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Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #9. O campeão voltou (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco- Bastos

JUAN MABROMATA

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Que máquina. Que bomba. Na hora H, não nos falhou. Quando parecia que mais ninguém queria, ele quis por todos, fez acontecer e Portugal deve-lhe a vitória. Falo de Mark Geiger, o árbitro do Portugal-Marrocos, que é já um dos maiores nomes de sempre do desporto português. A meu ver, devia ter um busto em todos os aeroportos de Portugal a partir de hoje. Fez mais pela nossa selecção em 90 minutos do que Miguel Veloso nos 9395 que contabilizou ao todo com a camisola das Quinas.

Que bom que é sermos o país grande para variar, não é? Aquelas sarrafadas que até numa televisão chuvosa por satélite a 80.000 km de distância daria para ver que era penalty, e que ele nem se atreveu a ponderar apitar. Refrescante. O Universo continua a compensar-nos. Já fomos Marrocos várias vezes. É assim a vida. Não tenham pena deles: daqui a uns meses, algum central marroquino há-de assassinar à paulada um avançado da Suazilândia na qualificação para a CAN 2019 e o árbitro nem se atreverá a penalizar Marrocos. Há sempre alguém mais abaixo na cadeia alimentar.

Num jogo que se adivinhava complicado, Fernando Santos insistiu em Gonçalo Guedes - se com 11 já seria difícil, em inferioridade numérica mais difícil ficou. Independentemente de qual é a estratégia, no futebol o importante é haver uma e, essa, temo-la bem definida: rezar para que Ronaldo marque nos primeiros 4 minutos e aguentar em pura agonia os restantes 86. Já ganhámos um Europeu assim – mudar de estratégia agora seria, de facto, uma estupidez. Jogámos um nojo e, como é óbvio, reforçámos o nosso favoritismo neste Mundial.

CR7 é, evidentemente, um monstro e eu, como qualquer português, estaria na disposição de lhe fazer um bébé (pelas minhas contas, seria o 15º). Não esquecer que já leva dois “Man-of-the-Match” no bucho e o Mundial ainda agora começou. Reparem que este não é apenas um prémio simbólico, há uma taça física que é efectivamente entregue ao melhor jogador. Só passaram duas jornadas e Ronaldo, individualmente, já vai levar para casa mais taças que a Selecção campeã do mundo, que só leva uma. Que nível ridículo de-melhor-do-mundice.

Único reparo que lhe faço: aquela tentativa de simulação de falta já perto do fim não é digna dum jogador daquela categoria. Muito pouco credível. Ainda por cima, a primeira coisa que fez quando se levantou foi pedir vídeo-árbitro. Este não era de todo o jogo nem o momento para relembrar a existência dessa ferramenta, ou o nosso grande amigo e árbitro Mark Geiger ainda tinha a ideia de ir rever lances para trás e de repente chegava à conclusão que Marrocos estava a ganhar 4-1. Desta vez passa, Cristy. Mais cabeça da próxima vez.