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Um Clássico que nada decidiu num fim de semana com artes marciais, duas fénix e uns lobitos de dentes arreganhados

Clássico é Clássico, já lá dizia o nobre francês Jacques II de Chabannes de La Palice, mesmo que pouco ou nada tenha decidido. Isto num fim de semana em que o Canelas voltou a ser notícia, depois de trocar o futebol por uma qualquer arte marcial, e Roger Federer e Vanessa Fernandes assumiram o seu animal espiritual: a fénix. Com a oval, também se fez história, com os sub-20 portugueses do râguebi a vencerem o Europeu

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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1 - Um Clássico de poucas decisões

Isto é uma daquelas lapalissadas, mas é mesmo assim: o Clássico podia acabar com três resultados e três resultados valem três cenários. Caso ganhasse, o Benfica ficava com via aberta para o título, caso a vitória pendesse para o FC Porto, os dragões passavam para a frente e, com um calendário um pouquinho mais simpático que o das águias, talvez de lá não saíssem mais. E um empate deixaria tudo na mesma, com o Sporting de repente a ficar com o ónus da decisão do título.

Pois bem, o Clássico acabou em empate (1-1), com o Benfica a marcar de grande penalidade aos 7 minutos, por um Jonas que pelo meio tentou iniciar um combate de sumo com Nuno Espírito Santo (que é rapaz para 1,90m e 105 quilos e por isso não é “fácil de derrubar”, assegurou o próprio), com o FC Porto a empatar logo a seguir ao intervalo por Maxi Pereira. Nenhum dos dois foi o melhor em campo, esse é espanhol e chama-se Iker Casillas, Santo Casillas, o milagreiro dos Clássicos, que esta época já tinha salvo o FC Porto frente ao Sporting no Dragão.

Feitas as contas, o Benfica continua com um ponto de vantagem, mas daqui a três semanas vai a Alvalade e o Sporting, a 8 pontos das águias e a 7 do FC Porto, pode já não estar na luta, mas quer encurtar distâncias. E, convenhamos, é Jorge Jesus que está do outro lado.

Por falar em Sporting, o leão voltou a não ser um regalo para os olhos, começou até a perder (culpa, talvez, do tórrido calor que fustigou a Serra da Freita no domingo à tarde - não somos nós que dizemos, é o brasileiro Bruno César, rapaz que já jogou nas Arábias), mas saiu de Arouca com uma vitória por 2-1, fazendo a reviravolta em 86 segundos e passando o resto do tempo a domingar, como explica o nosso Diogo Pombo.

De resto, e como a vida não é só feita dos grandes, duas referências. Uma para o Feirense, que começa a habituar-nos às cambalhotas no marcador: este fim de semana fez a terceira seguida, agora frente ao Belenenses e Nuno Manta Santos (que falou connosco há pouco tempo) leva já 24 pontos em 13 jogos - a permanência está praticamente garantida. E a segunda para o Sp. Braga, que à meia-hora de jogo vencia o Marítimo por 3-0 e deixou-se empatar.

2 - Canelas Muay-Thai Clube

O jornal espanhol “As” diz que é “a equipa mais violenta do Mundo”, que é daqueles títulos que dificilmente deixa alguém orgulhoso deste lado da fronteira: por cá estamos desde domingo a tentar fechar a boca, tal é a incredulidade.

O Canelas volta a ser notícia pela violência, que desta vez demorou longos 2 minutos a aparecer, com Marco Gonçalves a aplicar uma joelhada no nariz do árbitro José Rodrigues, que tinha acabado de expulsar o avançado por agressão a um adversário do Rio Tinto. Marco Gonçalves pediu desculpa, mas diz que não se lembra de nada. Já José Rodrigues terá dificuldades em esquecer: a violência do golpe vai obrigá-lo a uma cirurgia reconstrutiva.

3 - O sonho de Federer continua. E o nosso também

De maneira que isto é assim: vamos no quarto mês do ano, de janeiro até cá os três torneios mais importantes do calendário foram Open da Austrália, Indian Wells e Miami e um rapazola de 35 anos e 8 meses ganhou-os todos. Pois é, Roger Federer, qual fénix, continua a passear por 2017 like a boss e no domingo voltou a bater Rafa Nadal para garantir o terceiro título em Miami, da categoria Masters, e onde tinha vencido pela última vez há 11 anos (em 2006, portanto). É obra.

Al Bello/Getty

“Para mim o sonho continua”, disse o suíço no final do encontro que venceu por 6-3 e 6-4 - foi a 19.ª vitória em 20 duelos esta temporada. O teu e o nosso, Roger. Nós, meros mortais, privilegiados por podermos assistir à carreira do helvético e que agora teremos de esperar até ao próximo torneio do Grand Slam para voltar a ver o tenista em ação. “Já não tenho 24 anos, as coisas mudaram e é provável que não jogue qualquer torneio de terra batida até Roland Garros”, admitiu Federer, que quer “conservar o bom estado de saúde e o prazer de estar em court”.

4 - Vanessa Fernandes de regresso ao seu mundo

O triatlo é “o mundo” de Vanessa Fernandes e ela está de volta. Na Taça da Europa de Quarteira, a medalha de prata em Pequim’2008 ressurgiu para a modalidade e o resultado (13.º lugar) foi o menos importante, tendo em conta que está a treinar-se há apenas duas semanas. “As pessoas levaram-me até ao fim”, disse a atleta.

Foi o primeiro triatlo na distância olímpica terminado por Vanessa, as primeiras braçadas, pedaladas e passadas para o desejado regresso ao melhor dos palcos, nos Jogos de Tóquio, em 2020.

LUIS FORRA/LUSA

5 - São lobitos mas já arreganham os dentes

Enquanto os Lobos seniores garantia a 5.ª vitória em tantos outros jogos no Europe Trophy, frente à Ucrânia (14-7), os Lobitos arreganhavam os dentes na Roménia, vencendo o Europeu sub-20, depois de baterem a Espanha por 12-7. Uma vitória que vale mais do que uma taça: coloca também a seleção portuguesa no World Rugby U20 Trophy, uma espécie de Mundial B do râguebi, que se vai disputar de 25 de agosto a 10 de setembro, no Uruguai.

Além de Portugal, estão apuradas as equipas do Japão, Hong Kong, Namíbia, Chile, Ilhas Fiji, do anfitrião Uruguai e mais uma seleção da América do Norte ainda por definir.

Federação Portuguesa de Rugby