninguém o segura na flash interview.

Para evitarem recados de rescaldos de fim de jogo,os jogadores do Braga entraram bem em campo, acelerando sobre o Konyaspor para tentar resolver aquilo o mais rapidamente possível. Aos 11 minutos, os bracarenses já tinham criado quatro dedos de uma mão em meias oportunidades de golo, o que era um bom sinal ou, pelo menos, sinal de que estavam vivos. Mas, uma vez mais e como em muitas outras ocasiões na vida de Peseiro, o plano furou porque alguém errou e abriu um espaço na defesa que Rengelov aproveitou para marcar.

1-0.

E, depois, quando o Braga reagiu e chegou ao empate por Velázquez numa bola parada logo, logo a seguir, o plano de Peseiro voltou a furar, porque Mauro foi expulso por levar o segundo amarelo em 10 minutos.

O treinador foi obrigado a mexer, tirando Rui Fonte lá da frente e pondo Pedro Tiba no meio-campo, e o Braga reequilibrou-se, recompôs-se e reconstruiu a sua estratégia. Agora, era para atacar, sim, mas q.p., quando se pudesse, porque mais cedo ou mais tarde os turcos iriam errar. O 2-1 aconteceu, por Wilson Eduardo, num livre indireto dentro da área, assinalado por passe ao guarda-redes. Um disparate, pois.

E assim foram os rapazes do Braga para o intervalo, conscientes de que na segunda parte alguns deles teriam de correr, amiúde, por dois, para compensar a desvantagem numérica. Que durou pouco. Ao minuto 54, Skubic foi expulso e os bracarenses relaxaram o nervo. Em condições iguais, o triunfo estava ali à mão e este não lhes fugiu, apesar de algumas tremideiras defensivas, alívios mal feitos e consecutivos cantos contra - num desses, o guarda-redes adversário foi tentar a sorte lá à frente, a bola foi cortada e passada para Horta, que fintou um defesa e chutou devagarinho para uma baliza vazia.

Foi um brinde: trabalho é trabalho, konyaque é konyaque.

P.S: O Braga tem agora cinco pontos, mais do que um Gent e quatro do que o Konyaspor, e menos sete do que o Shakhtar. Depende apenas dele para seguir em frente neste Grupo F da Liga Europa. No campeonato, o Braga tem 20 pontos, tantos como o FC Porto, dois a mais do que o Sporting, cinco a menos do que o Benfica. António Salvador tem de estar satisfeito.