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Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #2: E pronto, tentámos (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco- Bastos

PIERRE-PHILIPPE MARCOU

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Que azar. Logo agora que éramos campeões da Europa, trazíamos connosco uma bagagem e coesão invulgares e apresentávamos um aprazível misto de experiência e juventude, o nosso primeiro adversário decide despedir Lopetegui 48h antes do primeiro jogo. Um balneário que acabou de se ver livre de Lopetegui torna-se automaticamente na selecção mais motivada do Mundial e principal favorita à conquista da prova.

Esta é, cheira-me, uma jogada há muito preparada pela Federação Espanhola. De génio, diga-se. De que forma se pode atingir níveis competitivos nunca antes vistos, especialmente num país que nem há 10 anos venceu tudo o que havia para vencer? Obrigando os atletas a trabalhar com Lopetegui durante toda a qualificação para, na véspera de entrar em campo na fase final, lhes retirar esse peso de cima. É uma injecção de adrenalina impossível de conseguir doutra forma. Nuestros hermanos têm uma cultura de planeamento desportivo, realmente, muito superior. Por cá, continuamos com aquele método arcaico de 1) escolher um seleccionador que acreditamos que pode fazer um bom trabalho 2) caso faça um bom trabalho, mantê-lo em funções. Duvido que dê frutos.

Estou curioso para perceber que ecos terá esta sucessão de acontecimentos junto das outras selecções candidatas: é pouco provável que França, Alemanha ou Brasil se deixem ficar. Não me espantaria se, ainda hoje, contratassem respectivamente Graeme Souness, Quique Flores e Chalana, só para os poderem despedir na véspera dos seus primeiros jogos na Rússia, tentando igualar os astronómicos índices motivacionais da selecção espanhola. Prevejo semanas agitadas.

Ainda antes de nós, jogam hoje Rússia e Arábia Saudita que, segundo sei, são dois países. Em princípio não devo ver: há um Macaabi Tel-Aviv - Anorthosis Famagusta na Eurosport à mesma hora.