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Nitro Athletics, a nova competição que parece os Jogos sem Fronteiras do atletismo (e Bolt gosta)

Os australianos inventaram um novo conceito de "meeting" de atletismo e o jamaicano Usain Bolt já experimentou e aprovou

Alexandra Simões de Abreu

A equipa Bolt All Stars venceu o primeiro Nitro Athletics, em Melbourne

Scott Barbour

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Um evento de atletismo que combina força, resistência, poder e energia, através de um conjunto de provas tradicionais e algumas alteradas, durante duas horas inimterruptas de competição entre equipas mistas, tem tudo para ser um sucesso. Foi isso que pensaram a federaçao australiana de atletismo e o ex atleta John Stefferen e assim nasceu o Nitro Athletics, cuja estreia aconteceu este fim de semana, em Melbourne.

Com um formato que valoriza o trabalho em equipa e um sistema de pontuação que exige tática e estratégia, esta nova competição que se estreou em Melbouren nos dias 4,9 e 11 de fevereiro entra no calendário do atletismo mundial como teste para uma nova era de entretenimento do desporto.

E a primeira grande estrela a brilhar no 'meeting' Nitro Athletics foi o homem mais rápido do mundo, Usain Bolt, que regressou às pistas depois dos Jogos Olimpicos do Rio 2016 com uma dupla vitoria, nos 150 e 4x100m.

45 minutos depois de fazer os 150m, em 14,35 segundos (mais um segundo que o seu priprio recorde mundial) Bolt disputou a estafeta 4x100m com a equipa mista composta pelo compatriota Asafa Powell e as norte-americanas Natasha Morrison e Jenna Prandin. A equipa Bolt All Stars venceu com 40,45s, deixando para trás as equipas da Austrália, Inglaterra, Japão, Nova Zelândia e China.

“Foi uma noite fantástica, diverti-me do princípio ao fim. Todos estavam apenas a desfrutar e a apoiarem os seus companheiros de equipa, fosse no salto em comprimento ou nos dardos, e isso é algo a que não estamos acostumados”, referiu Bolt.

O próprio presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), Sebastien Coe, já assumiu ser um “grande adepto” do conceito do ‘meeting’ Nitro Athletics, por considerar que mostra “compromisso, divertimento e gargalhadas”. “O atletismo, na sua forma tradicional, segue como pilar dos Jogos Olímpicos, e o Mundial segue extremamente forte e atraente, como veremos em Londres, em agosto. Mas precisamos de inovação e mais oportunidades para os nossos atletas interagirem com os fãs e mostrarem as suas personalidades, e o Nitro Athletics é um grande exemplo do que pode ser feito para revolucionar como nos apresentamos e como os nossos fãs se conectam com o desporto. Precisamos de eventos que tragam de volta a diversão para as crianças e multidões e que tragam uma nova dimensão para outros eventos em que há procura de recordes”, justificou.

Daí que, como defende o campeão olímpico dos 100 e 200 metros nos Jogos Pequim2008, Londres2012 e Rio2016: “O próximo passo é a Europa e o resto do mundo. Nunca me diverti tanto numa pista de atletismo. Quero que as pessoas testemunhem o que senti e que partilhem esta energia”.

Nesta competição cada uma das seis equipas conta com 24 atletas, 12 homens e 12 mulheres, mas a principal diferença para as provas tradicionais, está na forma como os resultados são convertidos em pontos. O objetivo é valorizar mais a performance em grupo do que do indivíduo. A pontuação base é de 100 pontos para o primeiro colocado de forma decrescente até 40 pontos para o sexto. Mas estes números podem mudar de acordo com a estratégia das equipas. Antes da competição começar, há um sorteio que define dois bónus para as equipas usarem. Um deles dobrará a pontuação da equipa em determinado evento (batizado de Nitro Power Play), enquanto o outro (Nitro Turbo Charge), exclusivo do salto em comprimento, poderá beneficiar o atleta que alcançar uma marca específica pré-estabelecida.

Com as performances de Bolt, a equipa "All-Stars" venceu o Nitro Athletics, com 3.040 pontos, 77 à frente da equipa australiana.