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Não contratar um jogador há dois anos? “O horror, o horror!” Ou talvez não (eis o clube que é a antítese do mercado atual)

Quando não há 'sultões', oligarcas ou bilionários a investir num clube de futebol, é preciso jogar com o que se tem. Sem contratar um jogador há 24 meses, o Atlético de Bilbau parece estar a conseguir fazer o impossível: continuar a ganhar e a competir (dentro do possível) com os grandes espanhóis. E está na fase de grupos da Liga Europa

Fábio Monteiro

O Atlético de Bilbau ficou 7º lugar da Liga espanhola em 2016/17

Juan Manuel Serrano Arce/Getty

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A meio deste verão gerou-se uma certa estranheza quando se começou a fazer as contas aos gastos no mercado de transferências e todos perceberam que o FC Porto, orientado por Sérgio Conceição, ainda não tinha contratado ninguém. Alguns adeptos ficaram com receio que os dragões, sem caras novas no plantel, não tivessem ter capacidade de lutar pelo campeonato.

Entretanto, o FC Porto já contratou (mas ‘poucochinho’) e está a ter um arranque de época fulminante. Mas imagine-se uma situação ainda mais complicada: um clube, que compita no primeiro escalão do seu país, e que não contrate ninguém há dois anos. Irreal?

Não é preciso imaginar, porque é isso que acontece com o Atlético de Bilbau.

Não comprar e continuar a ganhar

Para muitos clubes, a situação do Atlético de Bilbau seria um cenário de terror digno do grito de Kurtz, na novela “Coração das Trevas”, a Marlow: “O horror, o horror!”. Sobreviver no futebol espanhol, competir com o Real Madrid e o Barcelona, clubes com histórico de compras milionárias, e subsistir com base em jogadores produzidos nas escolas do clube, seria algo impensável.

Mas o Atlético de Bilbau parece viver numa realidade à parte, como chamou recentemente à atenção o site desportivo “SpheraSports”. Longe de investimentos exurbitantes de xeiques ou oligarcas, o clube espanhol não tem nenhum registo de transferências nos últimos 24 meses e continua a render ao mais alto nível.

Mesmo com esta limitação, é de lembrar, o Atlético de Bilbau foi 7º da Liga espanhola na época passada e qualificou-se para a fase de grupos da Liga Europa - ainda na quinta-feira venceu o Panathinaikos por 1-0 nos “play-offs” -, na qual vai agora defrontar Hertha de Berlim (Alemanha), Zorya (Ucrânia) e Ostersunds FK (Suécia), no grupo J da prova.

Raúl García foi a última contratação do Atlético de Bilbau - há dois anos

Raúl García foi a última contratação do Atlético de Bilbau - há dois anos

MIGUEL RIOPA/GETTY

O último jogador que assinou pelo Bilbau foi Raúl García, ex-Atlético de Madrid, em agosto de 2015, a troco de oito milhões de euros. Nesse mesmo ano, o Atlético já mostrava o seu espírito de “poupadinho” no mercado de transferências: os restantes reforços que chegaram, Javier Eraso, do CD Leganés, Gorka Elustondo, do Real Sociedad, Eneko Bóveda, do Eibar, vieram a custo zero.

Já na época anterior (2014/2015), a única contratação do Bilbao foi Borja Viguera, por um milhão de euros.

É que o Atlético orgulha-se de criar os seus “filhotes” na academia do clube, baseada em Lezama, e mesmo quem vem de "fora" tem de cumprir um pressuposto indispensável: ser natural da região basca. Quem disse que era preciso depender de grandes investidores estrangeiros para manter um clube na 'La Liga'? Tendo em conta o rendimento do Atlético de Bilbau, não há nada de que ter vergonha.

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