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Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #8. Mais decisivo que a forma dos jogadores é o local onde vemos o jogo (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco-Bastos

Patrik Stollarz

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Milhões de portugueses têm, neste preciso momento, um dilema bicudo para resolver: onde ver o jogo. E, acima de tudo, perceber até que ponto isso não influenciará decisivamente a prestação da Selecção Nacional. Todos os adeptos são defensores da teoria eu-enquanto-adepto-cêntrica (que, como sabemos, há uns anos atirou Galileu Galilei para a fogueira), ou seja, cada adepto acha que o local onde ele próprio vai ver o jogo é que dará sorte ou azar a Portugal.

Durante anos, fui monogâmico em termos de locais de visionamento de jogos da Selecção, isto é, em cada competição, via religiosamente no mesmo sítio. Em 2004 foi em minha casa com os meus pais, em 2006 foi sempre em casa do mesmo colega da escola, etc. E não compreendia porque é que, a dada altura, o esquema falhava. “Como assim, acabámos de perder a final com a Grécia se eu não mudei de sítio?”.

Em 2016, as desilusões já tinham sido tantas que resolvi ver os jogos ao sabor do vento. Olha, que se lixe: Casa / Paris, no estádio / VIP Lounge Terreiro do Paço / Mercado de Carcavelos / Casa / Casa / VIP Lounge Terreiro do Paço. Surpreendentemente, resultou. Foi como aqueles casais que estão há que tempos a tentar engravidar, não conseguem e quando, de repente, relaxam, engravidam sem querer de 8 gémeos e têm que mudar para um open-space em Famões.

Ainda que haja outros factores secundários que também influenciam a prestação da Selecção, como, por exemplo, as escolhas do seleccionador, o estado de forma dos jogadores, a transparência da arbitragem, as condições psicológicas do grupo, o clima, a conservação do relvado ou a qualidade dos adversários, ninguém me convence de que o local onde vejo os jogos não é “o” factor. Isso, e o Miguel Veloso finalmente não figurar entre os convocados.

O jogo de hoje com Marrocos não é ainda o mais decisivo e creio, com um optimismo realista e racional, que temos todas as condições de o tornar fácil se estivermos ao nosso nível. Por esse motivo, vou dar-me ao luxo de repetir o local de visionamento do jogo anterior, até porque uns amigos meus tiveram um bébé e não é fácil mudar à última hora o local onde descarregam o camião-TIR de equipamento com que agora andam por causa dele.

A partir do próximo jogo, tenho marcado um inter-rail para garantir diversidade nos locais. Já rabisquei um roteiro para o visionamento dos 5 jogos seguintes, assumindo que vamos à final: Viena / Praga / Ourém / Berlim / Alegro de Setúbal. Se resultou em 2016, não tem como falhar agora. Vamos, Portugal!