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Um, dois, três, quatro, cinco: os temas que marcaram o fim de semana desportivo

Os golos de Ronaldo, o brilhantismo de Verstappen, a azia de Djokovic, a loucura de McGregor e o recorde de Ricardo Melo Gouveia - eis o fim de semana desportivo em cinco pontos

Mariana Cabral

Cristiano Ronaldo continua a brilhar pela seleção portuguesa

FRANCISCO LEONG/Getty

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1. Um manequim que está farto de se mexer - e marcar

Pouco depois de olear os abdominais para mais uma pose impressionante no “desafio do manequim” (é ver AQUI), Cristiano Ronaldo voltou a impressionar. Ele já tinha dito que 2016 estava a ser o melhor ano da carreira e domingo à noite voltou a confirmá-lo. A exibição de Portugal não foi brilhante e Ronaldo até falhou um penálti (já tinha falhado este ano contra a Bulgária e contra a Áustria), mas compensou o desacerto com um bis que lhe permitiu ultrapassar mais uma série de marcas:

- chegou ao sétimo golo na fase de qualificação (o polaco Lewandowski também tem sete), em apenas três jogos;

- marcou 13 golos pela seleção em 2016, um novo recorde português (Eusébio marcou 12 em 1966);

- chegou aos 22 golos em qualificações para Mundiais (só o ucraniano Shevchenko - já retirado - tem mais: 26)

- passou a ser o melhor marcador em qualificações para Europeus e Mundiais, com 42 golos, mais dois do que Keane e mais quatro do que Ibrahimovic;

- tornou-se o quarto melhor marcador de uma seleção europeia, com 68 golos (Puskas marcou 84, Sandor marcou 75 e Klose marcou 71).

E, aos 31 anos, ainda tem muito para dar. Até aos 41, diz ele (confirme AQUI). Enquanto continuar, a seleção terá mais anos assim: Portugal marcou 42 golos este ano, um novo recorde a fechar 2016. Um ano para recordar.

2. Foi no Brasil mas não é só por isso que dizem que é o novo Ayrton

Clive Mason/Getty

Se ainda não conhece o novo enfant terrible da Fórmula 1, está na altura de começar a prestar atenção (e ler este perfil AQUI). Max Verstappen podia ser só mais um puto irreverente a acelerar à maluca, mas é bem mais do que isso. “Testemunhámos algo muito especial”, disse Christian Horner, chefe da Red Bull, na qual corre o belga de 19 anos. “A maneira como ele pilotou foi fora de série. Fez lembrar Ayrton Senna no Mónaco e outras grandes corridas da história”.

Verstappen esteve em 16º lugar depois de uma paragem quando ainda faltavam 16 voltas, mas acelerou de tal maneira que acabou a prova em 3º lugar. A prestação foi especialmente impressionante pelo mau tempo em Interlagos, que dificultou a corrida para os pilotos e obrigou Verstappen a manter o sangue frio quando esteve perto de se despistar.

“Foi uma corrida incrível, houve bandeiras vermelhas, condições difíceis, especialmente na recta das boxes. Estava realmente muito escorregadio”, disse o miúdo. “Cortei um pouco a linha, tive um momento duro, travando as quatro rodas, mas conseguiu manter o carro longe do rail”. E conseguiu impressionar toda a gente, ofuscando o vencedor da corrida - Lewis Hamilton, que reduziu a desvantagem para o líder - e colega - Nico Rosberg para 12 pontos. O Mundial vai decidir-se na última corrida da época, em Abu Dhabi, a 27 de novembro.

3. Rir é o melhor remédio para o (mau) génio

Depois de perder a liderança do ranking mundial para Andy Murray (leia AQUI a história do “patinho feio” britânico), Novak Djokovic voltou às boas exibições ao derrotar Dominic Thiem (6-7, 6-0 e 6-2) no primeiro jogo das ATP World Tour Finals, que reúne os oito melhores tenistas da época.

O que deveria ter sido um momento de felicidade acabou por se tornar em frustração quando Djokovic foi questionado por um jornalista, após o jogo, sobre uma bola que enviou para a bancada - quase acertando num adepto - depois de perder o primeiro set. “Vocês são inacreditáveis”, desabafou o tenista sérvio, quando um jornalista lhe perguntou pela advertência por conduta antidesportiva que recebeu. “Estão sempre a pegar nestes assuntos”, acrescentou.

Djokovic foi perdendo a paciência, apesar de ter mantido o sorriso na cara, enquanto o jornalista insistia que o tenista podia ter sido suspenso pelo seu comportamento perigoso. “Também podia ter nevado, mas não nevou”, ripostou o (agora) número dois mundial.

Novak insistiu que a frustração não era um problema para ele, mas a verdade é que os últimos meses não têm sido particularmente felizes para alguém que passou 123 semanas a liderar o ténis mundial. Para além de ter perdido o 1º lugar, Djokovic sofreu uma série de lesões ao longo do ano e admitiu durante os Jogos Olímpicos que tinha de tratar de “problemas fora do court”. Ainda assim, nem tudo é mau. Se ganhar as finais ATP, Djokovic voltará à liderança do ranking.

4. Um fenómeno irlandês

Michael Reaves/Getty

Quando Conor McGregor abre a boca tudo faz lembrar uma caricatura, mas a verdade é que o irlandês corresponde sempre que é desafiado: já tinha o título de campeão do UFC em peso-pluma e agora acrescentou ao palmarés o título em peso-leve, ao derrotar o norte-americano Eddie Alvarez num combate em dois tempos. Perceba melhor este fenómeno - que tem medo de ser pai - AQUI.

5. Uma tacada perfeita para acabar

Stuart Franklin/Getty

Que Ricardo Melo Gouveia é o melhor golfista português já se sabia, mas “Melinho”, como é conhecido no meio, continua a somar marcas históricas para o golfe nacional.

Gouveia ficou este fim de semana no 3º lugar do Nedbank Golf Challenge, na África do Sul, e garantiu assim presença na prova de encerramento do European Tour, no Dubai, de 17 a 20 de novembro.

Isto quer dizer que Ricardo Melo Gouveia conseguiu o seu melhor registo no European Tour - e conquistou o maior prémio monetário da carreira, €277 mil euros -, ascendendo ao 53º do ranking. E está onde só entram os melhores do circuito.

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