Tribuna Expresso

Perfil

Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #7. Suécia, por exclusão de partes, é campeã (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco-Bastos

NurPhoto

Partilhar

O Brasil empatou, a Argentina empatou, Portugal empatou, a Espanha empatou, a Alemanha perdeu, França e Inglaterra ganharam sabe Deus como, Itália e Holanda nem se qualificaram, pelo que só temos a lamentar que o Suécia-Coreia do Sul de ontem tenha acontecido tão cedo na competição. Por exclusão de partes, são os dois grandes favoritos à conquista do Mundial.

Poderiam, eventualmente, voltar a cruzar-se mais adiante, como Portugal e Grécia em 2004, mas não creio que aconteça. A Coreia não se vai recompor deste golpe. Não me refiro à derrota em si, mas à instauração do vídeo-árbitro que veio dificultar o uso de técnicas avançadas de Taekwondo. Aparentemente, agora os penalties são para marcar. Alguns, pelo menos. O mínimo que justifique o investimento nas câmaras e nos ecrãs, para não se perceber que é na verdade lavagem de dinheiro. Os ingleses, por exemplo, queixaram-se de penalty sobre Harry Kane, possivelmente com razão. A nível de selecções, equivalem neste momento a uma MILF divorciada cheia de vontade de curtir: são um clássico, mas pela primeira vez em séculos têm um treinador com menos de 73 anos e um futebol interessante.

Já a Suécia, estou em crer, não mais parará até ao jogo decisivo e arrecadará o troféu. É uma péssima notícia para a indústria pornográfica – enquanto houver suecas nas bancadas, o tráfego do YouPorn estará 60% abaixo do normal porque, de facto, não há necessidade de lá ir. O sucesso da Suécia pode, assim, mexer com vários interesses e não me espantaria que Brazzers e Naughty America (vá, vamos lá parar de fingir que não sabemos do que se trata) fizessem uma vaquinha para aliciar árbitros, no sentido de afastar a selecção sueca dos relvados e as adeptas das bancadas. Há tráfegos a manter e compromissos publicitários a cumprir.

Uma palavra para o Panamá que, obviamente, arrecadará o terceiro lugar num despique com o Japão. Começaram mal, é certo, mas pelo que vi até agora, têm futebol mais que suficiente para este Torneio do Guadiana 2018.