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Para combater crise, golfe será mais rápido e simples

Modalidade terá a primeira grande mudança nas regras em 30 anos, para atrair novos praticantes e adeptos

Evandro Furoni

Warren Little/ Getty

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O golfe sempre se orgulhou de ser um desporto com antigas tradições, mas isso pode estar perto de mudar. Com a forte queda no número de praticantes, as autoridades responsáveis pelo desporto estão perto de fazer a maior alteração das regras da modalidade nos últimos 30 anos.

As mudanças tem como objetivo deixar o jogo mais rápido e acessível para os novatos. O número de regras, por exemplo, deve cair de 34 para 24, e elas devem ser escritas de forma mais clara, com palavras mais modernas, sentenças mais curtas e maiores explicações sobre como devem ser aplicadas.

As principais alterações envolvem a redução de cinco para três minutos no tempo permitido para um atleta procurar a sua bola quando ela estiver perdida, o fim da punição caso o golfista mova a bola sem querer antes da tacada e a permissão para consertar falhas no relvado causadas pela tacada de outros jogadores.

Esta é a primeira grande mudança das regras do desporto desde 1984. As propostas passarão por um período de seis meses para a consulta pública dos desportistas para possíveis alterações. Elas devem entrar em vigor em 2019.

As mudanças foram debatidas durante cinco anos. Neste período, as entidades responsáveis pelo golfe mundial reuniram-se com os principais atletas da modalidade para saber o que consideravam as questões mais críticas do desporto.

Nomes como Tiger Woods e Rory McIlroy já elogiaram publicamente as alterações.

O golfe está em forte crise mundial após o forte crescimento no início do século. Nos EUA, o número de golfistas americanos caiu de 30 milhões em 2003 para 24 milhões em 2014.

Empresas como a Nike e a Adidas estão a sair progressivamente do golfe, enquanto o número de novos atletas em torneios é 30% menor do que a duas décadas atrás.

A modalidade voltou ao programa dos Jogos Olímpicos em 2016, mas a recusa dos principais atletas em viajar para o Rio de Janeiro fez com que a principal notícia sobre a competição fosse a invasão das capivaras, roedores gigantes locais, nos campos de golfe.

A queda da popularidade do desporto coincide com o declínio de Tiger Woods, uma das principais figuras da história do golfe. Desde 2009, quando a carreira do norte-americano entrou em crise por causa de escândalos na vida pessoal e lesões nas costas, o interesse do desporto nos EUA, o seu principal mercado, está em grande queda.

Outro fator importante para a queda no número de praticantes está na dificuldade para introduzir novatos no golfe. Apesar de contar apenas com 34 regras, o livro de regulamentos conta com mais de 500 páginas por causa das inúmeras interpretações para cada tipo de situação.

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