Tribuna Expresso

Perfil

Modalidades

Pinheiro bom, pinheiro assim-assim e outros acontecimentos determinantes do fim de semana desportivo

Pinheiros mais decisivos que outros, títulos de Fórmula 1 de nos levar ao enfarte, o regresso glorioso de Juan Martin del Potro, Mourinho e tudo o que lhe corre mal ou o jogo 1000 de LeBron James - o fim de semana desportivo contado em cinco pequenos pontos, mais uma menção honrosa

Lídia Paralta Gomes

CATARINA MORAIS/Getty

Partilhar

1. Pinheiro bom, pinheiro assim-assim

Antes do Benfica vencer confortavelmente o Moreirense por 3-0, com Pizzi a brilhar, o sábado não foi fácil para Sporting e FC Porto. Os leões penaram a bom penar, mas lá conseguiram vencer por um magrinho 1-0 no Bessa. E num encontro em que jogou poucochinho, valeu ao Sporting, mais uma vez, a cabeça de Bas Dost, o pinheiro bom deste campeonato, o homem que Jesus está a moldar à imagem e semelhança de Islam Slimani. Com algum sucesso, diga-se, até porque já tem os mesmos sete golos que o argelino tinha por esta altura à 11.ª jornada.

Quem não teve tanta sorte com o seu pinheiro foi o FC Porto: é certo que não se pode culpar apenas Depoitre pelo empate sem golos no Restelo, mas aquela jogada em que o belga se atrapalha com a bola só com o guarda-redes à frente é paradigmática da época azul e branca, ainda para mais depois de Nuno Espírito Santo dizer ao mundo que a eficácia ia deixar de ser problema.

Anyway, o Sporting continua a 5 pontos do Benfica e o FC Porto já vai a 7 das águias. Daqui a duas semanas há Clássico no Estádio da Luz.

2. Hamilton bem tentou, mas Rosberg é campeão do Mundo de Fórmula 1 pela primeira vez

Clive Mason/Getty

Foi em pleno deserto que Nico Rosberg foi matar a sede de um título mundial que demorou 10 anos a chegar. Em Abu Dhabi, na última prova da temporada, o alemão da Mercedes precisava apenas de manter o ex-amigo mas ainda companheiro de equipa Lewis Hamilton à vista e esperar que mais ninguém se colocasse no caminho. E por ninguém leia-se outro piloto ou um qualquer problema mecânico.

Rosberg controlou, o Mercedes portou-se lindamente, mas a prova não se fez sem momentos de emoção. Aqui e ali, o eletrocardiograma ficou mais irregular, nomeadamente quando o novo campeão ultrapassou Max Verstappen para recuperar o 2.º lugar (correu bem, mas meter-se com o miúdo holandês é sempre um risco) ou nas derradeiras voltas, em que Lewis Hamilton jogou a última cartada numa tentativa desesperada de chegar ao título: na frente da prova, o britânico diminuiu de tal forma o ritmo que Vettel e Verstappen ainda morderam o motor a Rosberg, que não podia terminar fora do pódio.

Se a nossa emoção foi grande, imaginem na box da Mercedes, onde já não havia mais unhas para roer. Desafiador como é, Lewis Hamilton fez ouvidos moucos aos pedidos da equipa para aumentar o ritmo - uma forma simpática de dizer “não dês cabo disto tudo” - e nem mesmo as ordens do diretor técnico Paddy Lowe resultaram.

Agora, Rosberg (que pode conhecer melhor AQUI) vai saborear o primeiro título mundial da carreira, enquanto Hamilton vai, muito provavelmente, levar a repreensão da sua vida depois de ter tentado levar a luta até às últimas consequências (e usando uns quantos “truques sujos”, como disse Vettel, mais a sério do que a brincar). Mas, a bem da verdade, ninguém pode acusar o britânico de não ter tentado.

3. As várias vidas de Juan Martin del Potro

Getty

Há coisa de ano e meio, Juan Martin del Potro colocou em cima da mesa a possibilidade de se retirar. Praticamente sem jogar desde o início de 2014, uma persistente lesão no pulso esquerdo levou o argentino duas vezes à sala de operações e a recuperação parecia uma miragem. “Vivo dias tristes, negros, com pouca luz”, dizia o vencedor do US Open de 2009 num vídeo colocado no Facebook em junho do ano passado, antes de mais uma cirurgia.

Pois bem, estamos no final de 2016 e felizmente os dias de Del Potro não são mais negros, com pouca luz. Aliás, o tenista de Tandil é bem capaz de ser o protagonista de uma das melhores histórias de esperança deste ano, depois de no último domingo ter sido essencial para a vitória da Argentina na Taça Davis (a primeira do país, por sinal), em Zagreb, ao virar um encontro em que perdia por dois sets a zero para 3-2, com um dedo mindinho partido à mistura. A vitória de Del Potro frente ao favorito croata Marin Cilic manteve a Argentina na luta e o triunfo na prova de seleções acabou por ser confirmado pelo compatriota Federico Delbonis.

Da quase retirada até ao triunfo na Taça Davis, o regresso de Juan Martin del Potro foi feito de outras vitórias ao longo do ano, nomeadamente nos Jogos Olímpicos. No Rio de Janeiro, o argentino de 28 anos foi prata, num torneio em que deixou pelo caminho gente como o então líder mundial Novak Djokovic ou Rafael Nadal (e o nosso João Sousa, já agora). Só Andy Murray travou Del Potro.

Um par de semanas depois chegou aos quartos-de-final do US Open, último major do ano, perdendo apenas para o suíço Stanislas Wawrinka, que ganharia o torneio.

4. Mourinho ou as frustrações engarrafadas

Carl Recine/Reuters

Não vai correndo bem a vida a José Mourinho nesta temporada de estreia no Manchester United. No domingo, mais um empate (1-1), desta vez frente ao aflito West Ham e já são 11 os pontos de desvantagem para o líder Chelsea. A frustração é grande, até porque, mais uma vez, o United sofreu cedo, atacou muito, teve uma série de oportunidades, mas não conseguiu dar a volta.

Como se não bastasse, a Lei de Murphy atacou a sério em em Old Trafford e o que já estava a correr mal tornou-se ainda pior. Mourinho não gostou de ver Pogba amarelado por um lance em que a vítima até parece ser o francês e “vingou-se” numa garrafa de água que estava ali à mão (ou ao pé) de semear. O árbitro Jonathan Moss não gostou do pontapé e expulsou o técnico português, que espera agora pela respetiva sanção. É a segunda vez em apenas um mês que Mourinho é expulso: aconteceu também a 29 de outubro, na receção ao Burnley. Foi suspenso um jogo e obrigado a pagar um multa de 58 mil libras.

(Nem tudo são más notícias: a corrente está desfavorável para Mourinho, mas Julia Roberts já se disponibilizou para dar uma ajudinha)

Clive Brunskill/Getty

5. Um LeBron James milenar

Parece que foi ontem que um predestinado miúdo de 18 anos chegou à NBA, mas já lá vão 13 temporadas. E aos 31 anos, LeBron James fez na última sexta-feira o seu jogo mil na temporada regular (são 1119 se contarmos com os playoffs), divididos entre os Cleveland Cavaliers, equipa que o escolheu como número 1 do draft de 2003, os Miami Heat, e novamente os Cavs, para onde voltou em 2014 depois de quatro anos entre as palmeiras da Flórida.

No seu jogo 1000, LeBron esteve igual a si próprio: forte, completo. Frente aos Dallas Mavericks marcou 19 pontos, distribuiu 11 assistências e ainda agarrou cinco ressaltos, contribuindo de forma decisiva para a vitória de Cleveland por 128-90. E a esta velocidade e resistência (James cuida-se como poucos e nunca sofreu uma lesão grave ao longo da carreira), chegar aos 1611 jogos de Robert Parish parece difícil, mas não descabido.

Para já, em 1000 jogos, os números impressionam: são três anéis da NBA, quatro títulos de MVP, 12 viagens ao All-Star, 27.138 pontos na carreira, o que dá uma média de 27,1 por jogo. Nada mau, nada mau.

P.S. - Aos cinco pontos junto uma menção honrosa: o Palmeiras é campeão brasileiro 22 anos após o último triunfo. O Verdão conquistou o 9.º título depois de vencer o Chapecoense por 1-0 e tornou-se no maior campeão do Brasileirão, numa equipa em que ainda brilha Zé Roberto, aos 42 anos. É obra.

Patrick Smith/Getty