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Os troféus medem-se aos pares de cuecas. Como o Hoffenheim é uma péssima notícia para o Braga

O Sp. Braga tem razões para estar preocupado e queixar-se de falta de sorte na Liga Europa. O Hoffenheim, o clube alemão que os bracarenses vão enfrentar esta quinta-feira (18h, SportTV1), derrotou no último fim-de-semana o Bayern de Munique e, neste momento, partilha o primeiro lugar da Bundesliga com o Dortmund e o Hannover. Afastado da Liga dos Campeões nos ‘play-offs’ pelo Liverpool, o Hoffenheim vai a jogo com estatuto de cabeça de lista. Julian Nagelsmann, com apenas 30 anos, lidera a equipa que promete ser o novo colosso surpresa do campeonato alemão - e faz contas aos pares de roupa interior que tem, por comparação com os prémios de Ancelloti

Fábio Monteiro

DANIEL ROLAND

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Quando se fala da Bundesliga, fala-se, na maioria das vezes, de Bayern de Munique. Ou de Borussia de Dortmund. Ou de Hannover. Mas se falarmos agora em Hoffenheim, o mais normal será que muitos portugueses fiquem a pensar: quem?

Ainda a Bundesliga vai na terceira jornada e a surpresa das últimas duas épocas está a metamorfosear-se na confirmação deste ano: surgiu novo colosso alemão. Isto, digamos, são más notícias para o Sp. Braga - esta quinta-feira, quando forem 18horas, a equipa minhota vai defrontar o mais recente prodígio do campeonato alemão na primeira jornada da Liga Europa.

Se os bracarenses estiveram atentos ao que se passou no último fim-de-semana, e Abel Ferreira de certeza que esteve, os motivos para preocupação devem ser muitos: como se fosse fácil, o Hoffenheim ‘sentou’, fez o que quis do Bayern de Munique, ganhando por 2-0, com dois jogos de um inspirado Mark Uth. Neste momento, o Hoffenheim divide a liderança do campeonato com o Borussia e o Hannover, todos com sete pontos.

Para complicar as contas dos portugueses, não há grandes nomes no Hoffenheim: há coletivo e garra. Mais de 70% dos jogadores tem idades abaixo dos 25 anos e vem da academia do clube. Para travar a equipa alemã, o Braga vai ter de estar atento a todos os jogadores, bloquear a ‘Autobahn’ que os alemães conseguem criar nas alas, quando partem para o ataque, mas também a competência e eficiência alemã na hora de marcar. Nada disto será fácil, claro.

À semelhança do treinador, que diz não ficar preso a sistemas tácticos de 4-5-1 ou 4-3-3, mas pensar com base em 11 jogadores dentro de campo, o Hoffenheim remata primeiro, fica a pensar na técnica ou estratégia depois.

Julian Nagelsmann, que teve de se retirar do futebol aos 20 anos depois de uma série de lesões, gosta de simplificar, deixar a teoria de parte na hora da prática. Há duas épocas que fez nascer este fenómeno. Ele próprio é um.

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DANIEL ROLAND

Um milagreiro chamado Nagelsmann

O currículo de Julian Nagelsmann é pequeno. Afinal, o treinador do Hoffenheim, também conhecido por ‘mini-Mourinho’, tem apenas 30 anos. Em 2015, tornou-se o mais jovem treinador de sempre a orientar uma equipa na Bundesliga. Ainda assim, esta já é a sua terceira época no clube e os seus feitos não têm sido pequenos: salvou o Hoffenheim de uma descida de divisão e alcançou um quarto lugar na época passada, conseguindo, pela primeira vez para o clube, a possibilidade de o Hoffenheim disputar os ‘play-offs’ da Liga dos Campeões (que perdeu com o Liverpool).

Este ano, Nagelsmann está a começar ao ataque. E, ao que tudo aponta, não faltam interessados em ‘roubá-lo’ - os grandes europeus estão sobre aviso e à caça.

Em entrevista à “Eurosport” há poucos dias, o treinador do Hoffenheim confessou mesmo o sonho de vir a orientar o Bayern Munique no futuro. “O Bayern faz parte dos meus maiores sonhos, vivi em Munique muitos anos. Tenho uma grande conexão com a cidade. É a minha casa”, disse.

“Estou muito, muito feliz com a minha vida. O Bayern poderia fazer dela um bocadinho melhor. Vamos ver”, acrescentou.

Dentro da imprensa alemã, estas palavras vieram pôr em causa o lugar de Carlo Ancelotti e foram entendidas como um pedido de contratação do jovem treinador. A polémica foi tanta que Nagelsmann, conhecido pela sua simplicidade na técnica de jogo, mas também nas palavras, viu-se obrigado a “esclarecer” o que queria dizer.

“Essa frase teve um maior impacto do que eu estava à espera e desejava. Essa entrevista desestabilizou um colega [Carlo Ancelotti] por quem tenho grande respeito. Ele tem mais troféus no palmarés do que eu tenho cuecas! Enviei uma mensagem ao Ancelotti a explicar o que quis dizer com essas declarações. Ponto final no assunto”, disse Nagelsmann.

Com estatuto de cabeça de lista na Liga Europa, o Hoffenheim pode bem vir a conseguir o seu primeiro troféu. E Nagelsmann um novo tipo de par de cuecas...

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