Tribuna Expresso

Perfil

Modalidades

Os honoráveis golfistas escoceses voltam a levar o sexismo a votação

Muirfield, na Escócia, vai levar a votos - pela segunda vez - a admissão de mulheres como membros, depois de ter deixado de receber o Open britânico por ainda ser o único clube a manter a “tradição”

Mariana Cabral

Henry Fairweather, presidente do clube de golfe de Muirfield

Jeff J Mitchell/Getty

Partilhar

se·xis·mo |cs|
(sexo + -ismo)
substantivo masculino
1. Teoria que defende a superioridade de um sexo, geralmente o sexo masculino, sobre o outro.
2. Discriminação baseada em critérios sexuais.

É isto que o clube de golfe de Muirfield, na Escócia, um dos maiores e mais antigos do mundo, vai voltar a votar este mês, para deixar de ser a única academia local que ainda não permite a entrada de mulheres como membros - apenas podem entrar como visitantes.

“A posição atual de Muirfield é simplesmente errada e indefensável”, disse a secretária da Igualdade escocesa, Angela Constance, à Sky. “Esta é a Escócia do século XXI. Com delicadeza, digo a Muirfield que está na altura de deixar a idade da Pedra e dar as boas-vindas ao século XXI, porque abrir o clube a mulheres não é apenas a atitude certa a tomar, é também a atitude inteligente. Porque isto é mau para o clube e para a economia local”, explicou.

É que Muirfield, propriedade da “honorável companhia de golfistas de Edimburgo”, deixou, desde o ano passado, de ser um dos clubes que integram a lista de possíveis anfitriões do Open britânico. Isto significa que a economia da zona de East Lothian perde, sem receber o Open - do qual já foi anfitrião por 16 vezes desde 1892 -, cerca de €94 milhões.

Muirfield já realizou exatamente a mesma votação em maio de 2016, mas era necessária uma maioria superior a dois terços - e 36%, ou seja, 219 membros, votaram contra a entrada de mulheres. “A Escócia tem líderes do sexo feminino em todas as áreas. Estamos em 2016. Isto é simplesmente indefensável”, disse então a primeira-ministra Nicola Sturgeon.

Uma carta do grupo de membros que está contra a entrada de sócias do sexo feminino, revelada após a última votação, argumentava que permitir a entrada de mulheres era “um risco porque envolvia uma grande mudança”, que poderia interferir com “o estilo de jogo e os almoços” - “e quando um processo destes começa, é impossível interrompê-lo”.

Também no ano passado, o único outro clube escocês que ainda proibía as mulheres de serem membros, o Royal Troon, realizou exatamente a mesma votação, mas o resultado foi o contrário: bem-vindas, senhoras. E, assim, o Troon manteve-se como anfitrião do (milionário) Open, que foi disputado no clube no verão de 2016. É o sexismo, estúpido. Ou a economia? Bem-vindos ao século XXI.