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A dupla das contas de somar, os insultos que entornaram ainda mais o caldo e outras iguarias desportivas deste fim de semana

O entendimento quase cósmico de André Silva e Cristiano Ronaldo, os cânticos que chatearam o Benfica, o regresso vitórioso da Ferrari, o quase-pódio de Miguel Oliveira e uns quantos rapazes com jeito para o basquetebol tornaram este fim de semana desportivo tudo menos desinteressante

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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1. André Silva + Cristiano Ronaldo = golos em barda

Um golo de André Silva, mais dois de Cristiano. Assim se conta a história da vitória de Portugal frente à Hungria, um daqueles jogos que chegou a parecer complicado até a nova dupla de ataque da Seleção Nacional começar a mostrar um entendimento normal para quem joga há anos e anos juntos, menos normal e mais do campo do cósmico quando reparamos que apenas fizeram quatro jogos na mesma equipa.

O segundo golo é disto mesmo um exemplo paradigmático: Pepe lança André Silva em profundidade e o avançado do FC Porto, vendo a aproximação de Cristiano a alta velocidade, dá um toque de calcanhar que engana meia defesa húngara e deixa o capitão com espaço para puxar a culatra lá atrás e lançar um tiro que só parou dentro da baliza de Gulácsi, guardião com nome de sopa típica do seu país.

Quase tão picante (quanto a iguaria, leia-se) está o ataque da Seleção Nacional nesta qualificação para o Mundial’2018: desde a entrada em falso frente à Suíça leva já 19 golos marcados e apenas um sofrido em quatro jogos. Dos tais 19, 9 são de Cristiano Ronaldo e 5 de André Silva. Bendita dupla que só nos faz fazer contas de somar.

2. Insultos em casa, caldo entornado

Por falar em sopa, em vésperas de Clássico, o caldo entornou mais um bocadinho entre Benfica e FC Porto. Tudo porque o clube da Luz não gostou de ver (e essencialmente de ouvir) a claque de apoio à Seleção Nacional, que tem como um dos líderes o chefe dos Super Dragões, Fernando Madureira, entoar cânticos e insultos ao Benfica. Ainda para mais em plena Luz.

Entre rumores de que o Benfica deixaria de ceder o seu estádio à Seleção e as justificações de Madureira, que garante que os insultos foram apenas respostas a provocações vindas de adeptos encarnados e que dentro do estádio ninguém cantou contra o Benfica, certo é que os encarnados querem que a Federação Portuguesa de Futebol clarifique a relação com este grupo de apoio, que junta ainda elementos de claques do Sporting e V. Guimarães.

3. O Cavallino Rampante voltou a saltar. Dezoito meses depois

Ai achavam que a nova temporada da Fórmula 1 ia ser um passeio para Lewis Hamilton? O GP Austrália, prova inaugural do Mundial, diz-nos que não: quem venceu não foi um flecha de prata, mas sim Gina. Gina? Calma, não estamos a falar de publicações que deixaram saudades, mas do nome com que Sebastian Vettel batizou o seu bólide para 2017. Há 18 meses que o alemão e a Ferrari não sabiam o que era vencer uma corrida e às boas indicações dadas nos testes de pré-temporada juntou-se uma estratégia digna dos melhores generais de guerra, que fez com que o Cavallino Rampante voltasse a saltar.

A Ferrari decidiu parar mais cedo que a Mercedes e foi nas boxes que a história da corrida se fez. Lewis Hamilton, que tinha partido da pole, foi então 2.º classificado e o seu novo colega de equipa, o finlandês Valtteri Bottas, fechou o pódio.

Mark Thompson/Getty

4. Miguel Oliveira e o pódio ali tão perto

A máquina é nova e as ambições também: depois de uma primeira temporada de adaptação na categoria intermédia do motociclismo, Miguel Oliveira arrancou a época de 2017 com um bom 4.º lugar, terminando o GP Qatar a pouco mais de 3 segundos do vencedor, o italiano Franco Morbidelli.

O piloto português, que está de regresso à estrutura da KTM e da Ajo Motosport, a mesma que lhe permitiu ser vice-campeão de Moto3 em 2015, lutou até ao final por um lugar no pódio e isso é sinal que está no grupo dos favoritos ao título no Moto2.

Na categoria rainha, venceu o miúdo espanhol Maverick Viñales, novo companheiro de equipa de Valentino Rossi na Yamaha. O italiano de 38 anos (mais 16 que Viñales) foi terceiro, atrás do compatriota Andrea Dovizioso (Ducati).

Noushad Thekkayil/EPA

5. No tiro ao cesto, mandou o Benfica (e lá fora há malta a marcar 70 pontos num só jogo)

Nisto das Taças de Portugal, não há quem atire melhor ao cesto que o Benfica. No domingo, a equipa de basquetebol dos encarnados conquistou o troféu pela 22.ª ocasião, depois de bater o CAB Madeira por 85-67, com o angolano Carlos Morais em destaque (26 pontos, 4 ressaltos e 2 assistências). É a quarta Taça de Portugal seguida para a equipa orientada por Carlos Lisboa.

Ainda falando de basquetebol, mas no estrangeiro, mais concretamente na NBA, dois nomes para este fim de semana: Devin Booker e Russell Westbrook. O primeiro, jogador dos Phoenix Suns, marcou 70 pontos frente aos Celtics, a maior pontuação de um só jogador desde que Kobe Bryant fez 81 em 2006. E, atenção, tem apenas 20 anos. O segundo foi a Houston para mais um normal dia no escritório, ou seja, mais um triplo-duplo (39 pontos, 13 assistências e 11 ressaltos), o 36.º da temporada, que o coloca apenas a cinco de igualar o recorde de Wilt Chamberlain, que fez 41 em 1961/62.

Parte chata e, até certo ponto, meio incompreensível: os feitos de Booker e Westbrook não chegaram para as suas equipas ganharem. Os Suns perderam por 130-120 em Boston e os Thunder foram batidos por 137-125 pelos Rockets [juntar aqui lição de moral sobre feitos individuais que não fazem equipas].

HUGO DELGADO/Lusa