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Ex-atleta da NFL suicida-se na cela

Aaron Hernandez foi encontrado morto na sua cela, cinco dias depois de ter sido ilibado do assassínio de dois cabo-verdianos em 2012

Alexandra Simões de Abreu

Jim Rogash

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Cinco dias depois de um Tribunal de Boston o ter considerado inocente de ter matado dois cabo-verdianos, Aaron Hernandez, 27 anos, foi encontrado morto na cela. A antiga estrela dos New England Patriots que cumpria pena perpétua desde 2015 enforcou-se com o lençol da cama atado à janela da cela. O departamento de segurança informou que chegaram a utilizar técnicas de salvamento e que foi transportado para o hospital, onde veio a ser declarado o seu óbito.

O ex-jogador de futebol americano estava acusado de um total de oito crimes, mas na sexta-feira passada foi apenas considerado culpado de posse de arma ilegal, pelo qual foi condenado a entre quatro a cinco anos de prisão.

No entanto, Hernandez continuava a cumprir pena perpétua sem direito a saída precária, devido ao assassinato de um amigo, Odin Lloyd, pelo qual foi condenado em 2015 (na altura, a acusação defendeu que Hernandez matou Lloyd para o silenciar em relação aos crimes dos cabo-verdianos).

Quando foi detido, Aaron Hernandez tinha um contrato de 41 milhões de dólares com os New England Patriots, a equipa de Massachusetts que venceu o Super Bowl na última época.

Neste último julgamento, de onde Hernandez sairía como não culpado, a estratégia desenhada pelo célebre advogado Jose Baez foi alegar que teria sido um outro amigo de Hernandez, que estava com ele na noite dos crimes (com os cabo-verdianos), Alexander Bradley, que teria disparado sobre os dois homens. Bradley perdeu um olho nessa noite fatídica.

Em julho de 2012, Danny Abreu e Safira Furtado, dois cabo-verdianos, estavam na discoteca Cure Lounge quando um deles entornou uma bebida sobre Hernández. À saída da discoteca, o atleta terá disparado sobre o grupo de amigos cabo-verdianos, matando dois e ferindo um terceiro elemento. Foi isto que testemunhou Alexander Bradley em tribunal, mas o júri não acreditou no seu depoimento.

Os cabo-verdianos, Abreu e Furtado, trabalhavam os dois em limpezas e viviam na mesma zona de Massachusetts, estado onde existe uma numerosa comunidade cabo-verdiana.