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Perfil

Luís Franco-Bastos

“Estado puro” #3: Que comecem as hostilidades

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco- Bastos

Matthew Ashton - AMA

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Está na moda esta onda retro-vintage nos equipamentos. As camisolas de agora prestam homenagem a selecções icónicas de anos anteriores. Por exemplo, o equipamento verde da Arábia Saudita é um tributo a todas as miseráveis prestações do país em Mundiais anteriores, cujo futebol mais parecia excremento de vaca. A Arábia Saudita faz-me lembrar aqueles concorrentes de talent-shows que tentaram todos os programas que havia em Portugal, desde o Ídolos ao Factor X, sem nunca passarem da primeira fase em nenhum. Talvez se justifique fazerem o exercício de pensar “Isto se calhar não é para mim”.

Há que dizer que não era tarefa fácil suplantarem uma Rússia que joga o Mundial em casa. Não sei se conhecem, mas recomendo que visionem o documentário “Icarus” que está disponível na Netflix (ou, se tiverem menos escrúpulos, saquem). Debruça-se sobre um elaboradíssimo esquema de doping num atleta russo, nomeadamente um ciclista amador. Eis onde quero chegar: se os russos dopam um ciclista amador, tenho medo de imaginar o que não fizeram aos seus futebolistas num Mundial jogado na Rússia. Na próxima jornada frente ao Egipto, prevejo que Golodin levante voo enquanto Cherychev aniquile os centrais adversários cuspindo raios dos olhos.

E eis que chegou a nossa vez – uma Espanha envolta em controvérsia pode, à partida, parecer um adversário mais fragilizado, mas não se esqueçam que os espanhóis têm uma longa experiência a lidar com divisões internas. Há anos que mantêm em cativeiro um vulcão adormecido chamado Catalunha e, de alguma forma, o país no seu todo vai funcionando. Nisso, temos muito a aprender: no dia em que a Figueira da Foz dissesse que não queria mais fazer parte de Portugal, o nosso país colapsava.

O meu palpite para este jogo é claro: um rotundo empate a zero. Espanha a tentar encontar o seu caminho depois da agitação, Portugal calculista como Fernando Santos nos habituou e duas equipas encaixadíssimas uma na outra até porque, se podemos resolver isto contra Marrocos e contra o génio futebolístico de Carlos Queiroz, este derby ibérico não é o momento para nos chatearmos. O Portugal-Espanha será o último jogo de preparação para o Mundial 2018. Depois já é a valer.