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Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #12. Ninguém pára a Alemanha 'Allez-Oh' (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco-Bastos

Anadolu Agency

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“O futebol é um jogo simples”, já dizia Gary Lineker. “São 22 jogadores, 11 de cada lado a correr atrás duma bola, no primeiro jogo perdem, dando esperança ao mundo inteiro de que não vão a lado nenhum, no segundo parece que vão definitivamente de vela mas a escassos segundos do fim ganham com um livre muitíssimo bem executado e portanto ganham o tónico motivacional que precisavam, tudo muda e no fim confirma-se que ganha a Alemanha.”

Posso não ter citado Lineker com exactidão – pesquisei, mas nada do que encontrei me satisfez. No entanto, creio ter descrito a situação de forma bastante precisa. Isto atinge novos picos de crueldade. A Alemanha perdeu com o México só para dar a entender que se ia confirmar a maldição dos detentores do título, fez com que a malta relaxasse e agora estão prontos para limpar isto outra vez.

Pior do que espezinhar o inimigo é, propositadamente, dar-lhe esperança para de seguida lha retirar brutalmente. Achávamos nós que Hitler era diabólico: Joachim Low é a encarnação do mal. Não quero imaginar o que faria se, para além de Tony Kroos, lhe dessem um exército. Se bem que, tendo Tony Kroos, não precisa de um exército.

Esta vitória germânica tem repercussões a vários níveis. Algumas que o comum adepto nem sonha. Por exemplo, a partir do momento em que a Alemanha vence este jogo, renovando totalmente as suas esperanças no campeonato, todas as outras 31 selecções pré-reservam automaticamente vôos de regresso, provocando uma forte escassez no mercado das companhias aéreas. Têm este hobby de ganhar tudo mas não ponderam os prós e os contras. Talvez daqui a mais sete ou oito mundiais ganhos sejam mais gentis. Vamos esperar.