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Jesus decide e Mourinho baralha num fim de semana da Páscoa em que nem faltaram uns quantos Judas

Foi um fim de semana santo para uns e de pesadelo para outros: que o diga o FC Porto, que empatou em Braga e deixou tudo mais ainda nas mãos de Jorge Jesus. E enquanto uns quantos traidores continuam a fazer mal ao desporto, Mourinho fez bem à Premier League, dando-lhe um cheirinho de emoção após bater o líder Chelsea. Do outro lado do Atlântico, a guerra Harden-Westbrook foi abafada por uma tragédia e no Médio Oriente foi Vettel quem festejou

Lídia Paralta Gomes

HUGO DELGADO/EPA

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1. Noves fora, decide Jesus

Semana santa para Benfica e Sporting, de via-sacra para o FC Porto, que empatou em Braga e deixa agora a decisão do campeonato nas mãos de um ressuscitado Jesus.

Mas vamos por partes. O Benfica foi o primeiro dos três grandes a entrar em campo, frente ao Marítimo, e despachou a coisa nos últimos 10 minutos da 1.ª parte: aos 35’ Luís Martins marcou na baliza errada e dali até ao intervalo Jonas fez mais dois para arrumar a questão. Três ovos da Páscoa no cesto dos madeirenses e liderança garantida para os da Luz.

Um par de horas mais tarde, o Sporting chegou à 5.ª vitória seguida, três golos frente a um V. Setúbal que gosta de tramar os grandes mas que esta jornada pouco ou nada conseguiu fazer frente a um leão que parece estar na sua melhor fase da época - agora não vale de muito, mas na próxima semana há dérbi e o renascido Jesus (eu prometo que é a última piada pascal) não vai facilitar o caminho de glória ao Benfica.

No sábado, o FC Porto apresentou-se para aquela que era, no papel, a deslocação mais complicada até final do campeonato, comprovada com um empate (1-1) em Braga que coloca os dragões à mercê do que Jesus conseguir no dérbi da próxima jornada - e nunca os portistas ficaram tão chateados por um festejo de um secretário de Estado ou rezaram tanto por uma vitória do Sporting.

2. Quando os traidores vêm das bancadas

Judas entregou Jesus por 30 moedas e quem está nas bancadas parece querer entregar o desporto à bicharada.

Assim, e depois do triste episódio da semana passada no Dragão Caixa, em que adeptos do FC Porto entoaram um infeliz cântico envolvendo o Benfica e o avião da Chapecoense, eis que a claque do clube da Luz achou por bem, e também num jogo de andebol, entre o Benfica e o Sporting, relembrar o very light que matou um adepto da equipa de Alvalade durante a final da Taça de Portugal de 1996. “Foi no Jamor que o lagarto ardeu”, pode ouvir-se num vídeo amador colocado do YouTube e também na transmissão do encontro.

E como gente que não gosta de desporto não é um exclusivo do nosso país, este fim de semana também nos chegaram notícias tristes de França e Argentina.

Em França, o encontro entre Bastia e Lyon foi interrompido ao intervalo, depois dos adeptos da casa invadirem por duas vezes o relvado do estádio Armand-Césari. A primeira ainda antes do apito inicial, quando os jogadores do Lyon aqueciam - foram mesmo obrigados a refugiar-se nos balneários - e depois ao intervalo, com o guarda-redes português Anthony Lopes como protagonista: no regresso ao túnel, o guardião titular do Lyon foi agredido por um adepto do Bastia e a confusão voltou ao relvado. O jogo acabou suspenso por falta de condições de segurança.

Na Argentina, num encontro entre o Belgrano e o Talleres, um adepto da equipa da casa foi atirado de uma das bancadas por um grupo de adeptos do mesmo clube e está em morte cerebral. A trágica história, mais uma, está contada aqui.

3. Mourinho baralha as contas em Inglaterra

Tão ingénuo como tirar Jesus as contas do título é acreditar que Mourinho desaprendeu. Ou seja, tirar Mourinho das contas do título. Em pleno domingo de Páscoa, o técnico português desencantou um sistema que desarmou o ultra-coeso Chelsea de Antonio Conte, que de repente se vê com apenas 4 pontos de vantagem no topo da Premier League - chegaram a ser 10.

Sem dar um milímetro de espaço ao Chelsea e com duas setas apontadas à baliza (Rashford e Lingard), o Manchester United venceu por 2-0 e recolocou o Tottenham na luta do título. Já Mourinho voltou a ver na imprensa britânica o seu nome associado a termos como “mastermind”, “brilliant”, “authority”, que não precisam de tradução.

"This is United", parece dizer Mourinho, que voltou a dar vida à Premier League

"This is United", parece dizer Mourinho, que voltou a dar vida à Premier League

Phil Noble/Reuters

4. Fórmula 1: quando abrandar dá direito a penalização

Os Ferrari são mais lentos que os Mercedes mas o certo é que à 3.ª corrida do Mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton tem uma vitória e Sebastian Vettel duas, a última das quais conquistada este domingo no Bahrein.

A razão? Hamilton poderia até citar Camões para explicar o que correu mal no circuito de Sakhir: “Erros meus, má fortuna, amor ardente”. Um misto de azar e decisões precipitadas, tanto de Hamilton como da Mercedes.

O azar bateu à porta à 13.ª volta, quando uma colisão entre Lance Stroll e Carlos Sainz fez entrar o safety car em pista. Numa reação imediata, a Mercedes chamou os dois pilotos à box, enquanto a Ferrari estava descansada já que Vettel tinha parado antes do previsto, à 10.ª volta.

Bottas foi o primeiro a parar na box da Mercedes e Hamilton, para não coincidir com o colega finlandês, acabou por abrandar o ritmo à entrada do pit lane, manobra que atrapalhou o Red Bull de Daniel Ricciardo. Hamilton acabou penalizado em 5 segundos e Vettel, longe das confusões, ficou com caminho livre para a vitória.

“Foi culpa minha. Tenho de pedir desculpas à equipa”, lamentou Hamilton num raro momento de humildade - até porque o erro o fez baixar ao 2.º lugar do Mundial de pilotos.

Lars Baron/Getty

5. NBA: Harden 1, Westbrook 0 (e alguém que foi em frente apesar da desgraça)

Arrancaram os playoffs da NBA e com eles o duelo entre os Houston Rockets e os Oklahoma City Thunder, ou melhor, James Harden vs. Russell Westbrook. Os dois estão em guerra pelo prémio de MVP da temporada regular e no primeiro round foi o barbudo quem saiu por cima.

Harden marcou 37 pontos, decisivos para a vitória dos Rockets por 118-87, enquanto Westbrook terminou o jogo com 22 pontos, 11 ressaltos e 7 assistências, mas com um pobre registo de apenas seis lançamentos convertidos em 23 tentados, mais 9 turnovers.

A luta entre ambos promete animar esta 1.ª ronda dos playoffs, mas passou para segundo plano perante a dor de Isaiah Thomas. O base dos Celtics, estrela-maior da equipa de Boston, jogou um dia depois de perder a irmã mais nova, Chyna, de 22 anos, num acidente de viação. Apesar da tragédia, Thomas foi o melhor marcador dos Celtics, com 33 pontos. Um esforço ainda assim infrutífero, já que a melhor equipa do Este na fase regular acabou por perder com os Chicago Bulls por 106-102.