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Luís Franco-Bastos

"Estado Puro #4": Portogallo, a Squadra-Vermelho-e-Verde-Azzurra (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco- Bastos

Chris Brunskill/Fantasista

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Quando há meses a Itália falhou a qualificação para o Mundial, muitos dos amantes de futebol ficaram decepcionados. Um Mundial sem a Squadra Azzura não era a mesma coisa. Agora se percebe que é, na verdade, uma simples inevitabilidade do futebol e da vida – a selecção natural, um dos mecanismos essenciais da evolução segundo Charles Darwin. Não restam dúvidas: actualmente, Portugal é uma Itália de elevadíssimo gabarito. A Mãe Natureza chegou à conclusão que não era preciso duas.

Um resultado extremamente bem esgalhado com um penalty, um frango-do-campo biológico e um livre directo a 4 minutos do fim, 36% de posse de bola e centrais com uma média de idades de 72 anos - atrevo-me a dizer que somos uma Itália melhor do que a Itália alguma vez foi.

Até porque, enquanto a Itália original contou ao longo dos anos com inúmeros talismãs capazes de fazer a diferença, de Totti a Del Piero, passando por Pirlo e não esquecendo Buffon, nós, quando a corda no pescoço aperta, contamos basicamente com Ronaldini.

Morto e enterrado, diziam. Precisou de 4 minutos para marcar no 4º Mundial consecutivo – ainda menos do que demora a encomendar bébés na Amazon. 33 anos, o mais velho de sempre a fazer um hat-trick num Mundial, do qual já é o melhor marcador.

Se tinha uma algália, não dei por ela. Por falar em algália, muito interessante o anúncio da MEO onde Ronaldo, Quaresma, William e Bruno Alves aparecem enquanto septuagenários. Boa escolha de elenco, até porque Bruno Alves nem precisou de caracterização.

Portugal foi pioneiro na instauração do VAR e isso contribuiu para a sua massificação. Aliás, o caso português foi de tal forma inspirador que o VAR funciona no Mundial exactamente como funciona cá: muito raramente. Ou isso, ou ninguém da equipa de arbitragem acreditou que fosse possível haver uma agressão e Pepe estar no papel de vítima. Até tivemos sorte: se tivessem visto a repetição mais uma ou duas vezes, provavelmente o pescoço de Pepe era expulso por agressão ao braço de Diego Costa.

Este era, teoricamente, o jogo mais difícil do grupo mas ontem surgiu um dado novo: o Irão é agora uma potência do futebol mundial e, nesta altura, lidera o grupo de forma isolada. Com Portugal, Espanha e Irão, o grupo B revela-se afinal o grupo da morte. Da última vez que nos calhou um grupalhão assim, cilindrámos quase toda a gente no Euro 2000.

Estou optimista.