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Um disparate para mim, uma asneira para ti

Com tantos erros de parte a parte, o Gent-Sp. Braga só podia mesmo ter acabado empatado. Os minhotos garantiam um lugar na próxima fase da Liga Europa em caso de vitória, mas foram à Bélgica jogar a medo e bem podem agradecer ao guarda-redes e à defesa rival pelas “ofertas” nos golos. Todas as decisões ficam adiadas para a última jornada

Lídia Paralta Gomes

FRANCOIS LENOIR/Reuters

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O espírito natalício chegou antes do tempo à Liga Europa. Só assim se explica a quantidade de “ofertas”, umas mais engraçadas que outras, a que assistimos no Gent-Sp. Braga. Os presentes foram dados de parte a parte para ninguém ficar triste, de tal forma que o empate 2-2 soa quase a justiça divina, ainda que os minhotos não tenham feito quase nada para ganhar pontos na Bélgica.

Valeu a José Peseiro que o Gent estava numa de dar. E depois de carregar e carregar a defesa do Sp. Braga com um 3-5-2 muito agressivo, a equipa belga viu o guardião Thoelen oferecer o primeiro presente da noite (não seria o último). À passagem dos 15 minutos, Ricardo Horta rematou forte e Thoelen, entre a indecisão de agarrar ou socar a bola, deixou-a escapar para a frente. Nikola Stojiljkovic, astuto e aproveitando a passividade dos defesas belgas, foi lá para a recarga.

Primeiro erro do jogo, primeiro golo e como nisto dos disparates o azar calha a todos, o árbitro Vladislav Bezborodov quis entrar na festa logo a seguir. Como que imbuído do espírito, o juíz russo não viu um corte com a mão de Rosic na área do Sp. Braga. Seis minutos, o central sérvio quis retribuir e pouco fez para evitar um pontapé acrobático de Coulibaly na área. A bola foi direitinha às redes da baliza de Matheus, restabelecendo-se alguma justiça tal era o caudal ofensivo da equipa da casa.

Mas a normalidade só durou mais uns minutos. Thoelen, a quem só faltou o barrete de Pai Natal, fez frente a um Wilson Eduardo que surgia sozinho na direita, mas defendeu para a frente. E ainda menos famosa que a intervenção do guarda-redes foi a intensidade de Mitrovic, mostrando o porquê de nunca ter conseguido impor-se no Benfica. O central falhou o corte e desta vez quem aproveitou a ressaca foi Hassan.

BRUNO FAHY/Getty

O jogo estava então numa fase elétrica, porque quatro minutos depois o Gent voltou a empatar. Talvez solidário com a noite para esquecer do seu companheiro de profissão, Matheus também inscreveu o seu nome na lista de asneiras, que nesta altura já ia longa. O guarda-redes brasileiro não conseguiu responder da melhor forma a um remate enroscado, colocando a bola exatamente no local onde estava Danijel Milicevic, que não disse que não à oferta.

Após o intervalo, as mudanças não foram muitas. O Gent com mais vontade de ganhar, o Sp. Braga a apostar no contra-ataque e mais uns quantos disparates de belo efeito. Mas se na 1.ª parte os minhotos tinham mostrado uma impressionante eficácia de aproveitamento de asneiras, tal não aconteceu na etapa complementar. Aos 57 minutos, Mitrovic deu a bola de presente a Nikola Stojiljkovic, o sérvio serviu Wilson Eduardo que rematou para, adivinhem, Thoelen não agarrar. Na sequência, Ricardo Horta rematou com estrondo para a barra. E já dentro dos últimos 20 minutos, Hassan preferiu rematar quando tinha dois colegas sozinhos em frente à baliza. Peseiro gostou tanto que logo a seguir tirou o egípcio para colocar Rui Fonte. Já para colocar Pedro Santos, no banco sabe-se lá porquê, o técnico resolveu esperar até aos 89 minutos...

Nos últimos minutos foi sofrer para aguentar o empate, num jogo que o Sp. Braga devia ter ganho. Porque é melhor que o Gent e porque na última jornada terá a difícil tarefa de bater o Shakhtar de Paulo Fonseca para não ter de depender de ninguém. Já os belgas, com menos um ponto que os minhotos, jogam com o tenrinho Konyaspor. No campo das probabilidades, o Sp. Braga está, no mínimo, a arriscar-se.