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Sim ao hijab: um pequeno passo para o basquetebol, um grande passo para o Irão

No Irão esperava-se que, entre hoje e amanhã, fosse aprovada uma lei que permite às mulheres que jogam basquetebol, que o façam de cabeça tapada. Em nome da religião, a lei foi mesmo aprovada

Cláudia Alves Fernandes

Entre quinta e sxta-feira, a Federação Internacional de Basquetebol aprova (ou não) o uso de hijab durante os jogos

Jim Mone/AP

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Dentro do campo tudo normal, é apenas mais um jogo de mulheres que, por acaso, professam a religião islâmica. Cinco mulheres em cada lado do campo: o árbitro apita, a bola vai ao ar e é da equipa que a apanhar primeiro. O som ecoa, com a bola a ser driblada pelo campo. O objetivo, como em todos os jogos de basquetebol, é pôr a bola no cesto das adversárias, marcar pontos e evitar que as outras marquem.

Mas neste jogo há outro objectivo. Um objectivo que se esconde - e ao mesmo tempo se mostra - nos equipamentos das jogadoras em campo, tão diferentes dos que estamos habituados a ver. Os calções e a camisola larga deram lugar ao corpo todo tapado pelo equipamento e o hijab que lhes esconde a cabeça. Vestem diferente porque a religião assim as obriga. E este é o jogo que marca o início da mudança (ou do primeiro passo para ela).

Este jogo já aconteceu há algum tempo. Com o presidente da Federação de Basquetebol do Irão, Mahmoud Mashhoun, e a sua comitiva a assistir ao confronto nas bancadas para observarem as jogadoras em campo e levar ao congresso da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA), que se realizou em Hong Kong, a proposta que elimina a regra que proibía o uso de adereços religiosos – como o hijab que usam – por questões de "segurança", durante as competições.

Mas a partir de outubro, esta será uma imagem normal para os apreciadores do desporto. "Esta", a imagem de mulheres com o corpo tapado e com hijab, entenda-se. Segundo a BBC, a Federação Internacional de Basquetebol disse que a nova regra (ou o fim da que proíbia que as jogadoras tapassem a cabeça) impõe-se porque “os códigos de vestuário tradicionais em alguns países - que exigiam que a cabeça e/ou o corpo inteiro fosse coberto - eram incompatíveis” com as regras da FIBA.

Em fevereiro, a Federação Internacional de Basquetebol já tinha dito ao comité de regras que elaborasse uma proposta sobre o uso (em segurança) de adereços religiosos durante os jogos. Agora, chegou a hora da verdade e o basquetebol foi o grande vencedor: a eliminação da lei que proibe o uso de hijabs, turbantes e yarmulkes no desporto foi discutida e aprovada e pretende-se que entre em prática já a 1 de outubro, permitindo que todas as religiões pratiquem o desporto.

Este é um pequeno passo para o basquetebol, mas um grande passo para o Irão. Lá, as leis islâmicas são restritas: os homens estão proibidos de frequentar e assistir a jogos femininos. A divisão entre sexos é forte e não pode ser comprometida. Mas a luta para que se mudem essas leis é grande e ganha força. A permissão de usar adereços religiosos, é vista como um passo nesse caminho ainda longo.

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