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Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #5. Sou o Pogba do Expresso: não valho o que pagaram, mas agora já está (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco- Bastos

Shaun Botterill - FIFA

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Estou há cinco dias consecutivos a escrever sobre futebol e não recebi uma única ameaça de morte, nem uma oferta de violência gratuita ou qualquer insultozito mixuruca. Esta relação não vai resultar se for só eu a dar. Eu dou-vos e vocês dão-me, há duas vias, duas partes. Se não cuidarmos, de ambos os lados, da plantinha do amor, ela morre.

Vá, ajudem-me. Se não consigo sequer que um único jagunço munido de um teclado numa cave me mande morrer, de que serve andar metido nisto? É tramado sentir que estou a falar sozinho.

Ainda por cima, sinto que fiz tudo o que estava ao meu alcance: opinei, ironizei, distorci, exagerei, critiquei. Os cinco pecados capitais da Internet. Não só ninguém me odeia, como receio até que muitos simpatizem comigo. A nível de crónica futebolística, é o mesmo que ser o amigo gordo querido. Sou a Islândia das crónicas.

Talvez tenha de aceitar que estou para a Tribuna Expresso como Pogba para o United: claramente não valho o que eles pagaram, mas agora já está. Pogba fez o gosto ao pé (esperei uma vida inteira para usar esta expressão profissionalmente e, sinceramente, não compensou a espera) e a França lá ganhou aos Socceroos.

Vi o jogo inteiro entre os Bleus e a Austrália a desejar que a Sport TV tivesse alguma funcionalidade para ligarmos o comando da Playstation e controlarmos os jogadores. Ter Dembelé, Griezmann e Mbappé na frente e não vencer por 6-0 devia ser punível com suspensão de competições internacionais durante 2 anos. E, só por serem franceses, levavam mais 60.

A dada altura, e a precisar de marcar, Deschamps tira Griezmann. Só confirmou as suspeitas que já tinha há algum tempo: trata-se dum filho ilegítimo de Trappatoni que, quando sofria um golo e ficava a perder 1-0 aos 89', metia mais um central e tentava aguentar como podia.

Mas, sem sombra de dúvida, a minha maior consternação ao fim de 5 dias de Mundial é o quão mal feito está o calendário. Chegam a passar-se 15 horas consecutivas sem jogos, nomeadamente entre as 22h00 e as 13h00. É suposto fazer o quê nesse período? Dormir? Isso faço durante o ano enquanto o Barça troca a bola. E pronto. Se com esta desconsideração pelo Barcelona nenhum internauta do Montijo me mandar à merda, é porque definitivamente ninguém lê isto. Vocês são testemunhas de que tentei.