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Um atleta paralímpico foi contratado para fazer de lebre – e ganhou a primeira maratona que disputou

Jonah Kipkemoi finalizou os 42 km da Maratona de Barcelona em primeiro lugar. Atleta queniano sofre de uma deficiência física

Francisco Perez

O atleta paralímpico Jonah Kipkemoi venceu a maratona de Barcelona

JOSEP LAGO/Getty

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Esta é uma história improvável.

Jonah Kipkemoi venceu a 39ª edição dos Maratona de Barcelona este domingo, com um tempo de 2h08m57s. O corredor, que é uma atleta paralímpico, estava na prova como “lebre”, isto é, tinha sido chamado para marcar o ritmo dos demais atletas, mas acabou por superiorizar-se.

Quando era criança, Kipkemoi sofreu queimaduras no lado direito da cara e no braço direito, o que lhe provocou mazelas físicas.

O queniano que esteve presente nos Jogos Olímpicos de Londres tinha, segundo o “El País”, de correr até aos 35 km, mas conquistou a prova de 42km.

A ausência de última hora do principal favorito à vitória, e a desistência do segundo candidato, que se lesionou ao final do quilómetro 30, deixaram Kipkemoi sozinho em direção à meta.

O triunfo do corredor de 27 anos ganha ainda maior dimensão, se se considerar que esta foi a sua primeira maratona, na qual se superiorizou a mais de 20 mil participantes.

“Já tinha corrido meias-maratonas e tinha-me sentido bem, mas não esperava esta vitória. Estou realmente surpreendido.”

Em segundo lugar na maratona ficou o também queniano e “lebre” Jacob Cheshari, que chegou um minuto depois de Kipkemoi, sendo que o pódio ficou fechado com o compatriota Justus Kiprotich.

Na prova feminina, Helen Bekele bateu o recorde da competição com um tempo de 2h25m04s, menos 22 segundos que o anterior.

“Pensava que a minha compatriota Tsegaye Melesech [Etiópia], com melhores marcas do que eu ia ganhar, mas disparei a oito quilómetros para o final. Ela ficou para trás, e senti-me bem graças à ‘lebre’ que me foi acompanhando. Pensei que ia ficar a quatro minutos da minha marca pessoal.”