Tribuna Expresso

Perfil

Luís Franco-Bastos

“Estado Puro” #26. Rússia foi o limpa palato de Mário Fernandes após ver que a relação com o Brasil não tinha dado certo

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Mário Fernandes falhou um penálti frente à Croácia

Robert Cianflone - FIFA

Partilhar

Que injusta, a eliminação russa. Feitas as contas, constata-se que o número de jogadores russos foi exatamente igual ao número de jogadores croatas a falhar penáltis: um para cada lado. Depois, a Rússia teve o azar de haver um adepto brasileiro, de férias na Rússia e equipado a rigor, com a infeliz ideia de invadir o relvado e cobrar aquele penálti sem sucesso.

Atenção, não sou propriamente anti-naturalizações. Quando o jogador emigra jovem e nunca alinhou pelo país onde nasceu, se sente mais a bandeira do país onde vive, faz sentido. Mas o lateral direito russ... Brasileir... Russo, Mário Fernandes, não só viveu no Brasil até ser um homem mais que feito, como fez tudo para singrar no Escrete, teve muitos altos e baixos por causa de saídas noturnas e álcool, chegou finalmente a ser convocado, jogou num particular e só porque nunca mais foi chamado, apercebeu-se que era russo desde pequenino.

No fundo, Mário Fernandes passou a noite de volta duma gatinha que lhe interessava e quando viu que não conseguia, optou então pela amiga estrábica. A Rússia foi o limpa palato de Mário Fernandes após ver que a relação com o Brasil não tinha dado certo. Rússia, achei que tinhas mais amor próprio. Uma das maiores potências mundiais e dás por ti a ser a “rebound girl”. Que tristeza.

Certamente que as tuas amigas te avisaram. A Moldávia, a Bielorrússia, a Ucrânia, de volta da Rússia num jantar de miúdas no Príncipe Real, a fazer-lhe uma intervention. “Ele não gosta realmente de ti, só te está a usar para esquecer a outra, não sejas segunda opção ou ainda acabas magoada. Rússia. Rússia! Larga o telemóvel. Não vais nada ligar-lhe. Rússia. Chega, não bebes mais.”