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As folhas de Fernando Pimenta

Fernando Pimenta chegou aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro como um dos favoritos para levar uma medalha de ouro no K1 1.000 metros em canoagem. Era o que parecia estar prestes a acontecer até metade da corrida, quando as folhas na água o abrandaram até ao quinto lugar. A Tribuna Expresso apresenta-lhe o terceiro dos 10 acontecimentos desportivos de 2016 que mais vale esquecer em 2017

Diogo Pombo

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Existe muita gente que passa quatro anos a pensar nos Jogos Olímpicos. Há provas e competições e outras distrações pelo meio, tudo bem, mas esse é o tempo durante o qual os melhores, mesmo sabendo que o são, também sabem que apenas serão vistos como tal caso, ao fim de quatro anos, uma certa medalha lhes fique pendurada no pescoço. Fernando Pimenta, como qualquer outro, sabe isto muito bem.

Ele, que é de Ponte de Lima, passa a quase totalidade dos 365 dias que um ano tem longe de quem quer ter perto. A família, a namorada, os amigos, todos esperam pelo tempo que sobre dos treinos, das pagaiadas na água, das horas no ginásio. Da canoagem em que Fernando Pimenta é o melhor português e o melhor europeu em 2016. Não sou eu que o acho e o escrevo, são as medalhas que ganha que nos dizem. O português é ouro ao fim de 1.000 e de 5.000 metros a remar, sozinho, no Campeonato da Europa.

É assim, no topo da confiança, dos resultados e do saber que está em controlo do que pode controlar, que Fernando chega aos Jogos Olímpicos. Está prestes a culminar os quatro anos de sacrifício e preparação e tudo o mais nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas. Qualifica-se para a final do K1 1.000 metros e sente-se bem.

A prova começa e ele, com a estratégia que trouxe do ouro europeu, arranca forte, com um ritmo superior ao dos outros. Lidera aos 250 metros, ainda mais aos 500, mas surge lento nos 750, já no quarto lugar. Aos 1.000, onde está a meta, acaba na quinta posição.

Visto de fora, parece que o português perde as forças que tem ao início. Que perde por ser mais lento e não ter uma pagaiada como a de Marcus Walz, o espanhol que leva a medalha de ouro para casa e é o mais novo canoísta em prova. Fernando Pimenta fica destroçado.

DAMIEN MEYER

Quando surge à frente dos jornalistas, para reagir ao que aconteceu, já chorou e tem mais lágrimas à beira dos olhos. “Estava a sentir-me bem, fiz um arranque super tranquilo, consegui ganhar a frente da prova e, no momento em que estava a ganhar avanço sobre os adversários, apanhei algumas folhas das árvores e algumas agarraram-se à frente do barco. Perdi velocidade para tentar tirar as folhas da frente e senti o controlo do barco porque algumas devem ter ficado agarradas ao leme”, explica. É aí que percebemos que foi tramado por algo que não controlava.

O canoísta, de 26 anos, lamenta como “o melhor Fernando Pimenta não chegou” para ganhar às algas e às folhas que calharam estar no caminho dele. “Isto é uma roleta e a bala saiu-me a mim”, resume, com a frustração que mais tarde, no final de novembro, admite à Tribuna Expresso que ainda sente: “Claro que ainda há coisas que ainda não passaram. Saber que, por uma coisa que não somos nós a controlar, o trabalho de quatro anos foi por água abaixo”.

É isso que o magoou e entristeceu e o afetou.

Também porque, mais ou menos um ano antes, na mesma lagoa, Fernando Pimenta tinha andado “a recolher algas 15 minutos antes da prova” do evento de testes olímpicos. “Desta vez, eram folhas que estavam soltas”, lamentou, logo a seguir ao quinto lugar no K1 1.000 metros e antes de, de novo, se preparar para mais quatro anos à espera de Jogos Olímpicos.

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