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Três é a conta que o Atlético fez na conquista da Liga Europa

Os colchoneros ganharam, pela terceira vez, a segunda competição de clubes mais importante da UEFA com um robusto triunfo por 3-0 frente ao Marselha de Rolando (que não saiu do banco). Griezmann bisou e foi a figura da partida

Tiago Oliveira

Os jogadores do Atlético de Madrid festejam a conquista da terceira Liga Europa da história do clube

Matthias Hangst

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Até parece fácil, não é? Entre Griezmann, Diego Costa, Simeone ou "ganas", como dizem "nuestros hermanos", há muito para apontar como o segredo do sucesso do Atlético do Madrid, que se parece capaz de reinventar a cada ano sem perder os princípios que tornam os "colchoneros" numa das equipas mais temíveis da Europa no que a competições a eliminar diz respeito. Após dois desgostos em duas finais da Liga dos Campeões frente aos vizinhos da capital espanhola, é hora de, seis anos depois, saborear finalmente a glória europeia com a vitória na final da Liga Europa frente ao Marselha por 3-0.

Vistos como os grandes favoritos à conquista da prova desde a sua descida da Liga dos Campeões deste ano, o Atlético foi ultrapassando obstáculos como Sporting (com quem perdeu o único jogo nesta caminhada) ou o Arsenal (na despedida europeia ao leme dos gunners de Wenger) para marcar presença em Lyon e garantir mais um título no reinado de "El Cholo" Simeone.

No caminho, o Marselha, que jogava a menos de 300 kms do seu estádio e procurava regressar aos triunfos europeus após a conquista da Champions em 1993. O pontapé de Evra em Guimarães, a reviravolta épica frente ao RB Leipzig ou o golo no último suspiro de Rolando são marcas de uma caminhada bastante mais acidentada que a dos espanhóis, mas o factor "quase" casa prometia dificuldades. E, sejamos francos, jogadores como Payet são capazes, nos seus melhores dias, de ganhar jogos frente às defesas mais bem montadas.

Os ingredientes estavam preparados e os primeiros minutos mostraram um Marselha a tentar contrariar o favoritismo madrileno. De tal forma que tiveram, inclusivamente, a primeira grande oportunidade do jogo quando, após uma boa triangulação no meio campo, Payet lançou Germain na cara de Oblak, com um passe de morte, aos 4 minutos. Só que o avançado francês acertou mal na bola e rematou ao lado.

Primeiro strike falhado para os marselheses que, na boa tradição das melhores versões da equipa de Simeone, não passou sem castigo. Culpa para o guarda-redes Mandanda e Anguissa. O primeiro porque fez um passe na queima para o segundo, que passou para onde estava virado, neste caso, Gabi. De primeira, o capitão colchonero isolou Griezmann que desfeiteou o guardião adversário sem problemas. 21 minutos e 1-0.

O jogo seguiu então da forma que o Atlético mais gosta, controlado, a ritmo lento e sem que a equipa contrária se mostrasse capaz de incomodar muito, além de uma posse de bola mais estéril que outra coisa. Cenário que se agravou com a saída por lesão de Payet aos 31 minutos. Sem mais lances de perigo até o apito para o descanso, previa-se uma tentativa de reação do Marselha para a segunda parte, até com o antigo avançado do Benfica, Mitroglou, no banco. Nada mais incorreto.

Griezmann foi a grande figura do encontro ao bisar na partida

Griezmann foi a grande figura do encontro ao bisar na partida

FRANCK FIFE

Seria mesmo o Atlético a entrar com tudo e a chegar rapidamente ao 2-0, com Griezmann, mais uma vez a bater Mandanda, agora a passe de Koke aos 49 minutos. Logo de seguida, Gódin falhou por muito pouco o 3-0 e poucas vezes o encontro pareceu sair do controlo dos espanhóis que foram dominando as operações. História que poderia ter sido diferente caso uma mini-reação dos franceses tivesse redundado em golo, sobretudo quando Mitroglou atirou ao poste aos 80 minutos.

Foi o canto de cisne do Marselha que, perto do final da partida, sofreu o golpe final com Gabi a fazer o 3-0. Para completar a festa, ainda deu para uma das maiores figuras da história colchonera, Fernando Torres, entrar para se despedir dos adeptos e fazer parte de mais uma conquista. Vitória sem contestação e terceira Liga Europa de uma equipa eficaz como poucas.