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Quase tantas despedidas quanto taças e quase tantas lágrimas quanto festa neste fim de semana de emoções

A vitória do Benfica na Taça, as outras Taças que se jogaram pela Europa fora, a bola na mão que deu um troféu ao Sporting, as duas rodas que deram o Giro a Tom Dumoulin e Alonso, tão azarado nos EUA como na Europa. Tudo isto aconteceu no fim de semana que marcou o adeus de Francesco Totti ao futebol e à sua Roma, após 28 anos de amor. Um doce para quem não se emocionar

Lídia Paralta Gomes

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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1. Benfica consegue a dobradinha. Ah, desculpem, a tripleta.

Foi uma espécie de serenata à chuva para dizer adeus à temporada, um adeus feito de estreias, glória e despedidas e de uma dobradinha do Benfica, que saiu no domingo do Jamor com a Taça de Portugal, após vitória por 2-1 frente ao V. Guimarães.

Dobradinha, alto aí. Como fez questão de sublinhar Rui Vitória, mais que a dobradinha, o Benfica terminou o campeonato com a tripleta, ou seja, campeonato, Taça e Supertaça. Foi preciso esperar 36 anos para os encarnados voltarem a limpar tudo (ou bem, quase tudo, faltou a Taça da Liga). Marcaram Raúl Jiménez, versão El Luchador, e Salvio para o Benfica e Zungu para os minhotos.

No encontro que marcou a estreia oficial do vídeo-árbitro em Portugal, o Benfica engordou o Museu com a 26.ª Taça de Portugal do seu historial, mas ficará mais magro na baliza, já que o guardião Ederson está de malas feitas para Manchester, num negócio que deverá deixar muitos milhões na Luz - e alguns nos cofres de Rio Ave e da Gestifute de Jorge Mendes, que têm fatias mais fininhas do passe do brasileiro.

2. Taças e mais Taças

Ian Walton/Getty

Não foi só em Portugal que se jogou a Taça: um pouco por toda a Europa distribuiu-se o segundo mais apetecível troféu caseiro. Em Inglaterra, o Arsenal deu a provar ao Chelsea o seu próprio veneno - que é como quem diz, entrou a jogar com três centrais - e conquistou a terceira FA Cup nas últimas quatro temporadas, ao vencer por 2-1, com golos de Sánchez e Ramsey (cautela famosos). Diego Costa fez o insuficiente golo do Chelsea, que falhou assim a hipótese da dobradinha.

Na Alemanha, à quarta foi de vez para o Borussia Dortmund, que depois de perder as três últimas finais da DFB-Pokal, lá levantou o caneco com uma vitória por 2-1 (resultado da moda neste fim de semana taceiro) frente ao Eintracht Frankfurt, no Estádio Olímpico de Berlim. Marcaram Dembélé e Aubameyang para a equipa da Dortmund, em que Raphael Guerreiro foi titular, e Rebic para a malta da capital financeira da Europa.

Em França, o Paris Saint-Germain viu-se e desejou-se para bater o Angers, que só caiu com um auto-golo já para lá dos 90’. É a terceira Coupe de France seguida para os parisienses, uma vitória que não teve participação de Gonçalo Guedes - o português não saiu do banco.

Para terminar, em Espanha, no jogo do adeus ao Estádio Vicente Calderón, o Barcelona venceu o Alavés por 3-1, conquistando a 29.ª Copa del Rey do palmarés - e terceira consecutiva - num jogo em que Leo Messi espalhou mais uns quantos pozinhos de perlimpimpim pelos relvados espanhóis, como se pode constatar pelo vídeo abaixo.

3. O adeus de Totti

Roma terá sido a única capital europeia onde este fim de semana houve mais lágrimas do que festejos. Tudo porque no domingo Francesco Totti disse adeus aos relvados e à sua Roma, clube que defendeu durante 28 anos, desde os sub-14 até aos seniores. Foram 786 jogos, 307 golos e muita magia, que tem um fim com o médio já nos 40.

Totti foi o último a tocar na bola no jogo que fechou a temporada da Roma - já estava em campo quando Perotti fez o golo que garantiu a vitória dos giallorossi frente ao Génova e a qualificação direta para uma Liga dos Campeões que no próximo ano já não verá o gladiador Totti. O médio despediu-se junto dos companheiros, da mulher e dos três filhos com uma emotiva carta que deixou o Olímpico em lágrimas: “Maldito tempo! Por mim estaria aqui outros 25 anos”. Por nós, estarias uma vida inteira.

Mais que explicar o que disse Totti e o que sentiu o estádio onde jogou temporadas a fio, nada como ver o vídeo. Está em italiano, mas as imagens dizem tudo - e se não ficarem pelo menos com os olhos marejados, há grandes hipóteses de não terem coração.

4. Com a bola na mão, o Sporting traz a Taça Challenge de novo para Portugal

Se no futebol a época não trouxe troféus, o andebol do Sporting dá o exemplo. Os leões conquistaram no sábado a Taça Challenge, o terceiro troféu europeu mais importante da modalidade, ao baterem os romenos do Potaissa Turda por 30-24 na 2.ª mão, depois de já terem vencido confortavelmente em casa por 37-28 no primeiro jogo.

É a segunda vez que o Sporting vence a Taça Challenge: a primeira foi em 2010, quando bateu os polacos do MMTS Kwidzyn. Um troféu que fica em Portugal pelo segundo ano consecutivo, já que na última temporada o vencedor foi o ABC de Braga.

O Sporting pode juntar o título nacional à Taça Challenge já na quarta-feira, caso vença o Benfica na última jornada.

5. Os motores Honda que nada querem com Alonso

Talvez desmotivado com a fragilidade dos motores Honda do seu McLaren, que ora partem, ora não são competitivos, Fernando Alonso saltou o GP Mónaco para correr pela primeira vez as míticas 500 milhas de Indianápolis. A presença do bicampeão do Mundo de Fórmula 1 deu um boost de mediatismo à prova e tudo parecia estar a correr às mil maravilhas para o espanhol, que a 20 voltas do final liderava na oval de Indianápolis.

Pois bem, isto do azar (ou da falta de competitividade…) tanto acontece na Europa como nos EUA. Alonso estaria já a pensar na garrafinha de leite fresquinho que iria beber após cortar a meta - uma das tradições dos vencedores das 500 milhas de Indianápolis - quando ouviu um um som muito familiar: o do motor Honda a ceder.

Com tudo isto agradeceu o japonês Takuma Sato, que levou a vitória e a garrafa de leite. Apesar da desilusão, Alonso sublinhou que viveu em Indianápolis “uma das melhores experiências da carreira”, deixando em aberto se é para repetir ou não.

Jared C. Tilton/Getty

... e mais um: Dumoulin levou a água ao seu moinho no Giro

Na hora de lançar os favoritos à vitória na 100.ª edição da Volta a Itália, os especialistas falavam em Quintana, Nibali, Pinot. E também em Tom Dumoulin, mas mais numa perspectiva de “ainda não será desta, mas vai ser em breve, de certeza”.

Pois bem, o holandês não esteve para esperar e tratou já de, aos 26 anos, vencer a sua primeira Grande Volta, ao arrebatar uma camisola rosa que envergou durante grande parte da prova, perdeu na penúltima etapa e recuperou na última, um contrarrelógio entre Monza e Milão. Há poucos roladores como Dumoulin que de uma assentada ganhou 1.39 minutos ao líder Nairo Quintana e 1.09 minutos a outro dos favoritos, Vincenzo Nibali. E pela primeira vez o Giro ficou nas mãos de um holandês.

LUK BENIES/Getty