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Invicta de cabeça no ar: Red Bull Air Race está de volta

A mais mediática competição de aviões regressa ao Porto e a Gaia a 2 e 3 de setembro, dez anos depois da etapa de estreia e após uma ausência de sete anos. O investimento na prova que trouxe à margens do Douro na última edição mais de um milhão de espectadores é de três milhões de euros, suportados pelas duas autarquias, Turismo de Portugal e outras entidades

Isabel Paulo

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Dez anos após a estreia do circuito do Porto, o diretor-executivo da Red Bull Air Race, o austríaco Erich Wolf, anunciou esta quarta-feira o regresso da mais importante competição mundial de aviões a Portugal e à Invicta. Em 2007 a etapa arrastou mais de um milhão de curiosos que encheram as margens do rio Douro, num evento considerado estratégico pelos autarcas do Porto e de Vila Nova de Gaia para a promoção e sustentabilidade do crescimento ímpar do turismo da região.

A espetacularidade do circuito do Porto, “um cenário único e uma das etapas preferidas do público e pilotos”, foi uma das razões da aposta da Red Bull Air Race no retorno a Portugal, prova que irá completar a sua 80ª corrida a 2 e 3 de setembro e será transmitida em exclusivo pela SIC a nível mundial, para uma audiência estimada em 300 milhões de espectadores.

Para Rui Moreira, “é uma grande conquista para a cidade voltar a receber a prova que traz um enorme retorno económico direto ao Porto, à região e a Portugal”. Na apresentação da competição, o presidente da Câmara do Porto salientou ser a competição também significativa do ponto de vista político, ao permitir voltar a gerar consensos entre os promotores – as duas autarquias, a entidade de Turismo Porto e Norte, Turismo de Portugal e a CCDRN –, condição “sem a qual o evento não seria possível nem sustentável”.

Citando o estudo European Cities Hotel Forescast 2017/18, apresentado em Berlim pela PricewaterhouseCoopers (PwC) , Rui Moreira avançou que o Porto é líder em crescimento do RevPAR (Receita por Quarto Disponível) para 2017, com 15% de aumento, sendo a única cidade com uma subida estimada de dois dígitos em 2018.

Eduardo Vítor Rodrigues enfatizou, por seu lado, a parceria estratégica entre os executivos das duas cidades, que apostam na marca Porto “sem vaidades individuais e sem rivalidades”. O líder da Câmara de Gaia defendeu ainda que o crescimento do turismo no Porto e na região não pode ser dado como adquirido para sempre, razão porque “se deve investir continuadamente através de eventos planetários de curta duração”.

O investimento na realização da prova ronda os três milhões de euros, comparticipado em partes iguais pelas Câmaras de Porto e Gaia (225 mil euros), cabendo o restante às restantes entidades parceiras do evento. Embora não exista ainda estimativa de retorno económico, Melchior Moreira, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, garantiu que o evento “é altamente sustentável”, o que se confirma pelos números do potencial turístico do destino: “Quase sete milhões de dormidas no final de 2016 e a importância cada vez maior do sector para a economia nacional”.

Uma das novidades na estrutura da prova deste ano, face às anteriores edições, é a divisão dos participantes em duas séries distintas: a Master Class, com 14 pilotos, e a mais recente Challenger Class, para já com nove pilotos que se iniciam nesta exigente competição.

Equipados com as mais modernas aeronaves da atualidade, os ases dos ares executam manobras vertiginosas e alucinantes numa luta constante contra o cronómetro, ao longo de um traçado delimitado por pórticos insufláveis, onde se atingem velocidades acima dos 400 km/hora (a baixa altitude) e os pilotos se sujeitam frequentemente a mais de 10G de aceleração.

A pista temporária no Queimódromo continuará a ser a base operacional da prova, que em 2017 se desenrolará ao longo de três dias, 1, 2 e 3 de setembro, entre treinos livres (sexta-feira), qualificações (sábado) e finais (domingo).

A temporada de 2017 arrancou a 10 e 11 de fevereiro em Abu Dhabi, estando a despedida agendada para outubro, no lendário circuito de Indianápolis, nos EUA. No total das oito etapas da temporada, além do regresso do Porto o circuito volta ainda a San Diego e contará com a estreia de Kazan, capital russa dos desportos. Chiba (Japão), Budapeste (Hungria) e Lausitizring (Alemanha), são os outros palcos da prova.