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Uma Via Crúcis leonina, um renascer, líderes que não se aguentam e recordes que caem: o fim de semana desportivo foi assim

O Sporting está cada vez mais longe do título, a Chapecoense respira, Murray e Kerber estão fora do Open da Austrália, Wayne Rooney coloca o seu nome na história do Man. United e Tom Brady pode aumentar ainda mais a sua lenda na NFL - um fim de semana desportivo que passou por vários cantos do mundo, reunido aqui

Lídia Paralta Gomes

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

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1. Sporting afunda, Benfica voa e FC Porto vai lá à cabeçada

E de repente são 10 pontos para o líder. O Sporting e Jorge Jesus continuam a sua Via Crúcis particular até ao calvário de uma época para esquecer: o empate no Funchal frente ao Marítimo (2-2) é por si só mau, mas pior parece mesmo o poço em que os leões caíram, aquele onde tudo o que pode correr mal, vai correr. A arbitragem não ajuda, mas as falhas de concentração de jogadores como Rui Patrício ou Coates dizem muito do estado de sítio que se vive em Alvalade.

Em sentido contrário, o Benfica respondeu ao empate da última semana com uma vitória por números expressivos (4-0), frente a um Tondela que deu água pela barba na 1.ª parte mas quebrou na segunda. Aproveitou Pizzi, o novo goleador da Luz - leva já 11 golos esta temporada. Já o FC Porto ganhou à cabeçada. Atenção, nada de violências - é que os quatro golos que derrotaram o Rio Ave por 4-2 foram marcados com remates de cabeça.

2. O emotivo regresso da Chapecoense

A Chapecoense recusou-se a morrer e no sábado entrou pela primeira vez em campo dois meses depois do desastre aéreo de 29 de novembro, na Colômbia, que dizimou grande parte da equipa brasileira. O adversário do particular foi o campeão Palmeiras, o resultado foi 2-2, mas isso não foi o mais importante. Mais do que para festejar golos, a Arena Condá uniu-se para homenagear às vítimas (o jogo parou aos 71 minutos para lembrar as 71 vítimas do acidente) e aos sobreviventes: Neto, Ruschel e Follman, os únicos jogadores que escaparam à tragédia entraram em campo para mostrar o troféu da Taça Sul-Americana.

Emoção e lágrimas não faltaram (como pode ver AQUI).

3. Open da Austrália: líderes mundiais já caíram, Federer parece um miúdo

O primeiro torneio do Grand Slam da temporada já teve a sua quota parte de surpresas. Novak Djokovic caiu logo na 2.ª ronda e durante o fim de semana os dois líderes mundiais também disseram adeus sem glória, logo nos oitavos-de-final: o britânico Andy Murray caiu perante o alemão Mischa Zverev, que está num modesto 50.º lugar do ranking ATP, e a germânica Angelique Kerber, que além de n.º 1 do Mundo defendia o título na Austrália, perdeu com a norte-americana Coco Vandeweghe, n.º 35 WTA.

N.º 1 do ranking masculino, Andy Murray saiu de cena nos oitavos-de-final. Uma desilusão

N.º 1 do ranking masculino, Andy Murray saiu de cena nos oitavos-de-final. Uma desilusão

Michael Dodge/Getty

Impassível e sereno está Roger Federer, de regresso aos majors após seis meses de paragem a recuperar de lesão. Aos 35 anos, o suíço tem exibido no Open da Austrália algum do seu melhor ténis, a fazer lembrar os tempos em que era o líder incontestado do ranking e ganhava tudo o que havia para ganhar. No domingo, Federer precisou de 5 sets para bater o japonês Kei Nishikori, que é o 5.º da hierarquia mundial e tem menos 8 anos que o helvético. O 18.º título em torneios do Grand Slam já não é só um sonho para o veterano.

4. Custou, mas Rooney ultrapassou Bobby Charlton

Estava difícil, mas finalmente aconteceu. A temporada de Wayne Rooney está a ser longe de memorável e o avançado inglês desesperava por conseguir ultrapassar Bobby Charlton como o melhor marcador de sempre do Manchester United. Esse golo, o 250.º, chegou este sábado, e que golo foi! Um livre perfeito e que, para mais, evitou a derrota dos red devils em casa do Stoke City aos 90+4’.

“É um orgulho e uma grande honra atingir este recorde, que fica um pouco manchado pelo resultado [1-1]. É uma marca na minha carreira que nunca pensei atingir”, desabafou Rooney no final do jogo. Já Bobby Charlton admitiu que isto de já não ser o maior goleador da história do Manchester United o chateia um bocadinho. “O meu último golo pelo United foi há mais de 40 anos e já estava habituado a ser o melhor de sempre. Não escondo que estou um pouco desapontado”, assumiu a antiga glória, hoje com 79 anos, deixando, naturalmente, espaço para o fair-play: “Ao mesmo tempo estou muito feliz pelo Wayne Rooney. Ele merece ter um lugar na história do clube”. É assim mesmo.

Livre perfeito de Rooney, que já é o melhor marcador de sempre da história do Man. United

Livre perfeito de Rooney, que já é o melhor marcador de sempre da história do Man. United

LINDSEY PARNABY/Getty

Ainda em Inglaterra, Marco Silva e o seu Hull City perderam com Chelsea, mas a grave lesão de Ryan Mason preocupa mais que qualquer derrota. O médio de 25 anos chocou de cabeça com Gary Cahill, sofreu uma fratura craniana com hemorragia cerebral e teve de ser operado de urgência. Para já, parece recuperar bem.

5. Superbowl: Tom Brady a um passo do 5.º anel

New England Patriots e Atlanta Falcons: estão definidos os finalistas do Superbowl, o jogo que define o campeão da NFL e esse dia em que normalmente se batem todos os recordes de audiência televisiva, de dinheiro gasto em publicidade e consumo de asas de frango. A final disputa-se no dia 5 de fevereiro, em Houston, e este fim de semana jogaram-se as finais de conferência. Na NFC, os Falcons bateram os Green Bay Packers por 44-21, apurando-se apenas pela segunda vez na história para o duelo decisivo. Já na AFC, os Patriots foram mais fortes que os Pittsburgh Steelers (36-17) e apuraram-se para o 9.º Superbowl da sua história (um recorde), com Tom Brady a ficar a um passo do 5.º anel, algo que nenhum outro quarterback conseguiu na história da NFL.

Dá cá cinco! Tom Brady vai tentar chegar à mão-cheia de títulos na NFL

Dá cá cinco! Tom Brady vai tentar chegar à mão-cheia de títulos na NFL

Elsa/Getty

Aos 39 anos, Tom Brady ainda não falou em retirada, mas caso seja campeão pela 5.ª vez poderá fazê-lo em beleza. Nada mau para um rapaz que no draft de 2000 ouviu 198 nomes antes de ser chamado pelos New England Patriots e só se tornou titular depois da lesão de Drew Bledsoe, na altura praticamente intocável.