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A noite em que Lochte e companhia meteram água

Conhecer a “balada” do Rio de Janeiro é apelativo para qualquer um e Ryan Lochte e outros três nadadores olímpicos fizeram precisamente isso, numa noite para esquecer. A Tribuna Expresso apresenta-lhe o segundo dos 10 acontecimentos desportivos de 2016 que mais vale esquecer em 2017

Mariana Cabral

Ryan Lochte nos Jogos Olímpicos 2016, onde meteu os pés pelas mãos - fora de água

Matt Hazlett/Getty

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Era uma vez um alfaiate valente que saiu à rua e disse assim: “Matei sete de uma vez”. Depois, todos sabemos o que aconteceu na história dos irmãos Grimm: a valentia do homem foi apreciada e ele foi subindo na vida e metendo medo a quem o rodeava, mas o que ficou por dizer foi que aquilo que o alfaiate matou não foram sete homens, foram sete moscas.

No fundo é tudo uma questão de perspetiva. Como a de Ryan Lochte. Quem nunca confundiu um assalto à mão armada com uma noite de copos? “Foi um exagero”, lamentou o nadador norte-americano de 32 anos, depois de ser apanhado na mentira e admitir o seu "comportamento imaturo".

É certo que Lochte e os colegas - Jack Conger, Gunnar Bentz e Jimmy Feigen - estavam no Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos, mas não é fácil resistir à “balada” brasileira no verão. Foi por isso que o grupo decidiu sair à noite e, bom, beber uns “chopes”.

O que deveria ter sido uma noite da qual já ninguém se lembraria no dia seguinte acabou num desastre internacional digno de filme. É que os quatro nadadores foram assaltados à mão armada e tiveram de pagar para serem libertados das garras de um qualquer ladrão malvado. Certo? Errado.

AFP

A história, contada por Ryan Lochte e pela mãe, Ileana Lochte, começou a ser divulgada assim (o nadador chegou a dizer que lhe tinham encostado uma arma à testa), mas as autoridades brasileiras rapidamente perceberam que havia qualquer coisa mal naquela versão dos acontecimentos.

Dias depois, Fernando Veloso, chefe da polícia brasileira, acusou os norte-americanos de terem inventado a história que contaram e esclareceu o que verdadeiramente tinha acontecido: foram os nadadores, aparentemente embriagados, que entraram na casa de banho de uma área de serviço e vandalizaram o espaço.

Depois - aqui sim há uma parte verdadeira (“matei sete” também não é nenhuma mentira...) - os seguranças do espaço terão apontado uma arma aos nadadores, dizendo-lhes que não podiam sair do local e que teriam de pagar pelos estragos causados.

Resultado: Lochte foi massacrado um pouco por todo o mundo e acabou a pedir desculpa, entre lágrimas. “Estava bebâdo. Fui imaturo e cometi um erro estúpido. Sou humano e lamento muito”, disse, mais tarde.

Mas o castigo do Comité Olímpico dos EUA não se fez esperar: Gunnar Bentz, Jack Conger e Jimmy Feigen foram suspensos por quatro meses e Lochte teve de abdicar dos €96 mil que ganhou no Rio e foi suspenso por dez meses da natação.

Isto para para além de ter perdido quatro dos grandes patrocinadores que tinha, como a Speedo e a Ralph Lauren. Ainda assim, depois da confusão, ganhou um novo: a Pine Brothers Softish Throat Drops (rebuçados para a tosse), que explicou que queria pôr o nadador num anúncio com o trocadilho “perdoamos a sua garganta”. Uma hipérbole por dia, não sabe o bem que lhe fazia.

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