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Coates & Mathieu. União de (l)aço

O Sporting saiu derrotado pelo Atlético de Madrid por 2-0, após dois erros infantis dos seus dois defesas centrais. As meias-finais da Liga Europa estão mais difíceis, até porque nem Coentrão nem Bas Dost poderão jogar a segunda-mão em Lisboa - levaram dois cartões por faltas desnecessárias

Pedro Candeias

Sonia Canada

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Apesar de tudo, Sebastián Coates pode dar-se por feliz: dos três disparates que fez, só um deu golo do Atlético de Madrid, pelo que o rácio asneira/consequência lhe é francamente favorável se comparado com o do colega Mathieu, cujo único desatino resultou logo num golo colchonero.

Primeiro, foi Coates que passou a bola a Diego Costa e este a Koke, e o Atlético adiantou-se aos 23 segundos. Sim, 23 segundos, o que fez deste o golo contra mais rápido da história leonina na UEFA.

Depois, foi Mathieu que se atrapalhou com a bola, Griezmann passou por ele e por Rui Patrício, e o Atlético chegou ao 2-0 ao minuto 40.

Então, o jogo ficou praticamente definido entre o início e o intervalo, numa das exibições parciais mais estranhas do Sporting de que me recordo. Não que tenha estado francamente mal, longe disso: houve jogadas interiores, por William e por Bruno Fernandes, sobretudo por William que se desembaraçou gloriosamente dos seus marcadores para progredir no terreno com bola enquanto as pernas duraram; Piccini e Gelson aproveitaram a linha, onde estava o despassarado Lucas Hernández, para criar duas oportunidades perfeitas para Bas Dost finalizar, mas a coisa não resultou.

O Sporting, entre o minuto um e o minuto 45, também teve mais posse de bola e esteve mais tempo no meio-campo contrário, embora isso signifique pouco contra o Atlético de Simeone, que não se importa de sofrer para partir em contra-ataques fatais.

A minha estranheza prende-se com o aparente desprendimento dos centrais, dois tipos alegadamente sólidos e suficientemente batidos para aguentarem ambientes e adversários difíceis. Há noites assim, é verdade, mas devem ser raras as noites como esta, em que a trapalhada se pegou por osmose.

Na segunda-parte, já sem William e com o corpo mais desgastado, o Sporting perdeu naturalmente intensidade e qualidade. O velhaco Atlético deixou-se ficar, percebendo a fragilidade da presa, para contra-atacar na certeza e naqueles piques potentes de Diego Costa. Vai daí, Coates fez os seus disparates, Jesus esbracejou incredulamente com o que viu e só não caiu redondo porque Diego Costa falhou uma e falhou outra vez, e porque Juanfran fez o mesmo. Se o marcador não avançava, era por causa de Rui Patrício ou pela falta de pontaria colchonera.

Nesta altura, com o futebol tão partido, ninguém se admiraria se o karma, a justiça divina ou o simples alinhar dos astros dessem a volta e oferecessem ao Sporting aquela oportunidade que lhe permitisse reentrar definitivamente no jogo. E, do nada, num remate de Bryan Ruiz defendido à queima por Oblak, a sorte materializou-se na bola solta que foi ter com Montero - e que acabou chutada para o éter.

Ficou 2-0. E ficou muito mais difícil chegar às meias-finais. Até porque, convém não esquecer, em Lisboa não estarão nem Coentrão, nem Bas Dost, ambos amarelados por faltas, enfim, desnecessárias.